Frei Paulo: “Mais do que nunca é hora de celebrar o Perdão de Assis”

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Cerca de quinhentos fiéis subiram ao Convento da Penha para a Celebração do Perdão de Assis que teve início às 19h da sexta-feira. Apesar do frio, todos foram convidados a alargar os ouvidos para acolher o desejo expresso por Francisco de Assis há mais de 800 anos: “Irmãos, quero levar-vos ao Paraíso”. Na Ordem Franciscana, a celebração litúrgica foi nesta segunda-feira, 2 de agosto.

Tudo foi preparado por uma equipe de voluntários do Convento e da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Vila Velha. Desde o portão principal de acesso até o Campinho, os fiéis eram orientados sobre a necessidade de utilização de máscara de proteção facial sobre o nariz e a boca, bem como a não utilizar velas, por conta do risco de incêndio. Na chegada ao Campinho eram acolhidos com os cantos “Doce é Sentir”, “Onde Reina o Amor” e “Ó Luz do Senhor”.

A voluntária Valéria Tanure e o Guardião da Penha, Frei Paulo Roberto, fizeram a apresentação, abertura e motivações iniciais. “A celebração do Perdão de Assis, que normalmente acontece na sexta-feira que antecede o dia 02 de agosto, tornou-se tradicional para uma multidão de fiéis que anualmente se dispõe a rezar conosco”, lembrou Frei Paulo.

A encenação preparada pelos jovens paroquianos do Rosário deu sequência à celebração. O jovem Mateus Maretto, interpretando São Francisco, encenou o encontro com Santa Clara (interpretada pela jovem Luana Ferreira Reis) diante da Cruz de São Damião. Em seguida, em quatro cenas, os dois encontraram uma pessoa esfomeada e Francisco lhe entrega um prato de comida; um enfermo pelo caminho foi acalentado pelo abraço sincero do Pobrezinho de Assis. A terceira cena ilustrou jovens abandonados e marginalizados sendo abraçados por Clara e Francisco. Por fim, a última cena da primeira parte da encenação foi um momento marcante num contexto que se fala tanto de armas, violência, “justiça armamentista”. Francisco entregou flores para dois rapazes armados, ou seja, a paz sempre prevalece sobre a guerra.

Logo após a primeira encenação, ao som de “Ninguém Te Ama Como Eu”, teve início a parte litúrgica com a proclamação da Palavra de Deus (Evangelho das Bem-Aventuranças) e a exortação feita pelo Frei Paulo Roberto. “Os tempos que vivemos exigem que nossos relacionamentos sejam regidos por maior lucidez, fraternidade, perdão. A pandemia do novo coronavírus trouxe doença física que, só no Brasil, levou à morte quase seiscentas mil pessoas. Uma tragédia que a todos entristece. A pandemia não trouxe só a morte, ela também desencadeou processos de dissensão que aprofundaram as distâncias entre pessoas, famílias e comunidades. Além disso, o medo, a insegurança, o sentimento de impotência e de abandono corroeram o equilíbrio das pessoas. Por isso, mais do que nunca, é necessário a reconciliação. Mais do que nunca é hora de celebrar o Perdão de Assis”, disse Frei Paulo no início da reflexão.

O frade enfatizou bastante a importância de perdoar, assim como o próprio Cristo manda. “As páginas do Evangelho estão recheadas de experiências do acolhimento e do perdão. Através das suas palavras e de seus gestos Jesus vai desvelando o rosto misericordioso do Pai. Quem acolhe o perdão de Jesus se faz discípulo dele: quantas vezes devemos perdoar? 70 x 7”, e completou: “O perdão dado ao outro é gesto de grandeza sem par. No entanto, o perdão dado a si mesmo é incomparavelmente mais transformador. Não se trata de mera aceitação fatalista ou aquele sentimento de satisfação consigo mesmo que anula a capacidade de conversão. O autoperdão é encontro com as fragilidades e limitações da própria vida, não para morar nelas, mas encontro capaz de gerar compreensão, entendimento, oferecimento, dádiva. Por vezes somos cruéis conosco mesmos, nos cobramos além das nossas forças, não nos permitimos o fracasso, não acolhemos nossa fraqueza, nossa carência”.

Ainda durante a exortação, Frei Paulo pediu: “Hoje é dia de um aceno de reconciliação àquele que me ofendeu ou foi ofendido por mim. Hoje é dia de dizer, por favor, me desculpe, ou, por amor eu desculpo você. Hoje é dia de deixarmos de lado rixas cultivadas ao longo desses últimos anos. Hoje é dia dos casais rezarem cantando assim: ‘que ninguém vá dormir sem pedir ou sem dar seu perdão’”, concluiu.

Após a exortação, Valéria e Frei Paulo leram alguns versículos bíblicos que contêm a experiência do perdão em diferentes situações. A celebração se fez também litúrgica e não apenas representação, afinal aos que rezaram no Campinho e na internet, estava reservada a Reconciliação. Assim que Frei Pedro de Oliveira convidou os fiéis a professarem publicamente a fé na oração do Credo, o rito de perdão foi iniciado. Frei Pedro conduziu a Renovação das Promessas Batismais, abençoou a água (que no final foi aspergida sobre os devotos) e concluiu a oração.

Antes da bênção final devotos foram convidados a espalhar a alegria desta notícia: reconciliados e enviados a gerar reconciliação.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

 

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