Francisco, o mundo precisa de ti!

116

“Altíssimo, Onipotente, Bom Senhor! Teus são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.”

Na festa de São Francisco de Assis, deixemo-nos inspirar e iluminar pelo jeito de olhar, sentir e acolher o mundo. Olhar de gratidão, reconhecimento, misericórdia, ternura, vigor e cuidado. Como ele, sejamos instrumentos da paz, da compaixão, do bem.

Irmã Maria Fachini nos brinda com uma bela e profunda reflexão que nos ajuda nesse caminho: Francisco, o mundo precisa de ti!

Mais do que nunca, o mundo precisa ser aquecido pelos raios do “Sol de Assis”. Imerso em nebulosa noite, o mundo espera ansioso que os raios deste Sol dissipem a névoa que o envolve e esfria. Esta noite que recolhe os gemidos e lágrimas da terra espoliada, ferida, que geme e sofre sob a aparente vitória das forças de morte: toneladas de metais pesados que contaminam águas e solos, arames farpados agressivamente defendendo o roubo de terras destinadas pelo Criador a ser útero e seios generosos para alimentar e suprir as necessidades dos filhos e filhas; depredação que priva do habitat e do alimento as criaturas que dependem das florestas… tudo espera que o calor e amor de Francisco se espalhem em forma de cuidado, defesa, proteção, respeito, recuperação.

A amorosa ação de Francisco nos inspira e impulsiona para o cuidado da vida mais frágil, por amor ao Criador e a seu Filho: “Tinha um amor enorme até pelos vermes, por ter lido sobre o Salvador: ‘Sou um verme e não um homem’. Recolhia-os, por isso, no caminho e os colocava em lugar seguro, para não serem pisados pelos que passavam” (1Cel 80, 6-7); às flores, exortava a louvar o Criador com seu perfume e suas cores: “Que alegria a sua diante das flores, ao admirar-lhes a delicada forma ou aspirar o suave perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos. Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e as convidava a louvar o Senhor como se fossem racionais” (1Cel 81,1-3).

Para Francisco, as criaturas são companheiras de viagem no caminho para Deus, porque ele as olha com os olhos iluminados, compreendendo que respiram o mesmo respiro de Deus. Então, não pode haver separação entre ele, Deus e suas criaturas. É por ver nas criaturas o espelho do Criador que Francisco protege, cuida, respeita. Para ele, até o que convencionamos chamar de seres inanimados, possuem, sim, uma alma transparente que reflete a imagem de Deus, que lembra Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entre todas as criaturas carentes de razão, amava com afeição maior o sol e o fogo. Pois dizia: “De manhã, quando nasce o sol, todas as pessoas deveriam louvar a Deus que o criou para a nossa utilidade, porque é por ele que nossos olhos são iluminados de dia. À tarde, quando anoitece, todas as pessoas deveriam louvar a Deus pelo irmão fogo, pelo qual nossos olhos se iluminam de noite. Pois todos somos como cegos e, por estes nossos dois irmãos, o Senhor ilumina nossos olhos”.

Nosso mundo também necessita do cálido olhar e abraço fraterno, como sabe dá-lo Francisco, que a toda criatura chamou de irmão, irmã. Nosso mundo necessita o coração, ouvinte atento para acolher o grito desesperado do recém-nascido abandonado; o choro já sem lágrimas do ancião deixado à sua própria sorte; a súplica da “mãe solteira” que não sabe como vai cumprir, sozinha, a missão de criar e educar, o fruto de um “amor de carnaval” ou de uma aventura de verão. Necessitamos teu coração ouvinte do grito dos povos indígenas, dos quilombolas, das mulheres e jovens, de quem têm seus direitos negados.

Nosso mundo precisa da voz doce e firme para falar aos “lobos”, que se devoram e devoram as ovelhas indefesas. Necessitamos de Francisco para restabelecer a paz entre Rússia e Ucrânia, Síria e Oriente Médio, a paz entre povos e etnias, entre grupos e partidos…  Vem, Francisco! Ajuda-nos a superar fronteiras, a derrubar muros e a construir pontes! Precisamos que Francisco volte para ensinar-nos a linguagem da minoridade, que ajuda a viver “sem litígios nem contendas, mas submetidos a toda criatura humana por Deus” (cf. RnB 16).

Vem, Francisco! Precisamos de ti, da tua pobreza respeitosa da riqueza dos povos, respeitosa da dignidade de todas as pessoas e do planeta, respeitosa das culturas e das crenças. Precisamos de tua pobreza que se abre ao diálogo, ao abraço daquele e daquela relegados às margens; que se abra à solidariedade com quem não conta, com quem é riscado da sociedade. Vem Francisco! Ensina-nos a ser solidárias, solidários com suas justas causas!

Vem, Francisco! Dá-nos tua mão e ajuda-nos a andar sempre no caminho dos pobres, no caminho da justiça e do direito, no caminho do Reino

Francisco, o mundo inteiro, se encanta no teu amor.
Todas as coisas renascem, cantando contigo louvor. (Irmã Maria Fachini)

Parabéns às irmãs da província São Francisco de Assis pela celebração da festa de seu padroeiro! E todas e todos nós, franciscanas e franciscanos, o desejo de continuarmos na busca constante de nos colocar no caminho, como discípulas/os e seguidoras/es do projeto de Jesus e, a exemplo de São Francisco, lutar incansavelmente na defesa da vida, fazendo-nos menores entre os menores.

Fonte: cicaf.org.br

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário
Coloque seu nome aqui