Dom Andherson: “O feminicídio nos entristece porque temos como Padroeira uma mulher”

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A Romaria das Mulheres da Festa da Penha prima sempre pela beleza e fé para expressar em grau máximo a devoção à Virgem das Alegrias, Nossa Senhora da Penha. Esta devoção, com elas, sempre tem um colorido especial no percurso do Santuário do Divino Espírito Santo até a Prainha, palco das grandes celebrações desta Festa. Cerca de 70 mil mulheres lotaram a Prainha por volta das 16h30, quando o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, presidiu o último momento devocional franciscano no Oitavário da Festa da Penha.

Muitos balões coloriram as ruas de Vila Velha e deram um espetáculo à parte na Prainha durante a Celebração Eucarística. É de se impressionar com a multidão de devotos, menos de 24 horas da grandiosa Romaria dos Homens, mostrando a fé do povo capixaba.

A Santa Missa, às 17 horas, foi presidida pelo bispo auxiliar de Vitória, Dom Andherson Franklin, e teve como concelebrantes os frades do Convento da Penha, o guardião Frei Djalmo Fuck, e Pe. Renato Criste, pároco da Catedral de Vitória, além de religiosos, diáconos e seminaristas.

Dom Andherson lembrou que diante da Virgem da Penha somos peregrinos. “Seremos enviados daqui como salmistas para cantar a vontade de Deus. O Evangelho diz que Jesus se apresenta. É um apresentar-se na sua plenitude de Ressuscitado. Ele recorda aos discípulos que ele é o Crucificado. Ele deu a vida para que toda a humanidade pudesse viver em comunhão com o Pai. E ao se apresentar aos discípulos, eles se alegram e cantam a alegria da vitória da vida sobre a morte, que nunca terá e nunca teve a última palavra”, disse.

“Nós somos estes que acompanhamos a Virgem, que canta a alegria da ressurreição. O texto dos Atos dos Apóstolos diz que Maria estava com os discípulos no Cenáculo e, com certeza, ela se alegrou ao ver o seu Filho Ressuscitado. Com a alegria impressa no coração da mãe que se traduz hoje para nós em devoção, em amor e fé. A Nossa Senhora da Penha é a Nossa Senhora que nos convida a vivermos a alegria do Evangelho”, acrescentou o bispo auxiliar.

Para ele, somos homens e mulheres marcados por uma esperança inquebrantável, que não se dobra diante das dificuldades que vivemos. “Cada um, cada uma, aqui, sabe a dor que traz da ausência não só dos dois anos que passamos sem nos reunirmos aos pés da Virgem, iluminados pela luz do Convento, um farol no Estado do Espírito Santo. Mas porque fomos privados de tantas coisas, porque o povo brasileiro sofreu com o aumento da miséria, com as dores causadas pela fome, pelo feminicídio que atinge de forma tão dura o coração desse Estado. Mas hoje nós nos reunimos diante da Virgem das Alegrias porque ela diz que ele está vivo. Cristo está vivo, irmãos! E, por isso, o coração dos discípulos se alegrou, se inflamou do sopro do coração do vivente”, ensinou.

Segundo Dom Andherson, Jesus no Evangelho sopra sobre os discípulos reunidos com o fogo do Espírito. “Em Cristo nós temos a nova criação, onde aquele que nos recria é o Ressuscitado. Por isso, hoje, sem fecharmos um milímetro do coração e da vida, abramos o coração de par em par para que ele sopre sobre nós o espírito do seu amor”, reforçou.

O bispo lembrou que muitas cinzas ficaram sobre o nosso coração nesse tempo, impedindo-nos até de manter viva a fé, a esperança de tempos novos. “Mas hoje, nesta celebração, diante da Palavra de Deus, acompanhados diante da Virgem das Alegrias, queremos pedir: Sopra, Senhor, o espírito novo em nós, aqueça-nos o coração com o maior de todos os dons do Espírito, o amor”, pediu.

“Irmãos e irmãs, a Virgem Maria, uma menina de Nazaré, acolheu a graça, não sozinha, mas acompanhada do Espírito Santo que lhe soprou um fogo abrasador, consumindo-a no amor de Deus. Nós somos filhos e filhas amados por Deus e acolhidos no coração terno de Maria. E por isso, hoje, ela se apresenta a seu Filho, pedindo: Sopra sobre o coração deste e desta o Espírito novo com o ardor do amor”, refletiu.

Para o celebrante, só o amor é capaz de curar as feridas de um mundo marcado pelo sofrimento, pela dor, de um mundo doente em suas estruturas. “Doente nos corações das pessoas impedidas de dialogar pelo fechamento, doente na diferença que dilacera o tecido social e nos impede de nos entendermos, como irmãos e irmãs. Só o amor é capaz de curar e transformar o coração daqueles que nos governam, para que de fato, com solicitude, com bondade, generosidade e compromisso, sejam pastores de um povo a eles confiados. Só o amor de Cristo soprado em nossos corações é capaz de extirpar do nosso Estado o feminicídio que atinge nossas famílias e nos entristece porque temos como Padroeira uma mulher, uma mulher que ousou crer em Deus e viveu marcada pelo amor”, lamentou.

