Dia D do Grito: a cada dia 7, mobilizações e preparativos para o 26º Grito dos Excluídos

594

A dois meses da principal mobilização social do Dia 7 de setembro, entidades e movimentos populares do Brasil promovem ações em vista da divulgação e preparação para o Grito dos Excluídos. Neste último dia 7 de julho, eventos e iniciativas nas redes sociais marcaram o primeiro Dia D do Grito.

Nos encontros da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, surgiu a proposta da criação de um Dia D do Grito, a ser realizado nos dias 7 de cada mês, antes e depois do 7 de setembro. De acordo com os organizadores, a ideia, entre outras que possam surgir a partir de cada realidade local, é produzir materiais de comunicação para divulgar e subsidiar os debates em torno do tema, lema, objetivos e eixos do 26º Grito.

Neste ano, o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar” é proposto junto com exigência: “Basta de Miséria, Preconceito e Repressão! Queremos Terra, Trabalho, Teto e Participação!”. “A ameaça contra a vida é constante em suas diversas formas, entre elas, as mais evidentes: a da violência do Estado e de suas instituições com os altíssimos índices de assassinato de jovens negros, pobres, periféricos, favelados; a violação dos direitos básicos como água, moradia, saúde e educação de qualidade, lazer, cultura, trabalho, transporte. O que fomenta o crescimento de uma economia elitista e exclusivista que produz uma minoria dos ‘ricos cada vez mais ricos’ e a crescente miséria, inchando as periferias e jogando uma multidão de seres humanos no olho da rua, com consequências sociais dramáticas e assustadoras”, informa a coordenação nacional do Grito, lembrando que muitas ações já estão sendo feitas, sejam virtuais ou presenciais, como as campanhas de solidariedade junto às comunidades e populações que mais sofrem com o impacto da pandemia e suas consequências sociais. Outras ações estão sendo pensadas, como a produção de lives, programas de rádio, vídeos, podcast, roteiro de celebração, spots para a divulgação do tema e lema do Grito.

“Em tempos de pandemia, os gritos ecoam ainda mais fortes, diante do sofrimento que a doença e o descaso dos governos, sobretudo o federal, impõem a milhares de pessoas que perderam e perderão sua vida, ou familiares, amigos e conhecidos. A Covid-19 escancarou o abandono a que a saúde pública já vinha sendo submetida pelo não cumprimento do que está previsto na Constituição Federal de 1988, o desmonte gradativo do SUS e as reformas neoliberais que visaram a retirada de direitos sociais”, acrescenta a coordenação.

No ano passado, a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforçou o apoio às mobilizações reforçando que, mesmo dando destaque ao dia 7 de setembro, o Grito dos/as Excluídos/as não quer se limitar a esta data. “Vai muito além. Envolve o antes, o durante e o depois. Em preparação ao evento são promovidas rodas de conversa, seminários, fóruns temáticos envolvendo entidades, instituições, movimentos e organizações da sociedade civil fortalecendo as legítimas reivindicações sociais e reforçando a presença solidária da Igreja junto aos mais vulneráveis, sintonizando-a aos seus anseios e possibilitando a construção de uma sociedade mais justa e solidária”, informa a coordenação.

“Fechadas as portas de casa devido do confinamento, aprendemos a nos comunicar pela janela e pela tela, seja esta última da televisão, do computador ou do celular. Também neste caso, abrem-se alternativas. Podemos usar as redes sociais não apenas para o ódio e a polarização agressiva, mas para o encontro, o diálogo, a solidariedade e a luta pela justiça. A paz é fruto das oportunidades de trabalho e da redistribuição de renda. Não há paz sem a garantia de uma dignidade assegurada. O que, por sua vez, chama à luta e à defesa dos direitos humanos em todos os setores da sociedade”, orienta Pe. Alfredo J. Gonçalves, padre carlista e assessor das Pastorais Sociais.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

1 COMENTÁRIO

  1. A imagem representa um índio dizendo que a Amazônia está morrendo e logo eles estarão de luto, pois suas terras, cultura e irmãos, desaparecem

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário
Coloque seu nome aqui