Vozes promove “encontros com Francisco e Clara de Assis”

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A Semana Franciscana promovida pela Editora Vozes, com o apoio da Província Franciscana da Imaculada Conceição e da Conferência da Família Franciscana do Brasil, terminou na quarta-feira (7/10), depois de quatro dias de formação e espiritualidade franciscana no formato de lives. “É assim, como nesses dias, juntos, conversando, trocando ideias, ouvindo com atenção e interesse, que nós vamos construir esse mundo novo da fraternidade, da solidariedade e da paz, sonhado por Cristo, sonhado por Francisco e por que não sonhado por nós?”, resumiu o mediador Frei Gustavo Medella, que é o Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província da Imaculada. Na direção do evento, pela Vozes, esteve Natália França.

Os encontros, sempre às 18 horas, foram abertos no domingo, dia de São Francisco de Assis, com a presença e animação litúrgica das Irmãs Clarissas de Anápolis (GO), de Frei Fidêncio Vanböemmel, moderador da Formação Permanente da Província; e a Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA, presidenta do Conselho Diretor da CFFB; e Moema Miranda, irmã leiga franciscana, professora da disciplina Conflitos Socioambientais do Instituto Teológico Franciscano (ITF) de Petrópolis (RJ), antropóloga e participante do último Sínodo para a Amazônia.

Frei Fidêncio fez uma apresentação do grande personagem do dia, São Francisco de Assis, com o tema: “Muito prazer, Francisco!”, ressalvando: “Falar de São Francisco, ou apresentar São Francisco, em 10 minutos é muita ousadia, mas vamos tentar”.

Frei Fidêncio fez uma síntese da vida deste santo, que inspirou e inspira o Papa Francisco. “Francisco é uma personalidade tão rica, um homem tão marcante, que talvez agora pudéssemos perguntar aquilo que Frei Masseo um dia perguntou: ‘Por que a ti, Francisco? Por que todo mundo corre atrás de você? Todo mundo quer te ver, quer te ouvir? Creio que Francisco, para os homens de todas as épocas, sempre tem uma mensagem. Ele não é um homem de 800 anos, mas um homem que está sempre à nossa frente. Caminha à nossa frente e atravessa toda a história, porque baseou sua vida no Evangelho”, explicou Frei Fidêncio.

Ir. Cleusa lembrou que Francisco se fez família. “A experiência que ele fez, primeiramente sozinho e depois com seus companheiros, tornava-se cada vez mais conhecida e despertava um grande interesse nas outras pessoas. Francisco não vive sozinho. Francisco faz-se família gradativamente”, explica, destacando o homem da fraternidade.

Segundo Moema Miranda, na história do mundo, nesses 800 anos, nunca a mensagem de São Francisco foi tão atual, tão importante, tão inovadora. “São Francisco é um caminho para todos e todas nós para encontrarmos a harmonia e a fraternidade universal, da qual ele mesmo foi o primeiro propagador”, disse, lembrando os tempos sombrios que vivemos com a crise ambiental e a pandemia. “Nesse momento de dor, devemos perguntar como São Francisco: o que eu posso fazer de melhor? Qual é a melhor mensagem que posso dar para o mundo, a partir da minha experiência? Porque se estou sofrendo, sentindo dor, tenho medo, meus irmãos e irmãs também têm. Então, ao invés de focar na minha dor, eu posso focar no que eu tenho de amor, de generosidade, de bondade para compartilhar”, ensinou.

O amor cortês-cavaleiresco foi o tema de Frei Vitorio Mazzuco, mestre em Teologia Espiritual, pela Pontificia Universita Antonianum, em Roma, que foi tirado do seu livro “Francisco de Assis e o modelo de amor cortês-calaleiresco”, editado pela Editora Vozes.

Frei Vitorio destacou os valores da cavalaria na Idade Média, tempo que, segundo ele, revela uma nítida cultura de amor e originalidade. “Francisco não foi cavaleiro por iniciação, mas por inspiração”, explicou. Segundo o autor, cavaleiro é o representante de uma liberdade absoluta que se entrega a uma causa. Tem a coragem de arriscar a sua vida por algo muito grande na medida em que a causa exige. “A civilização medieval gerou para nós um tipo forte como Francisco de Assis”, disse.

No terceiro dia da semana, Frei Gustavo Medella destacou que o bate-papo seria além-mar, em terras portuguesas. O frade português, Frei José António Correia Pereira, falou sobre “Santa Clara: época, carisma e espiritualidade”, que é o título de um livro seu publicado pela Vozes.

Frei José lembrou que o caminho de Clara foi um “caminho próprio e pessoal”. “Às vezes, ela é estudada nas obras de Francisco, mas ela tem vida própria. Durante muito tempo era a plantinha escondida na sombra da grande planta São Francisco”, explicou. Segundo ele, Clara percorreu o caminho do movimento franciscano como as outras Ordens, mas o fez com sua identidade.

No quarto dia (7/10), Frei Ederson Queiroz, OFMCap, ex-presidente da CFFB; José Douglas Soares, Secretario Fraterno Nacional da JUFRA do Brasil; e Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA, presidenta do Conselho Diretor da CFFB falaram sobre a espiritualidade Franciscana. Frei Medella perguntou: Como São Francisco e Santa Clara surgiram na sua vida?

Ir. Cleusa contou que foi despertando na vocação vendo o trabalho das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Amparo. “O que muito me chamava a atenção foi a coragem de Francisco e Clara romperem com a família. São Francisco abandona tudo e vai viver pobremente. Opta por uma vida na simplicidade e pobreza. Santa Clara já tinha uma dinâmica de visitar os pobres, e depois enfrenta a família para seguir Francisco”, disse Ir. Cleuza.

Segundo Douglas, no ensino fundamental estudou no Colégio das Irmãs Franciscanas do Bom Conselho. “Toda a minha vivência franciscana foi pautada por elas. No terceiro ano do Ensino Médio, uma colega de classe me convidou para conhecer a Juventude Franciscana. A gente ouvia falar tanto de Jufra, mas tinha aquele receio. Depois de diversos convites, numa quinta-feira, lembro até hoje, resolvi conhecer essa fraternidade na minha cidade. Franciscano e Clara apareceu através daqueles jovens. Aí fui conhecendo mais profundamente a vivência radical do Evangelho de Francisco e a firmeza de Clara para seguir Francisco. E se passaram dez anos e, como a juventude tem um prazo de idade, em 1916, eu disse ‘sim’ para Ordem Franciscana Secular e aqui estou também servindo a Juventude Franciscana”, explicou Douglas.

Segundo Frei Éderson, quando era coroinha, nasceu o desejo de ser padre. “Não tinha a menor noção do que era ser franciscano na época”, disse, mas a chegada dos Frades Capuchinhos para as Santas Missões começou a mudar seu entendimento, até que um colega seu o levou para conhecer um convento capuchinho. “A forma como Frei Flávio Trindade nos acolheu foi tão fraterna que, naquela hora, tive a certeza: é isso que quero!”. Já Santa Clara demorou um pouco mais para conhecer. “Só em 2012, no 8º centenário de Santa Clara, quando fui nomeado para uma Comissão Preparatória deste Jubileu, aproximei-me de Clara de Assis. Não só me aproximei mas me apaixonei por Clara”, completou.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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