Festa da Penha: “Nós temos que sair dessa pandemia mais solidários”, diz Dom Dario

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Há 450 anos, o Estado do Espírito Santo celebra a sua Padroeira Nossa Senhora da Penha. Mas pela primeira vez, em quatro séculos e meio de festividades, a terceira maior festa mariana nacional teve de reinventar diante da pandemia do novo coronavírus que chegou ao país. Com isso, toda a programação está sendo virtual e os fiéis devotos de Nossa Senhora da Penha puderam acompanhar, pelos meios de comunicação e mídias sociais, a Santa Missa da abertura do Oitavário, celebrada na pequena e histórica capela do Convento da Penha, neste domingo, 12 de abril.

A Missa de abertura foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Vitória, Dom Dario Campos, OFM. Frades do Convento participaram da Celebração Eucarística e a Província da Imaculada Conceição foi representada pelo Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella. O guardião do Convento, Frei Paulo Pereira, acolheu a todos e explicou como será o Oitavário até a Festa da Penha, no dia 20 de abril.

Dom Dario lembrou que vivemos um tempo desafiador de isolamento social e de grande mudança de hábito, assumido com responsabilidade e cuidado diante das indicações de órgãos internacionais e nacionais de saúde, devido à pandemia covid-19. “A nossa Semana Santa foi marcada pelos fiéis fisicamente distantes, mas unidos espiritualmente em todas as celebrações, a maioria delas transmitida pelos meios de comunicação social”, lembrou.

O arcebispo franciscano lembrou que, do alto do Convento da Penha, Nossa Senhora das Alegrias, Padroeira do Estado, “damos início ao Oitavário em preparação à grande Festa de Nossa Senhora da Penha, 450 anos Mãe de todos os capixabas. Mãe coroada das sete alegrias da ressurreição do Senhor. Aquela que, com coragem mesmo diante dos inúmeros desafios que vivera, soube dizer de todo coração: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”, indicou.

Dom Dario se dirigiu a todos os fiéis devotos, reunidos em família, em suas casas, na igreja doméstica, no desejo de levar uma palavra de conforto, de fé e de esperança. “Dirijo uma palavra de alegria e conforto a todos os irmãos e irmãs de nossas Comunidades Eclesiais de Base, espalhadas em toda a nossa Arquidiocese. Enfim, convido a todos a repartirmos juntos e proclamarmos com alegria: o Senhor ressurgiu e está vivo no meio de nós!”, convidou.

Segundo Dom Dario, diante dessa pandemia que assola o mundo, “somos convidados a partilhar”. “Nós não podemos sair deste momento em que a humanidade vive do mesmo jeito que entramos. Nós temos que sair mais solidários, mais irmãos, mais fraternos, menos egoístas, menos rancorosos, menos vaidosos. Ter amor com o próximo, com aquele que necessita. Deixar o lucro de lado e fazer a partilha do pão”, pediu Dom Dario.

“Gosto de repetir essa frase do nosso Papa Francisco: ter cuidado com os nossos irmãos que vivem na rua. A rua não é lugar para se morar. A rua não é lugar para se morrer”, lembrou.

Frei Paulo celebrou com alegria o grande número de devotos que acompanharam on line a abertura do Oitavário neste domingo. “Nesses tempos que nos assombram, eu trago uma notícia de muita alegria. Nós iniciamos a Festa da Penha na sua edição de número 450. São quatro séculos e meio de devoção e piedade e a Festa da Penha teve de se reinventar. Nós chegamos aos lares das pessoas que não puderam vir à casa da Mãe de Deus Maria Santíssima. Mas a Virgem das Alegrias foi até a casa das pessoas”, disse.

A programação está disponível nas redes sociais do Convento da Penha através do Facebook, Instagram  e o Canal do YouTube

Neste ano, a festa tem como tema “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). O canto profético de Maria no “Magnificat” prefigura o imenso carinho e devoção pela Virgem que marcou e marca todos aqueles que a celebraram nestes 450 anos de tradição.

A festa da Penha é fruto de uma semente lançada por Frei Pedro Palácios em 1558, quando chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e desembarcou nas terras capixabas. O frade espanhol trouxe na sua bagagem um painel de Nossa Senhora das 7 Alegrias, que foi colocado numa gruta e deu origem à devoção franciscana que vem até hoje. Ao longo do tempo, essa devoção cresceu e foi construído o Santuário para a Mãe de Deus no ponto mais alto do penhasco. Desde então, romeiros visitam o Convento durante todo o ano.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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