FRANCISCLAREANDO | A Vida venceu a morte para nossa Alegria

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Ainda ecoam em nosso coração o alegre repicar dos sinos e o jubiloso canto dos aleluias pascais; nossos olhos ainda trazem o reflexo do fogo novo da noite da ressurreição. Vivemos o tempo da vitória de Jesus sobre a ignomínia e a morte. Vivemos o tempo da ressignificação da Cruz, que passa de instrumento de morte a sinal de salvação. Cruz nossa de cada dia, que o Mestre ensina a abraçar como caminho de seguimento de seus passos, nesta vida passageira, para ser dignas, dignos dEle, dignas, dignos de participar de sua glória na vida eterna.

Vivemos este tempo tão povoado de mulheres corajosas, que apesar de “cheias de medo, correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28,8). É preciso apressar-se e anunciar a vitória da vida, antes que a alegria e a esperança sejam tragadas pelas violentas ondas das notícias de morte que se apresenta com tantas máscaras, para desesperar e desanimar quem se esforça na defesa e promoção da vida. Não se pode diminuir a marcha, quando se trata de levantar ânimos e fazer a vida prevalecer sobre a morte.

Tomás de Celano, nos faz conhecer que Francisco, ao descobrir a ordem do evangelho por uma forma comum na época, sentiu a mesma pressa que sentiram as mulheres na ressurreição:

“Mas, como em um dia foi lido nessa igreja o evangelho de como o Senhor enviou seus discípulos para pregar, o santo de Deus, aí presente, ouvindo bem as palavras do evangelho, depois da celebração da missa suplicou ao sacerdote que lhe explicasse o evangelho.

Depois que ele lhe explicou tudo em ordem, ouvindo são Francisco que os discípulos de Cristo não deviam possuir ouro, prata ou dinheiro, nem levar pelo caminho bolsa, sacola, nem pão ou bastão, não ter calçado nem duas túnicas, mas pregar o reino de Deus e a penitência, ficou logo exultante e disse: “É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo fazer com todo o meu coração”.

Então o pai santo se apressou, transbordando de gozo, para cumprir o salutar aviso, e não suportou nenhuma demora para começar a cumprir o que ouvira.

Desamarrou imediatamente os calçados, tirou o bastão das mãos e, contente com a túnica, substituiu a correia por uma corda.

… E tratou de fazer as outras coisas que ouvira com a maior diligência, com a maior reverência.

Porque não tinha sido um ouvinte surdo do Evangelho. Antes, confiando à sua louvável memória tudo que ouvira, cuidava de levar tudo adiante diligentemente” (1Cel 22,1-9).

O processo de seguimento de Clara é também marcado pela mesma pressa, conforme testemunha a Legenda: “Temendo que o pó do mundo manchasse o espelho da alma imaculada e não querendo expor a juventude delicada ao contágio do século, tratou o santo Pai de a libertar o mais depressa possível das trevas da vida mundana” (LSC 7,1).

Pressa e confiante atenção é também o que ela vai recomendar a sua amiga Inês de Praga: “Não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe, mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. (2In 11-13).

Nosso mundo, marcado pela rapidez, pelo imediato e simultâneo, precisa de nossa pressa em testemunhar a alegria de ressuscitados, quer o testemunho confirmando a palavra, quer ver ação alimentada por reflexão objetiva, clara e confiante.

Que possamos sempre, como as mulheres da aurora da ressurreição, como Clara, como Francisco, sentir a urgência de anunciar o triunfo da vida, firmes em nossas decisões, prontas e generosas no sim constante aos apelos de Deus. Que tenhamos o coração e as mãos abertos para a vida, os pés ligeiros e incansáveis para ir ao seu encontro, os braços sempre dispostos a abraçá-la, acalentá-la, defendê-la e protegê-la.

Escrito por: Irmã Maria Fachini – Irmã Catequista Franciscana

Fonte: CICAF.org.br

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