Carta aberta sobre a Greve Geral

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Festa de Santo Antônio, Doutor do Evangelho!

Irmãs e Irmãos!
O Senhor lhes dê a paz!

“Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” MT, 5,13-16

A vocação cristã é, antes de tudo, uma vida comprometida com as realidades humanas necessitadas de transformação. Sal e luz são duas categorias usadas por Jesus para dizer da necessidade de um compromisso real, daqueles que se fizeram discípulos seus, com a vida e vida em plenitude. São Francisco de Assis compreendeu profundamente, à luz do Evangelho, que deveria estar entre os pobres, leprosos, doentes, gente colocada à margem da sociedade assisense. Se fez menor entre os menores. Atualizar em nossa vida o ser sal e luz, vivendo como menores entre os menores, é um desafio constante.

Nestes primeiros meses do atual Governo Brasileiro, temos sido apanhados de surpresa por uma série de projetos que violam os direitos constitucionais, como a reforma da previdência, redução drástica de recursos para educação de qualidade, armamento da população, desmonte das políticas de proteção aos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros, liberação de mais de 199 tipos de venenos e pesticidas, devastação da Amazônia, entrega do Pré-Sal ao capital internacional e tantos outros projetos que provocam a ira Divina, pois ferem seus filhos e filhas, além de agredir o meio ambiente, nossa casa comum.

Repetidamente, o Papa Francisco nos tem chamado atenção para que deixemos nossa zona de conforto e, como uma Igreja em saída, estejamos juntos daqueles cuja a existência tem sido um verdadeiro vale de lágrimas.

A Constituição Federal reconhece diversas formas em que o povo brasileiro possa manifestar sua indignação, sofrimento e pensamento. Um destes mecanismos de participação popular é a greve geral, tendo em vista uma realidade em que governo precisa ouvir o povo. Cada irmão e irmã escolha um jeito de se fazer presente, quando centenas de centenas de pessoas vão às ruas neste dia 14. Deixar de fazer uma compra, abastecer o veículo, efetuar um pagamento, ir às ruas, ficar em oração, são maneiras de nos tornamos presentes nesta hora crucial de nossa gente.

Estamos em profunda comunhão com a CNBB, que em sua última assembleia geral fez um contundente pronunciamento sobre a realidade que atravessa o Brasil. Este pronunciamento poderia ser lido/rezado/refletido em nossas Fraternidades, famílias dos membros da OFS, entre os jovens da JUFRA. Nossos pastores nos apontam caminhos para não deixarmos a profecia morrer. No Santo Padre, encontramos o que significa lucidez e coragem frente aos grandes problemas da humanidade. Em São Francisco e Santa Clara, uma inspiração para sermos menores entre os menores.

Que o Espírito Santo, Ministro Geral da nossa Fraternidade, nos guie nesta longa e difícil travessia para uma verdadeira democracia.

Que a Virgem de Aparecida, a Mãe negra, que se deixou encontrar por três pobres pescadores, nos revele sempre que o Evangelho tem lado, o lado dos pobres, dos pequenos, dos últimos. É greve porque é grave! Amém

Frei Éderson Queiroz – OFMCap
Presidente da Conferência da Família
Franciscana do Brasil – CFFB

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