FRANCISCLAREANDO – Como a mãe nutre e cuida do seu filho…

131

Maio chegou. Com todos seus contrastes: calor ao norte, frio ao sul, verduras e flores de um lado, secas e inundações… Mas chega com o especial significado afetivo que lhe damos: é o mês da Mãe do Amor, o mês das mães, cujo amor “recorda o amor do próprio Deus”.

A imagem da mãe é particularmente cara a Francisco e Clara. Sobre esta amada figura vamos “francisclarear”, numa homenagem à mulher que nos trouxe ao mundo, em homenagem a cada pessoa que tem a missão de gerar e cuidar da vida, sendo mães de múltiplas formas.

Clara se entendia e agia como verdadeira e extremosa mãe/serva com suas Irmãs. Na Legenda se proclama: “… Nas noites frias, enquanto as irmãs dormiam, era ela própria que as cobria e, às irmãs incapacitadas de cumprirem todo o rigor da observância, aconselhava a contentarem-se com um regime mais suave. E, quando alguma se sentia mais perturbada pela tentação, ou era dominada pela tristeza, era ela mesma quem a chamava à parte e, entre lágrimas, a consolava. Muitas vezes prostrava-se aos pés das mais aflitas e tentava aliviar a sua dor com carinhos maternais. Por seu lado as filhas correspondiam a tais cuidados com total doação de si mesmas. Eram sensíveis ao afeto da mãe” (LSC 38).

Seu testamento ela o escreveu com o mesmo coração de mãe, ancorando a obediência na bênção do Senhor e na de Francisco, pai da Ordem: “Deixo-vos isto por escrito, minhas queridas e amadas Irmãs, presentes e futuras, para que seja melhor observado em sinal da bênção do Senhor e do nosso bem-aventurado pai Francisco, e da minha bênção de mãe e vossa serva” (TestC 79). Assim é também como abençoa suas irmãs, presentes e futuras: “Eu, Clara, serva de Nosso Senhor Jesus Cristo, plantazinha do nosso pai São Francisco, irmã e mãe vossa e de todas as irmãs pobres… E vos abençoo … com todas as bênçãos … e com as quais um pai ou mãe espiritual abençoa e abençoará seus filhos e filhas espirituais” (cf. BSC 6.11-13).

Francisco, por sua vez, toma o agir materno como referência e modelo nas relações entre os irmãos. E não se trata apenas de um bom conselho, mas de uma norma de vida cotidiana: “Que manifestem uns aos outros com confiança as suas necessidades, pois se uma mãe nutre e cuida de seu filho carnal, com quanto mais cuidado não deve cada qual amar e nutrir seu irmão espiritual. E cada qual ame e alimente a seu irmão como a mãe ama e nutre a seu filho; e o Senhor lhe dará sua graça” (RnB 9,10-11).

Esta normativa é mais clara e concreta quando se trata da vida nos eremitérios: “Aqueles que quiserem viver como religiosos em eremitérios não sejam mais de três ou, no máximo, quatro irmãos. Dois deles sejam as mães e tenham dois ou ao menos um por filho… Os filhos assumam de vez em quando o encargo das mães conforme os turnos que todos acharam conveniente estabelecer…” (RE 1-2.8-10). É o conforto do carinho de mãe suavizando, para fortalecer, a dureza da vida no ermo.

Ele mesmo imprime a ternura e solicitude maternas em seu relacionamento com os irmãos: “Francisco te envia saúde e paz. Estou a falar-te, meu filho, como faria uma mãe. Toda conversa que tivemos no caminho a resumo aqui numa palavra de decisão e conselho. … E se, por motivo de tua alma ou de outra tua consolação, precisares e quiseres vir ter comigo, ó Leão, vem(Le 2.4).

E, não por último, Francisco nos recorda que todas/todos somos mães de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Somos suas mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo, pelo amor divino e a consciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo”(1Fi 10).

Com toda razão e justiça, no dia das mães, nosso primeiro abraço e saudação seja para nossa irmã/nosso irmão, mãe nossa e mãe de Nosso Jesus Cristo.

Feliz dia das mães!

Fonte: CICAF

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário
Coloque seu nome aqui