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Papa pede desculpas por comentário durante viagem

O Papa Francisco, em um ato extremamente raro de autocrítica, pediu desculpas, na coletiva de imprensa durante o voo que o trouxe da capital peruana Lima para Roma, a vítimas de abusos sexuais cometidos por clérigos, reconhecendo que havia “ferido muitos” com seus comentários defendendo um bispo chileno que está sob investigação.

O comentário em questão foi feito respondendo a pergunta de um repórter na última quinta-feira no Chile, antes de partir para o Peru. Francisco disse que o bispo Juan Barros, que é acusado de proteger um notório pedófilo, permaneceria em seu cargo na diocese de Osorno porque não há, atualmente, nenhuma evidência confiável contra ele.

Entretanto, embora o Papa tenha dito se arrepender de sua escolha de palavras e tom de voz, ele também disse ter certeza de que o clérigo é inocente.

“Eu tenho que pedir desculpas”, disse o Papa a repórteres a bordo do avião retornando a Roma, após uma viagem ao Chile e Peru, dizendo que percebeu que havia “ferido muitas pessoas que foram abusadas”.

“Eu peço desculpas a eles se eu os feri sem perceber, mas foi uma ferida que eu infligi sem ter a intenção”, disse. “Isso me dói muito.”

A Comissão de combate a abusos segue adiante

Uma jornalista perguntou-lhe se o vencimento do mandato para alguns membros da Comissão vaticana de tutela contra os abusos significa, eventualmente, que este organismo não é considerado uma “prioridade”. O Papa quase a interrompeu para assegurar que, como Bento XVI antes deles, a linha permanece sendo a de “tolerância zero”. Portanto, a Comissão prosseguirá o trabalho realizado até então, que Francisco avalia positivamente, e que o que está sendo feito nesta fase é a renovação de parte dos membros, que precisa de um certo tempo para ser ultimada.

A viagem

Em primeiro lugar, referiu-se a Lima porque, à distância de uma hora da decolagem, brilhava em seus olhos o espetáculo de um milhão e 300 mil fiéis na imensa esplanada da Base área Las Palmas, em Lima, na missa conclusiva da viagem, uma liturgia marcada pelo entusiasmo e grande participação da multidão.

Todavia, reconheceu o Santo Padre, teve análogo impacto com o testemunho de afeto dos chilenos, percebido em todos os lugares – disse –, tanto pelas ruas da capital como nas ruas de Temuco e Iquique. Toda essa demonstração de fé, marcada pelo “calor do povo”, frisou, “me contagiou” com alguns momentos particularmente marcantes:

O cárcere das mulheres me comoveu muito. Sou muito sensível aos cárceres e aos encarcerados, sempre me pergunto: porque eles e não eu? Ver estas mulheres, a capacidade de mudar de vida, de reinserir-se na sociedade com a força do Evangelho – um de vocês me disse: “Vi a alegria do Evangelho”. Na etapa Puerto Maldonado e o encontro com os indígenas – houve a primeira reunião da Comissão pré-sinodal para a Amazônia – me comoveu muito o Lar “Pequeno Príncipe”: ver aquelas crianças que em sua maioria tinham sido abandonadas, aqueles adolescentes que conseguiram mediante a educação seguir adiante – ali há profissionais –, isso me comoveu muito, a obra de levar uma pessoa a desenvolver-se me comoveu bastante.

De fato, sintetizam-se nestas palavras, e em algumas considerações expressas pouco antes em espanhol, as impressões do Pontífice sobre uma viagem na qual se passou por diferentes condições climáticas, passando do verão urbano de Santiago ao ar seco e terroso de Iquique, ao calor caracterizado pela considerável umidade da Amazônia peruana.

Casamento em grande altitude: “Estavam preparados”

Não faltou a pergunta sobre o fora de programa mais singular da viagem, as núpcias do casal chileno celebradas por Francisco no voo para Iquique. Também aí Francisco explicou:

Disseram-me que sempre quiseram casar-se. Eu os interroguei por um pouco e as respostas eram claras – “por toda a vida…” – fizemos o curso pré-matrimonial… Estavam preparados e me certifiquei disso. Pediram-me e os Sacramentos são para as pessoas. Todas as condições eram claras e, então, por que não fazer hoje aquilo que se pode fazer hoje, sem deixar para amanhã, quando este amanhã poderia ser daqui a 8-10 anos?

A um certo ponto durante o voo foram anunciadas turbulências, mas o Papa decidiu não interromper seu colóquio com a mídia. Sentou-se numa poltrona por alguns minutos e brincou sobre o fato de permanecer “na fossa dos leões”.

