Rezemos com o Papa pela paz no mundo

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“As vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias”, reiterou Francisco ao convocar este dia de jejum e oração pela paz durante o Angelus de 4 de fevereiro.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

No Angelus do domingo 4 de fevereiro, o Papa lançou um apelo em favor da paz, convocando para esta sexta-feira da primeira semana da Quaresma, um Dia de Oração e Jejum.

Francisco ressaltou na ocasião que “as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias”.

Diante da trágica continuação de situações de conflito em diversas partes do mundo, convido todos os fiéis a um Dia especial de Oração e Jejum pela Paz em 23 de fevereiro próximo, sexta-feira da Primeira Semana da Quaresma”.

O ofereceremos em particular pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do sul. Como em outras ocasiões similares, convido também os irmãos e irmãs não católicos e não cristãos para se associarem a esta iniciativa nas modalidades que considerarem mais oportunas, mas todos juntos”.

O Papa recordou que “o nosso Pai Celeste escuta sempre os seus filhos que gritam a Ele na dor e na angústia, «cura os corações feridos e enfaixa  suas feridas»”, e convidou a que cada um perguntasse na própria consciência: “O que eu posso fazer pela paz?”:

Certamente podemos rezar; mas não só. Cada um pode dizer concretamente “não” à violência naquilo que depender dele ou dela. Porque as vitórias obtidas com a violência são falsas vitórias; enquanto trabalhar pela paz faz bem a todos!”

Esta não é a primeira iniciativa em favor da paz promovida por Francisco em seu pontificado.

Setembro de 2013

No dia 7 de setembro de 2013, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, a pedido do Papa foi realizado um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro.

Junho de 2014

Em 8 de junho de 2014, um histórico encontro nos Jardins Vaticanos reuniu o Papa Francisco com os presidentes israelense e palestino, Simón Peres e Mahmud Abbas, para invocar juntos a paz no Oriente Médio.

O encontro teve por objetivo “fazer uma pausa na política para ver desde outra perspectiva e mostrar publicamente o desejo comum de que aconteça algo, de que caminhos que foram fechados se reabram, de voltar a sonhar com a paz”, explicou na ocasião o então Custódio da Terra Santa, o franciscano Pierbattista Pizzaballa, um dos organizadores do encontro.

Novembro de 2017

Em 23 de novembro de 2017, foi presidida pelo Pontífice no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, uma Vigília de Oração pela paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo.

Dia de Oração e Jejum pela paz.

A força do jejum e da oração na superação da violência

Neste dia de oração e jejum pela paz convocado pelo Papa Francisco, o teólogo Padre Erico Hammes nos fala sobre o contexto em que este se realiza e como o jejum e a oração podem representar uma mudança de rota, assim como ajudar a superar os nossos próprios impulsos e tendências à violência.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco convocou para esta sexta-feira, 23 de fevereiro, um Dia de Oração e Jejum pela paz. Um apelo dirigido não somente aos cristãos, mas a pessoas de outras religiões e todos os homens de boa vontade.

Para melhor entendermos o contexto em que se realiza este chamado do Pontífice e também a força do jejum e da oração, o Vatican News conversou com o padre Erico Hammes*, teólogo, docente na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul

O Papa Francisco convocou para esta sexta-feira, 23, este Dia de Oração e Jejum pela paz, de sobremaneira pelo Sudão do Sul, pela República Democrática do Congo, mas também pela Síria e poderíamos incluir todos os países onde existem conflitos. E esta, aliás, não é a primeira vez durante o seu pontificado que o Papa promove uma iniciativa do gênero. Seria quase um apelo em uma situação extrema? O mundo vive uma situação de emergência neste sentido?

Sim, com certeza! E os últimos acontecimentos internacionais e as provocações levam a uma situação que hoje se pode considerar de instabilidade, porque não há uma segurança nas relações internacionais. A situação da Turquia e da Síria e tudo aquilo que está se passando na África, é realmente uma situação muito preocupante e também a situação da política armamentista, e digamos uma espécie de reinício de corrida armamentista. Isto obviamente não faz bem para as relações internacionais e tampouco para a paz”.

