Cardeal Tagle: diálogo e evangelização não se opõem

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Durante o encontro matinal com o Cardeal Luis Tagle, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos abordou o desafio de falar de Deus ao nosso mundo volátil, complexo e ambíguo. Nosso mundo nos desafia a ser ágeis, incertos, compreensivos e autênticos em nossa evangelização. “No testemunho de vida franciscana”, comunica Sua Eminência, “gostaria de ver o frescor das promessas batismais vividas com alegria e simplicidade”.

O Cardeal sublinhou que o diálogo e a evangelização não se opõem, mas sim que o anúncio do Evangelho é mais eficaz quando se realiza em diálogo. Ele desafiou a Ordem a desenvolver programas e módulos para a vida e a formação intercultural, inclusive avaliando se estamos autenticamente em comunhão com os pobres e como atendemos às suas necessidades.

A evangelização das culturas e o processo de paz, segundo o Cardeal, incluem o desenvolvimento da “inteligência cultural”, que implica nossa consciência de como a nossa própria cultura nos afeta, nossa sensibilidade para com as pessoas que nos rodeiam, que têm suas diferentes expressões culturais e necessidades e, em última instância, que nos tornemos pontes de diálogo e entendimento. A inteligência cultural inclui a habilidade de usar tecnologia e inteligência artificial como ferramentas de evangelização.

Sua Eminência sublinhou que o carisma dos religiosos é a vida consagrada, que os religiosos devem colocar em primeiro lugar. Ele compartilhou sua convicção pessoal de que o chamado à vida religiosa masculina não é em primeiro lugar um chamado ao ministério clerical ordenado, mas antes “um testemunho de vida comunitária que é muito necessário na Igreja, sem realizar as exigências normais da vida ordenada. Existem formas distorcidas de clericalismo, disse ele, em que o sacerdócio se equipara com o poder e a autoridade.

Seguindo o tema da Evangelização do Cardeal Tagle, na sessão da tarde Frei Alonso Morales Duque e Frei Valmir Ramos apresentaram o Relatório do Secretariado Geral para as Missões e Evangelização. Frei Alonso destacou a necessidade de o próximo governo elaborar umas diretrizes para a Ordem na forma da Ratio da Evangelização. Propôs também que cada entidade tenha um Projeto de Evangelização fraterna concreto, como eixo de todos os irmãos e comunidades das entidades.

Frei Alonso compartilhou sua visão de uma evangelização inculturada na qual o evangelizador reconhece a presença e a obra preexistente do Espírito Santo, participa da comunicação da Boa Nova por meio da celebração, e se compromete com as legendas, a arte, a poesia, os cantos e as danças dos povos. Ele também destacou o exemplo de São Paulo, que criou e acompanhou as comunidades que promoveram a obra de evangelização. “Não temos mais 50.000 púlpitos como no passado”, declarou Frei Alonso, “mas temos muito mais oportunidades de evangelização por meio das pessoas com quem trabalhamos, incluindo mulheres, jovens e pobres”.

Depois da apresentação, os capitulares continuaram a trabalhar em grupos linguísticos sobre as diretrizes da Ordem na atualidade e sobre o tema da Missão e a Evangelização.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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