Mensagem de Natal da presidente da CFFB, Irmã Cleusa Neves, CFA

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NATAL: A PRESENÇA DE DEUS ENTRE NÓS

MENSAGEM

“Quero celebrar a memória daquele menino que nasceu em Belém e ver de algum modo com os olhos corporais os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como, estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno” (1Cel 84, 8).

Queridas irmãs e irmãos,
Paz e bem!

A celebração do Natal aproxima-se, colocando-nos diante do mistério da encarnação do Filho de Deus (Lc 1,34) e da grandeza de Deus na pequenez de uma criança (Lc 2, 31). Ao pararmos diante do presépio, especialmente este ano em que nos preparamos para celebrar os 800 anos do Natal em Greccio (2023), estejamos atentos ao convite cristão para fazermos memória do nascimento do “Menino de Belém” (Lc 2, 1-20).

São Francisco tinha uma profunda devoção ao Natal. Conforme narra Tomás de Celano, seu primeiro biógrafo, “no terceiro ano antes do dia de sua gloriosa morte, na aldeia que se chama Greccio” (v. 4), São Francisco quis fazer memória da chegada do Deus Menino em Belém para, de algum modo, ver os apuros e necessidades dele e de seus pais e também vivenciar a simplicidade e o aconchego do ambiente (cf. 1Cel 84, 1-9). E, neste dia, o santo de Deus teve uma admirável visão do Deus feito homem, na forma de uma criança frágil, deitada no presépio (cf. 1Cel 86, 6-8). Celano afirma que “a humildade da encarnação ocupava a memória do santo de Deus a tal ponto que mal queria pensar em outra coisa” (1Cel 84, 3). Portanto, considerando a importância deste mistério para o seráfico pai, é oportuno perguntar-nos “que lugar de nossa memória ocupa este grande mistério” e como ele reflete em nosso modo franciscano de ser e agir?

O Natal é marcado pela alegria das festas de confraternização e sua celebração convida-nos a refletir sobre a presença de Deus entre nós. Não tem sentido enfeitarmos nossas casas e igrejas, participarmos ou promovermos momentos de encontros e festejos se não aprendermos a lição de Belém. A cena do nascimento de Jesus (Lc 2, 1-20) nos remete à situação de milhares de famílias no Brasil e no mundo, hoje, vivendo apuros e necessidades, relegadas ao esquecimento e indiferença no coração de muitos. Somos profundamente tocados e envolvidos pelas angústias e sofrimentos desses nossos irmãos e irmãs, vítimas das estruturas sociais e políticas injustas. Em tempos profundamente marcados pela pandemia, fome, guerra, aumento da desigualdade social, intolerância religiosa e política, dentre outros, celebrar o Natal, deve levar-nos a refletir sobre a realidade do Deus menino e sua mensagem para a humanidade.

A gruta de Belém é expressão de simplicidade, pobreza e humildade; de aconchego e de acolhimento onde nasce o Rei pobre, Cristo Jesus, o “Menino de Belém” (1Cel, 86, 4-5). É oportuno, principalmente para nós franciscanas e franciscanos, refletirmos sobre nossa experiência de simplicidade, pobreza e humildade e voltarmos o olhar para nossas fraternidades. Perguntemo-nos: Que passos podemos dar para um testemunho mais autêntico, de simplicidade, pobreza e humildade? Nossas fraternidades são, verdadeiramente, espaços de aconchego e acolhimento?

Em Belém, o olhar de Jesus se voltou para os pequenos e pobres. Na vida e história de Francisco não foi diferente, ele entrou no mundo do pobre e o fez irmão; aprendeu a amar o leproso, doente, frágil e descartado pela sociedade. Ilia Delio, em sua obra, Viver no espírito de Francisco de Assis, assim expressa: “Francisco se tornou uma pessoa centrada em Deus. Sua “biofilia” começou com os pobres, os enfermos, os fracos e frágeis e, quanto mais ele crescia no relacionamento com eles, mais ele conhecia a Deus de nova maneira” (Editora Vozes, 2022, p. 107).

Somos filhas e filhos de São Francisco de Assis, sabemos que, “A mais sublime vontade, o principal desejo e supremo propósito de seu coração era imitar e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo com toda a vigilância, com todo o empenho, com todo o desejo da mente e com todo o fervor do coração” (1Cel 84, 1-3). Portanto, para viver o espírito natalino na perspectiva franciscana, faz-se necessário inspirar-se no modo de viver, agir e conviver de Jesus: vida de simplicidade, humildade e amor incondicional pelo ser humano, lição que o seráfico pai aprendeu e colocou em prática de forma exemplar.

Irmãs e irmãos, a mensagem de Natal é uma convocação para o fortalecimento do vínculo de compromisso e cuidado com a vida onde ela clama. O Salvador que se fez um de nós, conceda-nos a graça de contemplarmos seu rosto no rosto de nossos irmãs e irmãos, e a coragem de assumirmos compromisso com os mais pobres e sofredores. Sejamos criativos e que nossas respostas às necessidades da realidade contemporânea sejam sempre derivadas da Luz gerada a partir da Palavra feito carne, somente assim serão reconhecidas como respostas franciscanas.

Na alegria do Natal do Senhor, fica o convite para entrarmos em sintonia com toda a Família Franciscana, na celebração dos 800 anos do Natal em Greccio, participando e divulgando a Celebração em Greccio, dia 07 de janeiro de 2023, às 11h (horário de Roma) e às 07h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo. Para quem desejar maiores informações, acessar: http://www.centenarifrancescani.org (disponível para acesso em janeiro de 2023).

No desejo de celebrarmos o nascimento do Senhor na disposição de colaborarmos para que o Reino de Deus aconteça entre nós, desejo a cada uma, cada um de vocês, um Feliz Natal e abençoado Ano Novo.

Fraterno abraço,

Brasília, 16 de dezembro de 2022
Tempo do Advento

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA
Presidente da CFFB

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