Liberalismo? Depende

Outra pergunta voltou ao conceito expresso pelo Santo Padre durante o encontro com as populações amazônicas: a existência de políticas ambientalistas que contrapõem a tutela da natureza à tutela dos seres humanos. Francisco reiterou que, sim, infelizmente, ocorreu que “para proteger a floresta algumas populações foram expulsas e depois a floresta em questão foi objeto de exploração”. E reiterou, respondendo à pergunta de um jornalista peruano, a urgência de a América Latina livrar-se do fenômeno endêmico da corrupção. Uma chaga, da “vida dúplice”, que também a Igreja conheceu e conhece e que ele sofre por isso.

Outro jornalista pediu-lhe um comentário sobre o caso do cardeal hondurenho Maradiaga e do dinheiro…, mas o Pontífice afirmou não ter nada a dizer além do que o próprio purpurado declarou. E sobre o Chile que em vinte anos reduziu o nível da pobreza de 40% para 11%, Francisco traçou da seguinte forma suas considerações sobre os benefícios ou malefícios de políticas liberais:

“Diria que devemos estudar bem os casos de política liberal. Há outros países na América Latina com políticas liberais que os levaram a uma pobreza maior ainda. No caso do Chile realmente não saberia o que responder porque não sou um técnico nisso, mas, em geral, uma política liberal que não envolve todo o povo é seletiva e leva a um enfraquecimento.”

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=150024


Papa ao Fórum de Davos: o homem no centro para uma economia inclusiva

Mensagem de Francisco foi enviada ao presidente-executivo do Fórum, Klaus Schwab, e lida pelo card. Turkson.

Cidade do Vaticano – As inovações tecnológicas devem ser utilizadas “para a proteção da nossa casa comum”. Em especial, a inteligência artificial e a robótica devem estar a serviço da humanidade, e não ser uma ameaça “como algumas avaliações infelizmente preveem”. Este é o apelo lançado pelo Papa Francisco na carta enviada ao Fórum Econômico Mundial, que se realiza em Davos de 23 a 26 de janeiro.

O texto foi lido pelo prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, card. Peter Kodwo Appiah Turkson. A mensagem é endereçada ao presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, que este ano acolhe um número recorde de líderes políticos, inclusive o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sociedade inclusiva

Na mensagem, o Pontífice exorta: o homem deve estar no centro da economia. Para isso, é preciso criar “uma sociedade inclusiva, justa e que seja de apoio”.

Francisco cita as recorrentes crises financeiras, que causaram novos desafios e problemáticas para os governos, “como o crescimento do desemprego, de novas formas de pobreza e o aumento do abismo socioeconômico e novas formas de escravidão”, muitas vezes relacionadas a conflitos e migrações.

Neste contexto, “é fundamental salvaguardar a dignidade da pessoa humana”, sobretudo “oferecendo a todos reais oportunidades para um desenvolvimento humano integral, através de políticas econômicas que favoreçam a família”.

Nova direção ao destino do mundo

O Papa exorta: os modelos econômicos são chamados a “observar uma ética de desenvolvimento sustentável e integral, baseada em valores que colocam no centro a pessoa humana e os seus direitos”.

Somente deste modo “podemos dar uma nova direção ao destino do mundo”.

E assim também “a inteligência artificial, a robótica e outras inovações tecnológicas devem ser utilizadas para contribuir a serviço da humanidade e para a proteção da nossa casa comum e não o contrário, como infelizmente preveem algumas avaliações”.

Francisco destaca ainda que “não podemos permanecer silenciosos diante do sofrimento de milhões de pessoas cuja dignidade está ferida”. É uma “responsabilidade que diz respeito a todos, criar as justas condições para viver com dignidade”.

Fim da “cultura descartável”

O Pontífice reforça a exortação para rejeitar uma “cultura descartável”. Além disso, convida os empresários a criarem emprego, “aumentando a qualidade da produtividade, respeitando as leis do trabalho e lutando contra a corrupção e promovendo a justiça social”. Trata-se de uma “importante responsabilidade a ser exercitada com discernimento, porque será decisiva para dar forma ao mundo de amanhã e ao das gerações futuras”.

O Papa faz votos de que sejam superadas as divisões entre Estados e instituições e que colaborem entre si para ter uma política mais inclusiva num mundo sempre mais globalizado.

“Se quisermos um futuro mais seguro, que encoraje a prosperidade de todos, então é necessário manter o compasso sempre orientado para os valores autênticos”, conclui o Santo Padre.

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