Uma Plantinha chamada Clara – final

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A Plantinha torna-se um ícone porque lembra a Árvore originária, que sendo madeira é estrutura oculta de construções de casebres, mansões, castelos e palácios, mosteiros, catedrais, pirâmides e obeliscos, mas sempre árvore. A Plantinha é a madeira talhada para a arte e todos os seus derivados: sobretudo os objetos sagrados; desde a varinha mágica das lendas das fadas até o poder divino e inspirador da Cruz de São Damião, ícone bizantino sobre o madeiro, falando para reconstruir uma casa em ruínas. Um dia Deus falou a Moisés na planta, uma salsa ardendo em chamas. Clara de Assis é a eterna guardiã de um falante, glorioso e brilhante Crucifixo!

Podemos ir à Palavra Sagrada e a paisagem bíblica vai mostrar o carvalho, sicômoro, cedro, figueira e oliveira. E os olivais que cercam o mosteiro de Clara trazem o azeite e a azeitona e seus símbolos de Paz. Podemos ir às tradições rituais com seus archotes de ripas e tambores de tronco. Da árvore do Paraíso a aveleira dos Celtas; das árvores Getsêmani ao baobá do Pequeno Príncipe, pequenas ou imensas, a Plantinha está em todos os lugares: ciprestes do Hermon, Rosas de Jericó, canela ritual, mirra e folhagens do altar, todas convergindo para Clara de Assis, a Plantinha viçosa de Francisco e seu Carisma feito Casa Comum, a cuidar com criatividade da florescência natural da Vida.

Adão e Eva expulsos do Paraíso e o Cristo sofrendo sobre a árvore do Crucifixo, mostram que uns tiram o fruto, mas o Grande Outro morre para fecundar a Vida e devolver a Terra Prometida, o Paraíso reencontrado, todos os seguidores e seguidoras de Francisco e Clara.

Um dia, num bosque em Assis, Clara e Francisco fazem uma ceia de pão, vinho e muita conversa daquelas de arder o peito. O suco da parreira bebido naquela ceia sobre a terra, é o mesmo que incendeia a verdadeira paixão que eles têm pela Eucaristia. Clara e Francisco souberam escutar o Mestre que diz no Evangelho: “Eu sou a videira, vós sois os ramos” (Jo 15,5).

Clara de Assis, Plantinha feita semente, raiz, broto, flor, perfume e pétalas, como um presépio perene, para fazer nascer Jesus Cristo neste ciclo de Encarnação, Eucaristia e Paixão. Clara de Assis, árvore exuberante de força, plantada no solo sagrado de São Damião, fincada no húmus escondido da Pobreza, Humildade e Simplicidade; e abrindo-se para o alto, cresce na responsabilidade e disposição de ser melhor. Busquemos as palavras de Dante Aligheri, que na Divina Comédia diz: “Cujo fruto é sempre bom, cuja folha não murcha, lugar onde vive o espírito abençoado” e toquemos com reverência a Plantinha de Francisco dizendo: Clara de Assis, rogai por nós!

Frei Vitorio Mazzuco

Fonte: Blog Frei Vitório 

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