Mensagem sobre Santo Antônio, padroeiro dos pobres

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Fernando Martins de Bulhões, mais tarde, Santo Antônio, nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 15 de agosto de 1195. Filho único de uma família nobre e rica, aos 15 anos ingressou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, em Coimbra, onde estudou filosofia e teologia e foi ordenado sacerdote no ano de 1220. Conhecido principalmente como “padroeiro dos pobres” e “santo casamenteiro”, sua festa é celebrada no dia 13 de junho, data de seu falecimento. Este ano comemora-se os 800 anos de seu ingresso na Ordem dos Frades Menores. Quando entrou na Ordem dos Frades Menores, em 1220, São Francisco de Assis ainda era vivo e, em Portugal, chegavam os primeiros frades franciscanos. Cônego Fernando ao conhecê-los ficou empolgado com o estilo de vida que levavam e com o trabalho missionário. Então, decidiu sair da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho e entrar na Ordem dos Frades Menores. Conta a história que no ano de 1220, certo dia, ao ver os despojos dos frades franciscanos, venerados no Mosteiro de Santa Cruz, após serem martirizados numa missão no Marrocos, na tentativa de evangelizar os mouros, o jovem cônego Fernando ficou muito sensibilizado. Em seu coração nasceu um grande desejo de ser missionário e, então, decidiu juntar-se à Ordem dos Frades Menores. A cerimônia foi no Convento de Olivas, em Coimbra, onde recebeu o hábito das mãos de São Francisco de Assis e o nome de Frei Antônio.

Logo no início de sua vida franciscana, foi para uma missão em Marrocos, onde permaneceu por um ano. De saúde frágil, não ficou por mais tempo por causa de uma enfermidade. Ao retornar, passou a residir na Itália e, pouco a pouco, sua fama de excelente orador ia crescendo. Em 1222, por ocasião de uma ordenação sacerdotal em Forli, fez um belo sermão, deixando evidente seu grande dom da oratória e profundo conhecimento da Bíblia. Na região da Lombardia, trabalhou na evangelização e, em 1224, foi indicado por São Francisco de Assis para dar aulas de Teologia na universidade de Bolonha. Posteriormente, foi para a França e atuou como professor na universidade de Toulouse, Montpellier e Limoges.

No ano de 1227, Frei Antônio retorna para a Itália e, por onde passava, ia ganhando notoriedade como pregador. Suas pregações encontravam forte eco popular e aumentava sua fama de santidade. De seus sermões ficaram célebres os que proferiu em Forli, Provença, Languedoc e Paris. Com saúde debilitada e já considerado uma pessoa santa, Frei Antônio faleceu aos 36 anos, em Pádua, Itália, no dia 13 de julho de 1231. Foi canonizado no dia 30 de maio de 1232, pelo Papa Gregório IX e, em 1946, o Papa Pio XII o declarou doutor da igreja. Sobre seu túmulo, em Pádua, foi construída uma basílica a ele dedicada e para onde, em 1263, seus restos mortais foram transladados, é a Basílica de Santo Antônio de Pádua. Santo Antônio é conhecido como Santo Antônio de Pádua, por ser Pádua a cidade onde faleceu e foi sepultado e Santo Antônio de Lisboa, por ser Lisboa a cidade onde nasceu.

Em geral, é representado em imagens segurando o Menino Jesus e imagens segurando o Menino Jesus de um lado e, com o corpo um pouco reclinado, tendo na mão um pão, o pão dos pobres. No Brasil, é um dos santos mais populares, principalmente na Região Nordeste e no Catolicismo figura entre os mais importantes. Conhecido como “padroeiro dos pobres” porque distribuía pão para os menos favorecidos, daí surgiu o “pão dos pobres” ou “pãozinho de Santo Antônio”, é também invocado como protetor das coisas perdidas. Mas, também é famoso por ser o santo casamenteiro e, por causa de sua fama em fazer milagres, especialmente para arranjar casamento, muitos devotos fazem simpatias. Das mais conhecidas temos o trato com o santo em deixar sua imagem de cabeça para baixo, ou tirar o Menino Jesus de suas mãos até conseguir encontrar a “alma gêmea”. Em seus escritos não há nada específico sobre casamento. Segundo narra a história, ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido, porque ajudava as jovens pobres que não tinham dote e enxoval para o casamento. Conforme o costume da época, para casar-se, a família da moça devia pagar um dote.

Reportando ao artigo de Luis C. Susin, “Deus é nosso lugar”, podemos dizer que Santo Antônio conjuga tempo e eternidade. Como nós, esteve no tempo, foi tecido de tempo e de história. Eternidade e tempo se constituem de Criador e criaturas. Hoje, o padroeiro dos pobres se encontra na Eternidade. Nós, ainda estamos no tempo, tecendo história em meio a tribulações e vivemos a insegurança e a iminência de caos diante da realidade política e social. Então, para que em meio a este cenário possamos testemunhar o Evangelho a exemplo do protetor dos pobres, peçamos: “Santo Antônio, rogai por nós, intercedei a Deus por nós”.

Brasília, 12 de junho de 2020

Irmã Cleusa Aparecida Neves, CFA
Presidente da CFFB

FONTES

    • Jornal do Brasil, fundado em 1891, sexta-feira, 5 de junho de 2020.
    • Lusitania Sacra, Revista do Centro de Estudos de História Religiosa Universidade Católica Portuguesa, 2ª série Tomo XIII – XIV.
    • Santo Antônio: oração, história, vida de Santo Antônio. Disponível em: <https://www. cademeusanto.com.br/santo-antonio/>. Acessado em 05 de junho de 2020.

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