“Aí sim, irmãos, a exemplo da Virgem, nos alegraremos porque ele está vivo. Com ela seremos transformados pelo poder do Espírito que faz surgir em nossos corações, o maior e o melhor, o mais excelso, o mais necessário dos dons: o amor. E nós sairemos daqui cantando com a Palavra e, sobretudo, com a vida: Eterna é a bondade de Deus. Eterno é seu amor e misericórdia porque me atingiu e por mim atingirá os corações das pessoas. Ao sairmos daqui cantemos com a vida o amor de Deus que acolhemos, acompanhados da Virgem que celebra a vitória da vida sobre a morte porque nos acompanha a cada passo. Ela nos ensinará que o amor que vence, que o amor reconstrói, o amor cura, o amor salva e liberta, o amor educa, não vai embora. Este lugar se torna uma grande igreja, pois Cristo, por sua Palavra, por meio de nós e da Eucaristia está aqui”, orientou, rezando: “Senhor Ressuscitado, sopra sobre o meu coração e inflama-me com o fogo do amor que inflamou o coração da Virgem para que eu também seja onde estou um sinal concreto do teu infinito amor”.

Frei Medella encerra Oitavário

Durante os oito dias, o Momento Devocional Franciscano, feito com cantos e orações, trouxe também para a reflexão o tema desta Festa, “Saúde dos Enfermos, rogai por nós”. No encerramento, neste domingo (24), Frei Gustavo Medella abordou o tema “Saúde Integral”

Para falar do tema, ele tomou um trecho do Evangelho de Lucas 8,45-48. “Faz arrepiar o coração a intensidade desse encontro entre Jesus e essa mulher. O Evangelho, antes, explica a situação dela. Sofria com uma hemorragia há 12 anos e já gastara toda sua economia e não conseguia ser curada. E nesse encontro com Jesus, ela recebe a cura integral: da saúde física, da saúde emocional, da saúde social, porque uma vez que ela era enferma, era desprezada e considerada impura. Quanto pavor e medo não circularam no coração daquela mulher! Cada um de nós, cada uma de vocês pode também se identificar com essa mulher em suas dores, em suas lutas, em seus medos e inquietações. E cada uma de vocês tem a chance de tocar o manto de Jesus e sentir essa cura por inteira, querida mulher, participante desta Romaria das Mulheres”, indicou o Vigário Provincial.

Segundo ele, ao falar de saúde integral, fez um resumo do tema da Festa que se desdobrou a cada dia falando sobre um aspecto da saúde: a saúde do corpo, a saúde da fé e da espiritualidade, a saúde do coração, emocional, a saúde das gerações, a saúde do planeta, Maria, caminho de saúde para todos. “E aí nós recordamos do Papa Francisco quando, naquela semana de Oração durante a pandemia, sozinho na Praça São Pedro, ele disse o seguinte: ‘Seria muita ilusão de nossa parte imaginarmos que poderíamos viver saudáveis num mundo doente’. A nossa saúde depende da saúde do mundo e vice-versa. Por isso, vamos trabalhar por esse equilíbrio, vamos proteger o nosso planeta, vamos cuidar das nossas gerações, vamos olhar nos olhos uns dos outros e nos reconhecermos como irmãos e irmãs e dizer: Não à guerra, não à violência, não à fome, não à injustiça e saúde para todos. Saúde para todos é o grande programa proposto por Jesus Cristo, no capítulo 10, versículo 10: ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente’”, concluiu.

Para encerrar, pediu que todas as mulheres que estavam no palco para se aproximarem da imagem de Nossa Senhora para dar a bênção final com Frei Medella.

Fafá de Belém encerra o dia

A cantora brasileira Fafá de Belém encerrou as festividades do dia na Prainha, ela que tem uma forte ligação com Nossa Senhora de Nazaré e com o tradicional Círio de Nazaré, que acontece todos os anos em Belém.

Além disso, é a única cantora brasileira escolhida para se apresentar a 3 Papas diferentes (João Paulo II, em 1997, Bento XVI, em 2007 e Papa Francisco, em 2013).

A cantora já vendeu mais de 15 milhões de álbuns, entre Brasil e Portugal, e sempre cantou o que quis e gosta. Suas canções fizeram e fazem parte da vida dos brasileiros, seja em trilha sonora de novelas, seja nas rádios ou por intermédio de seus CDs e DVDs.

O repertório do show é formado por esses principais sucessos da sua carreira, que já completou 47 anos, além de canções em homenagem a Nossa Senhora.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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