Caso Bruno e Dom: CONIC e entidades enviam carta às autoridades brasileiras

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Lideranças religiosas brasileiras, oriundas de várias tradições espirituais, integrantes do Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil (IRI-Brasil), enviaram na manhã deste sábado, 18/06, uma carta aberta pela apuração e punição imediata dos envolvidos no cruel assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, e pela adoção de medidas governamentais para proteger os defensores da Amazônia. Bruno e Dom foram pegos por criminosos no dia 5 de junho, na região do Vale do Javari, estado do Amazonas.

No documento, além das lideranças religiosas manifestaram solidariedade aos familiares e amigos de Bruno e Dom, pedem que às autoridades “envidem todos os esforços necessários para que a rede criminosa que planejou, financiou e executou esses assassinatos seja prontamente identificada e punida, na forma da lei, de modo exemplar, para que se interrompa essa escalada de violência na Amazônia.”

Pedem também a adoção de medidas estruturais com a finalidade de proteger os povos indígenas, as comunidades locais e os defensores da floresta amazônica, como os jornalistas, cientistas, servidores públicos e lideranças sociais que atuam na região; o fortalecimento e o policiamento na região para desmantelar as redes criminosas que ali operam; reestruturação dos órgãos públicos como a FUNAI, o IBAMA e o ICMBio e o fortalecimento dos órgãos de segurança pública.

A carta reforça ainda a responsabilidade constitucional das autoridades públicas para assegurar a plena garantia da proteção da floresta e dos povos originários. Diz o trecho: “os senhores estão amparados pela Constituição Federal e pela sociedade brasileira para empreender essa urgentíssima tarefa. Os senhores têm não só a investidura pública, mas sobretudo a oportunidade histórica de mudar o rumo e as perspectivas da Amazônia e seus povos.”

Assinaram o documento: reverendo Agnaldo Gomes, diretor de Religiões Pela Paz Brasil, padre Marcus Barbosa, subsecretário adjunto de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastora Romi Márcia Bencke, Secretária Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), pastor Maruilson Souza, membro do Conselho Coordenador da Aliança Cristã Evangélica Brasileira (ACEB,) Sérgio Napchan, diretor geral da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e sheikh Mohamad Al Bukai, diretor de assuntos islâmicos na União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil (UNI).

 

Leia a carta na íntegra:

CARTA ABERTA PELA APURAÇÃO E PUNIÇÃO IMEDIATA DOS ENVOLVIDOS NO ASSASSINATO DO INDIGENISTA BRUNO PEREIRA E DO JORNALISTA DOM PHILLIPS E PELA ADOÇÃO DE MEDIDAS GOVERNAMENTAIS PARA PROTEGER OS DEFENSORES DA AMAZÔNIA

 

Excelentíssimos Senhores

Luiz Fux, Presidente do Sumpremo Tribunal Federal
Rodrigo Pacheco, Presidente do Senado Federal
Arthur Lira, Presidente da Câmara dos Deputados
Humberto Eustáquio Martins, Presidente do Superior Tribunal de Justiça
Anderson Torres, Ministro da Justiça
Joaquim Leite, Ministro do Meio Ambiente
Márcio Nunes de Oliveira, Diretor Geral da PF

Na condição de lideranças religiosas brasileiras, oriundas das mais variadas tradições espirituais, integrantes do Conselho Consultivo da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil (IRI-Brasil), expressamos nossa profunda indignação e tristeza com o cruel assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, pegos por criminosos no dia 5 de junho, na região do Vale do Javari, estado do Amazonas.

Queremos, nesta ocasião, pedir, respeitosamente, a todos os senhores, como autoridades das mais altas esferas públicas do estado brasileiro, submissos ao intransigível dever de defender nossa Constituição, o estado de direito e a vida, que envidem todos os esforços necessários para que a rede criminosa que planejou, financiou e executou esses assassinatos seja prontamente identificada e punida, na forma da lei, de modo exemplar, para que se interrompa essa escalada de violência na Amazônia.

Pedimos também que os senhores atuem conjuntamente para a adoção de medidas estruturais com a finalidade de proteger os povos indígenas, as comunidades locais e os defensores da floresta amazônica, como os jornalistas, cientistas, servidores públicos e lideranças sociais que atuam na região.

Nesse sentido, consideramos fundamental fortalecer o policiamento na região para desmantelar as redes criminosas que ali operam, tanto as envolvidas com o narcotráfico, o garimpo ilegal, e a exploração predatória da biodiversidade. Entendemos que, para isso, é necessário reestruturar os órgãos públicos como a FUNAI, o IBAMA e o ICMBio e fortalecer os órgãos de segurança pública.

Sabemos que essas medidas são viáveis de serem implementadas. Para tanto, é preciso tão somente comprometimento político e institucional para assegurar a plena garantia da proteção da floresta e dos povos originários, pois os senhores estão amparados pela Constituição Federal e pela sociedade brasileira para empreender essa urgentíssima tarefa. Os senhores têm não só a investidura pública, mas sobretudo a oportunidade histórica de mudar o rumo e as perspectivas da Amazônia e seus povos.

Queremos, por fim, manifestar nossa solidariedade aos familiares e amigos de Bruno e Dom e esperamos que a qualidade da resposta dos senhores ao clamor que a sociedade brasileira vem fazendo por justiça possa representar um consolo para as famílias enlutadas e uma esperança concreta de proteção para as milhares de pessoas que estão hoje, na Amazônia, na mira desses poderosos criminosos.

Atenciosamente,

Reverendo Agnaldo Gomes, Diretor de Religiões Pela Paz Brasil
Padre Marcus Barbosa, Subsecretário Adjunto de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Pastora Romi Bencke, Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Pastor Maruilson Souza, Membro do Conselho Coordenador da Aliança Cristã Evangélica Brasileira (ACEB)
Sérgio Napchan, Diretor Geral da Confederação Israelita do Brasil (CONIB)
Sheikh Mohamad Al Bukai, diretor de assuntos islâmicos na União Nacional das Entidades Islâmicas no Brasil (UNI)

Fonte: CONIC

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