A Misericórdia se põe em meio a nós e se deixa tocar. Relato da experiência missionária em Rondonópolis – MT

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Tendo transcorrido os seis primeiros meses de minha experiência missionária na Custódia das Sete Alegrias, gostaria de compartilhar um pouco sobre esses dias de missão e presença fraterna na cidade de Rondonópolis (MT) e, sobretudo, agradecer a Deus pelos imensos benefícios com os quais tem cumulado minha vocação durante esse tempo, assim como a cada pessoa que tive a graça de conhecer e conviver.

As misericórdias do Senhor são infinitas, e insondáveis são os Seus planos de amor para nós. Mesmo quando as portas do nosso coração se fecham pelo medo, pela incerteza ou pela angústia, Ele mesmo entra, nos concede Sua paz e nos convida a tocar Suas feridas. Desse modo, sabemos que Ele compartilha de nossos sofrimentos, dúvidas e incertezas; que nossas dores e misérias estão em Seu coração; e que, ao tocá-Lo, podemos experimentá-Lo vivo e ressuscitado em nosso meio.

Nesses seis meses, o Espírito do Senhor me conduziu por diversas realidades nas quais pude encontrar Cristo — seja nos irmãos, seja em minhas próprias fraquezas. Em cada formação ministrada, em cada reunião, festa ou celebração; nas dificuldades, nos contratempos, nos planos e projetos construídos e sonhados juntos — em tudo isso, revelou-se para mim o rosto misericordioso de Deus, o calor da vida em comunidade e a alegria de servir. Dentre esses sinais, os que mais me marcaram foram: a simplicidade do povo, o afeto e a alegria das crianças, o comprometimento dos jovens, a paciência dos irmãos diante de minhas limitações e a graça da presença fraterna no cotidiano.

Ao trabalhar com crianças e jovens nos grupos de coroinhas e acólitos, pude experimentar o valor do esforço, do foco, da atenção e do cuidado para com o próximo e para com as coisas de Deus. A maneira como construímos avanços significativos a partir de pequenos passos diários me revelou o poder da simplicidade. Nesse serviço, dei um pouco do que tenho e recebi muito mais do que esperava ou merecia — seja em uma missa bem celebrada, no entusiasmo dos jovens em se engajar ou, principalmente, no sorriso sincero e no carinho de cada criança e adolescente.

Além disso, a proximidade com o povo me mostrou, sobretudo, que Deus age em nosso meio quando nos abrimos à Sua graça e permitimos que Ele aja. Nas celebrações, pregações, bênçãos, visitas e exéquias que participei, pude sentir Sua presença. Deus é em nós. Mesmo quando a celebração parece simples, quando faltam palavras na pregação, quando surge um sentimento de indignidade ao abençoar, quando as visitas parecem breves ou quando nos calamos diante da brevidade da vida — o amor misericordioso de Deus se faz presente em um abraço, em um olhar atento ou em uma prece silenciosa que se eleva aos céus. Tudo isso, até mesmo os silêncios e as perguntas sem resposta, revelam um pouco da beleza da comunhão que antecipa, em nós, o Reino de Deus.

A experiência missionária tem me ensinado que, no caminho de nossa vocação cristã e franciscana, é essencial encontrar o Senhor todos os dias. Ao contemplá-Lo como Espelho da eternidade e ao tocar Suas feridas, que também são as nossas, reconhecemos nossas dúvidas, incoerências, pequenez e falta de fé, enquanto provamos, ao mesmo tempo, de um amor que nunca se esgota.

Assim como em São Tomé, a experiência da Cruz e da Ressurreição, gravada de forma indelével em nossa alma, nos revela a beleza de nosso chamado: a grandeza de um Amor que nos escolheu e nos amou primeiro. Como diz a escritura: “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). E esse Amor nos concede Seu Espírito, nos envia em missão e nos chama a testemunhar, com a vida, a fraternidade, a alegria, a justiça e a paz humilde, desarmada, desarmante e transformadora.

Concluo este relato agradecendo a Deus porque, a cada dia dessa missão, sinto-me crescer na vocação — mesmo ciente de que há muitos mais capazes e dignos que eu. Pois creio firmemente que, em Seus mistérios, Deus escolhe o pequeno, o indigno e o que pouco pode, para mostrar que não se trata do que somos capazes, mas do que Ele, em Sua graça inefável, pode realizar em cada um de nós.

Que a Virgem Santíssima e São Francisco nos abençoem e intercedam por nós, para que, firmes na esperança, guiados pela fé e unidos na caridade, possamos cantar os louvores da graça infinita concedida pela Encarnação e Ressurreição de Cristo. Ele nos ama! Ele está no meio de nós!

Frei Matheus Pereira Sanches
Campo Grande, MS

Fonte: Franciscanosmtms.org

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