Dia Mundial do Meio Ambiente

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“Sem uma aliança institucional ampla, será muito difícil para as futuras gerações celebrarem este dia.”

O Dia Mundial do Meio Ambiente deve ser um dia de celebração pela generosidade e abundância da Mãe Terra. Deve ser um dia para reconhecermos que este frágil planeta, mesmo sendo tão generoso, não pode produzir ao ritmo que se exige dele. No entanto, como celebrar quando vemos algumas matérias nos jornais ou testemunhamos o desmatamento na Amazônia, a morte dos rios e as queimadas no pantanal?

Como celebrar quando a desigualdade sócio econômica faz com que os mais pobres sejam forçados a migrarem para as metrópoles, perdendo o contato com um modo de vida ancestral, ao mesmo tempo em que bilionários compram ilhas sonhando com a natureza preservada apenas para eles? Sem contar o número de crianças que morrem diariamente por causa da poluição das nossas águas nas zonas rurais ou adoecem por causa da poluição do ar nas grandes cidades.

Talvez neste dia vejamos notícias de políticos que plantarão algumas árvores, mas se negam a lutar pela melhoria no transporte público. São tantos os motivos que poderiam nos fazer desistir de celebrar este dia, mas ainda assim, com todos estes problemas, temos muito a agradecer (e deixar a graça descer) pela generosidade da nossa Casa Comum.

Como pessoas que professam uma fé e ligadas à Igreja Católica (mas vale para outras religiões também), necessitamos repensar o nosso papel neste cenário. Poucas instituições no mundo têm mais capacidade de trabalhar para reverter o quadro de destruição ambiental que nos ameaça do que a Igreja Católica. Sua inserção nos ambientes acadêmicos e o acesso aos grupos populares, junto com a sua presença nos organismos internacionais que direcionam políticas globais, lhe obriga a ser mais atuante na causa ambiental. Imaginem se todas as paróquias, pastorais, ordens, congregações, escolas, universidades e organizações leigas católicas juntassem os seus patrimônios do saber, de gestão e material em uma rede comprometida pela reversão do aquecimento global. Imaginem se todas estas organizações se comprometessem, pelo menos em parte, com o consumo de produtos orgânicos, energia sustentável, reflorestamento e despoluição dos rios?

Sabemos que já há várias iniciativas vindas de grupos católicos, mas elas ainda precisam avançar muito para impregnar o dia a dia dos seus milhões fiéis. Claro que esta é uma mudança lenta, mas extremamente necessária.

Não há momento melhor do que este quando há o apoio do Papa Francisco para este tema demonstrado com a Encíclica Laudato Si e o Sínodo da Amazônia.

Que neste Dia Mundial do Meio ambiente a conversão seja individual, mas acima de tudo institucional. Fazer a própria parte é extremamente importante, “mas sozinho, isolado, ninguém é capaz”. Não é hora de ser competitivo, mas de cooperar em rede a partir das nossas organizações. Sem uma aliança institucional ampla, será muito difícil para as futuras gerações celebrarem este dia. Nossas instituições religiosas têm o dever moral de trabalhar pelo fim de todas as formas de destruição do nosso planeta.

Por Flávio José Rocha é Mestre em Espiritualidade da Criação pela Naropa University, Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UFPB e doutor em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo. Ele é membro do grupo Missionários Leigos de Maryknoll.

Fonte: CICAF

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