Protomártires franciscanos: Luzes para Fernando de Bulhões, luzes para a Juventude Franciscana

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Frei Henrique Ferreira dos Santos
OFMCap

 

Frei Túlio de Oliveira Freitas
OFM


Assistentes Espirituais da JUFRA do Brasil

 

O dia 16 de janeiro de 1220 marcou de uma forma profunda a nascente Ordem Franciscana, por ver derramar-se o sangue de cinco de seus frades que testemunharam sem medo o Evangelho, anunciando Jesus Cristo. Eram eles: Frei Berardo, Frei Oto, Frei Pedro, Frei Acúrsio e Frei Adjuto que, enviados por São Francisco aos sarracenos, foram conduzidos ao sultão, encarcerados, e depois transferidos para Marrocos com a ordem de não mais pregar. Se já tinham entregue toda a sua vida ao Senhor por meio de sua consagração religiosa, por qual motivo temer a morte? E foi por anunciar o Evangelho que eles foram torturados e decapitados. Foram os primeiros franciscanos mortos porque anunciaram Jesus.

Ao saber da morte destes cinco pobres frades, seguidores de Francisco de Assis, o “louco” que abandonou tudo para ser pobre com os pobres, o Cônego Fernando de Bulhões sente seu coração arder e, inconformado com a vida que levava, percebe que pode doar-se mais pelo Reino… muito mais! Era isso que lhe faltava! “É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo fazer com todo o meu coração!” (1 Celano 22,3). O Cônego Fernando quer morrer! Morrer de amor, por aquele que lhe amou primeiro. E assim se decide a mudar de vida, abraçando a vida e espiritualidade do pobrezinho de Assis, São Francisco, mudando seu nome para Frei Antônio de Lisboa.

A mudança “trágica” de vida acontece com nosso Santo Antônio ainda na sua juventude. Tinha ele por volta dos seus 25 anos, quando decide-se viver na altíssima pobreza e humildade, na Ordem dos Menores, de São Francisco de Assis. A luz que faltava em sua vida foi o exemplo, a força e a coragem que tiveram os cinco frades franciscanos que morreram pela evangelização. Seu exemplo de fé iluminou a vida de Antônio e a transformou radicalmente. E nós, Juventude Franciscana? Estamos também dispostos a dar a nossa vida para que a mensagem do Evangelho chegue a todos os povos ou nos contentaremos com a mediocridade de nossa acomodação que não evangeliza ninguém?

É necessário avançar sempre! É necessário sairmos do nosso comodismo para que nossa vida se torne exemplo de coragem. A JUFRA precisa ser testemunha fiel daquilo que acredita, sonha e luta, para que outros, motivados pelo nosso ânimo, sejam também construtores de um novo mundo, de onde brote a fé, regada sempre pelo nosso suor e sangue, que torna fecundo este chão que pisamos, testemunha de nossos acertos e erros, terra de tantas injustiças, guerras e dores.

Antônio de Lisboa, de Pádua, de Coimbra, do Brasil, de tantos lugares…  exemplo de determinação e vigor naquilo que acreditava e fazia, serve para nós, jovens, como exemplo profícuo de que vale a pena ir à luta. Vale a pena dar a vida por uma causa, quando se defende a fé no Senhor Jesus, que para todos quer a vida e vida em abundância (cf. Jo 10,10). Não podemos estar alheios às necessidades dos irmãos e irmãs que passam por nós desejosos apenas de um pouco de amor. É preciso dar a vida! Que a exemplo dos primeiros mártires franciscanos, nós jovens aprendamos que morrer por quem se ama é a forma mais perfeita de fazer germinar no outro as sementes de fraternidade que lançamos com nosso exemplo. Os protomártires franciscanos conseguiram conquistar Antônio, e nós, o que conquistamos com o exemplo de nossa vida? Repetimos: saiamos do nosso conformismo e avancemos! Deus espera e precisa de nós!

Paz e Bem!

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