Na sua opinião, de que maneira o jejum e a oração podem influir positivamente neste contexto?

“Nós temos alguns exemplos muito significativos. Talvez o que marcou muito o século XX foi a atividade de Gandhi, que sempre insistiu na questão do jejum como uma forma de as pessoas mesmo se prepararem e se dedicarem para a paz.

A oração,  nós temos o caso da Alemanha Oriental, em que durante muitos anos na igreja de São Nicolau, em Leipzig, se faziam nas segundas-feiras as orações às cinco horas da tarde, e isso foi o que deu assim a força para o movimento de 1989 poder ir para as ruas e terminar com o Muro de Berlim.  

Então uma espiritualidade decisiva é sempre uma espécie de fonte de irradiação, mesmo que ela não seja levada eventualmente por motivações extraordinárias, mas ela consegue despertar no ser humano e pela afinidade com os desígnios de Deus, a disposição para se colocar a caminho da paz.

Então a oração é sem dúvida nenhuma um sinal, uma força muito grande para a paz, e também forma as consciências. E o jejum como exercício de autodomínio e também de exercício de solidariedade. Porque a violência é uma reação natural, quando não se tem uma alternativa cultural melhor. Então a violência brota, por assim dizer, aquilo como uma primeira reação à violência. Violência gera violência, a não ser que haja uma transformação da instintividade da reação violenta, por uma atitude de solidariedade, de paz, de compreensão e de acolhida e de tolerância, em resistência.

Quero apenas reforçar ou aceitar o desafio que o Papa nos faz de sermos testemunhas da paz, de nos engajarmos na oração e no jejum. Tentar fazer em todos ambientes onde nós estamos, aquilo que estiver ao nosso alcance. E podermos em outras atividades que fazemos, seja na sociedade civil, seja em nossas atividades acadêmicas, seja em atividades pastorais, de evangelização, de liturgia, que nós possamos testemunhar e buscar aprofundar isto.

Nós aqui no Brasil, em particular, temos muito a ver, e trabalhar e buscar em favor da superação da violência. Somos um dos países com o mais alto índice de violência no mundo e matamos por ano diretamente mais de 60 mil pessoas.

Então temos uma gravíssima responsabilidade como Igreja Católica no Brasil em buscarmos caminhos sérios de superação das condições que causam a própria violência em que se mata tanta gente, como estamos vivendo.

Então, quero sim me unir profundamente à oração pela paz e pela superação da violência e sei também da grande dor que reina na África, com acampamentos na ordem de 60 mil pessoas, refugiados, e tudo aquilo que acontece na Europa e também aqui estamos vivendo o problema da Venezuela, os venezuelanos que vem entrando em grande número.

Então, orar, rezar por isso, convocar as pessoas para isso, e ao mesmo tempo fazer o nosso jejum, no sentido de superar os nossos próprios impulsos e tendências à violência. E esse acho que é o sentido deste chamado do Papa.

E a Campanha da Fraternidade no Brasil vem à propósito: Fraternidade e a superação da violência é o tema, pois todos somos irmãos e irmãs”.

* Padre Erico Hammes é teólogo, docente na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul, pós-Doutorado em Cristologia da Paz na instituição de ensino Eberhard Karls Universität Tübingen, Alemanha.

É natural de Arroio do Meio (RS). Frequentou o Seminário São João Batista, de Santa Cruz do Sul. Estudou Licenciatura Plena em Filosofia na instituição de ensino FAFIMC e Pesquisa de doutorado em Cristologia na instituição de ensino Eberhard Karls Universität Tübingen.

Fonte: http://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2018-02/dia-de-jejum-e-oracao-pela-paz-teologo-padre-erico-hammes.html

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