Meio ambiente e conflito armado: a Casa Comum sofre as consequências

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Celebra-se hoje o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempo de Guerra e Conflito Armado. Uma ocasião para recordar que a proteção dos recursos naturais é a melhor estratégia para manter a paz.

As vítimas de guerra não são apenas soldados e civis. A dramática herança dos conflitos armados não está ligada apenas a cidades destruídas e ao grande números de desaparecidos. Uma vítima que muitas vezes é esquecida é o meio ambiente, cada vez mais devastado pelas operações militares que deixam profundas e incuráveis feridas. Para recordar esta grave ferida celebra-se hoje o Dia, proclamado pela ONU, da prevenção da exploração do meio ambiente em tempo de guerra e conflito armado.

Feridas ainda abertas

A exploração do meio ambiente nas guerras pode causar a longo prazo, inúmeros danos para a saúde de milhões de pessoas. Alguns territórios da Bélgica e da França ainda sofrem pela contaminação por metais pesados utilizados nas armas da Primeira Guerra Mundial. No Afeganistão, as dezenas de conflitos destruíram mais da metade das florestas do país. Na Colômbia e na República Democrática do Congo, as guerras destruíram ecossistemas inteiros.

O ambiente usado como uma arma

O meio ambiente é usado como arma complementar: durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, foram inundados vários cursos de rios para bloquear a avançada dos exércitos. No Vietnã foram eliminadas inteiras florestas com agentes químicos para afastar os combatentes inimigos. Também os destroços de conflitos armados continuam a causar vítimas: plásticos e hidrocarbonetos com as variações de temperaturas se espalham envenenando o meio ambiente e os seres vivos. Ainda hoje, para conseguir vantagens militares, são contaminados poços de água, queimadas plantações, envenenados terrenos.

O Papa: equilíbrios naturais ameaçados pelas novas armas

“A guerra causa sempre graves danos ambientais”. São palavras do Papa Francisco na carta encíclica Laudato si’ acrescentando que perante o esgotamento dos recursos é previsível “que se esteja criando um cenário favorável para novas guerras, dissimuladas sob nobres reivindicações”.

“ A guerra causa sempre danos graves ao meio ambiente e à riqueza cultural dos povos, e os riscos avolumam-se quando se pensa na energia nuclear e nas armas biológicas. Com efeito, não obstante haver acordos internacionais que proíbem a guerra química, bacteriológica e biológica, subsiste o fato de continuarem nos laboratórios as pesquisas para o desenvolvimento de novas armas ofensivas, capazes de alterar os equilíbrios naturais (Carta Encíclica Laudato si’, do Papa Francisco) ”

Meio ambiente e paz

O objetivo da recordação deste Dia de hoje é o de sensibilizar a sociedade sobre os efeitos danificadores causados pela guerra e pelos conflitos armados no meio ambiente. A Agenda de 2030 da ONU reconhece explicitamente que “o desenvolvimento sustentável não pode se realizado sem paz e segurança”. Para as Nações Unidas a proteção do meio ambiente deve ser uma das prioridades nas estratégias ligadas à prevenção de conflitos e a manutenção da paz. De fato, não se pode garantir uma paz duradoura se forem destruídos os recursos naturais e comprometidos os equilíbrios de territórios e ecossistemas.

Fonte: Vatican News

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