FRANCISCLAREANDO – Abraçar a Mãe de Jesus

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Com flores, com flores, com flores a Maria” … Esta canção, ou similar ressoava e ressoa, durante o mês de maio, na maioria das comunidades católicas ou em outros ambientes em que o povo se reúne para aprofundar e celebrar a fé. A figura de Maria, invocada e amada sob tantos títulos é presença de especial devoção e desperta profundas emoções que movem a esforços enormes para visitar a Mãe nos santuários a ela dedicados.

Maria de Deus, Maria da gente. Negra Aparecida, morena de Guadalupe, Virgen de Luján, de Caacupé, de las Mercedes y de la Altagracia, de Lourdes e de Fátima, Maria de todas as etnias, de todos os povos … é sempre a mãe da misericórdia que passa pelo seu coração as misérias humanas e traz consolo aos pobres e aflitos. Seus mensageiros vão muito além de Bernadete, de Lúcia, Francisco e Jacinta, de três humildes pescadores, de uma mulher maltratada, de um indígena desprezado, de um cego, outro aleijado… É uma verdadeira e incontável legião a quem ela surpreendeu com sua visita pessoal para consolar, para ajudar, para fortalecer, para enviar em missão.

Francisco dedicava um amor especial à Virgem Maria, a quem confiou sua vida e a de seus irmãos: “Abraçava com amor indizível à Mãe de Jesus, porque fez nosso irmão o Senhor da majestade. Cantava-lhe louvores especiais, derramava orações, oferecia afetos, tantos e tais que uma língua humana nem pode contar. Mas o que mais nos alegra é que a constituiu Advogada da Ordem, e às suas asas confiou para serem protegidos até o fim os seus que ia deixar. Ó advogada dos pobres, cumpre conosco o teu ofício protetor por todo o tempo que foi predeterminado pelo Pai!” (2Cel 198,1-4).

Seu amor à Mãe de Jesus, foi destacado em sua canonização, foi ponto forte na biografia que se lia nesta importante celebração, conforme se diz na Legenda Maior: Terminado esse trabalho (de restaurar uma igreja), chegou a um lugar chamado Porciúncula, onde existia uma velha igreja dedicada à Virgem Mãe de Deus, abandonada e sem ninguém que dela cuidasse. Francisco era grande devoto de Maria Senhora do Mundo, e quando viu a igreja naquele desamparo, começou a morar aí permanentemente a fim de poder restaurá-la… Se fixou neste local por causa de seu respeito pelos anjos e de seu amor à Mãe de Cristo. Sempre amou esse lugar acima de qualquer outro no mundo, pois foi aí que ele principiou humildemente, progrediu na virtude e atingiu a culminância da felicidade. Foi esse lugar que ele confiou aos irmãos ao morrer como particularmente caro à Santíssima Virgem” (LM 2,8).

amor à Virgem Marianão foi menos forte nem menos profundo em Clara. A sua amiga Inês de Praga expressa e aconselha seu veemente amor: “Ama, repito, Aquele Filho do Deus altíssimo nascido da Virgem que O concebeu sem deixar de ser virgem. Vive unida à Mãe dulcíssima que deu à luz o Filho que nem os céus puderam conter. E, todavia, ela o levou no pequeno claustro do seu ventre sagrado e o formou no seu seio de donzela” (3In 17-19).

A segunda Ordem foi concebida e nasceu na casa de Maria: “E assim, abandonando o lar, a cidade e os familiares, correu a Santa Maria da Porciúncula, onde os frades, que diante do altar de Deus faziam uma santa vigília, receberam com tochas a virgem Clara. … Nem convinha que, naquele ocaso dos tempos, fosse fundada em outro lugar a Ordem da florescente virgindade a não ser na casa da que foi a única mãe e virgem, antes e acima de todos. Era o lugar em que a nova milícia dos pobres dava seus felizes primeiros passos sob o comando de Francisco, para ficar claro que em sua casa a Mãe da misericórdia dava à luz as duas Ordens” (cf. LSC 8,1-4).

Maria é modelo e motivação para a vivência da pobreza, que deve transparecer em todo nosso modo de ser, em toda forma de agir. Maria é modelo de solidariedade com quem sofre, seu sofrimento é conteúdo de contemplação, sua intercessão é força para perseverar no “sim” ao chamado de Deus: “E, por amor do santíssimo e diletíssimo Menino deitado no presépio envolto em panos pobrezinhos, e de sua santíssima Mãe, admoesto, peço e exorto minhas Irmãs a se vestirem sempre de roupas vis” (RSC 2,25). “Trate de meditar sempre nos mistérios da cruz e nas dores de sua Mãe que estava ao pé da cruz” (Er 12). “Por isso dobro os joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo para que, pela intercessão dos méritos de sua Mãe, a gloriosa Virgem Santa Maria, de nosso bem-aventurado pai Francisco e de todos os santos, o Senhor que deu o bom começo dê o crescimento e também a perseverança até o fim. Amém” (TestC 77-78).

Ofertemos flores a Maria, sobretudo façamos do mês de maio um tempo forte de contemplação da singular figura de Maria, mãe e profetisa dos pobres, de sua entrega como servidora no projeto de Deus. Que ela nos ensine os caminhos da fidelidade na escuta de Deus e no serviço aos irmãos e irmãs.

Fonte da Notícia: Irmã Maria Fachini – Catequista Franciscana

Fonte: FRANCISCLAREANDO 

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