No caminho com Jesus, inspiradas em Amábile Avosani

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“Senti no meu coração um grande desejo de colaborar!” (Irmã Amábile Avosani)

No dia 31 de março, celebramos a memória da vida e missão de nossa querida Irmã Amábile Avosani. Em comunhão com cada irmã da Província Amábile Avosani, elevamos nosso coração agradecido à Divina Fonte da vida e da história pela semente colocada na terra pela irmã Amábile.

Com sua resposta ao clamor dos pobres, deixou para nós, para as comunidades eclesiais, para as comunidades educativas um grande legado. Digno de louvor e reconhecimento é o testemunho desta grande mulher de ser protagonista da história. Ela sinaliza que sempre é possível romper com estruturas que dominam, exploram, excluem, matam. Em todos os contextos e situações, por mais desafiadores que sejam, é possível ser sentinelas da vida, do amor, da misericórdia, da compaixão.

Ainda jovem, Amábile foi abatida por uma doença grave. Com todos os esforços, dedicação, cuidados da família, amigos e um longo tratamento, conseguiu vencer. Tornou-se mulher forte, confiante, corajosa, resistente, apesar da sua fragilidade física. Ao ouvir o pároco falar sobre a falta de uma professora na escola paroquial de Aquidabã, seu coração estremeceu, mas não contou para ninguém, a fim de que pudesse rezar e compreender o que significava este sentimento ao ouvir este apelo. Depois de alguns dias de oração e contemplação, voltou a falar com o pároco e partilhou seu desejo de colaborar. Mas também não hesitou em falar dos medos e da dificuldade de deixar a família. Porém, a voz que ouvia, a partir do seu interior, era forte e a deixava inquieta. Decidiu enfrentar todos os desafios familiares e sociais e colocou-se a caminho. Sim, colocou-se a caminho, mesmo sabendo que iria recair sobre ela vários desafios, entre eles, a não compreensão da própria família. O seu desejo de servir era mais forte!

Colocar-se a caminho! O que significa? Quando falamos em caminho, recordamos que Jesus se identifica com o caminho. “Eu sou o Caminho” (Jo 14,6). E assim Ele se portou, estava sempre a caminho. A maior parte de sua missão se deu no caminho. Os primeiros seguidores de Jesus são identificados como “grupo do caminho”. Amábile colocou-se no caminho com confiança, sem nada. “Não leveis nada para o caminho” (cf. Mt 10, 5-10).

Como professora, mulher, brasileira, sem muita formação, foi desafiada pelos seus próprios italianos. Pela cultura que traziam, jamais podiam conceber que uma mulher, jovem, sem maiores estudos pudesse ser professora. Para dificultar seu trabalho, um mês após iniciar sua missão de professora em Aquidabã, inauguram uma “escola italiana” na mesma comunidade. Mas ela foi firme e resistiu com o apoio dos pais dos alunos (cf. Memórias e Sonhos, p. 42, 2005). Uma pergunta a ser feita: O que fez Amábile resistir a tantos desafios e permanecer firme? Uma resposta que podemos arriscar: a pessoa que ouve a voz de Deus e acolhe seu plano para ela e se coloca com confiança e simplicidade no caminho, é agraciada com tudo o que necessita para vivenciar sua missão, ser feliz e sentir-se realizada.

A exemplo de Amábile, somos convidadas, na realidade conflitante, desafiadora, violenta e excludente que vivemos hoje e no processo de reorganização da congregação, a ouvir a voz de Deus e contemplá-la em nosso interior. O processo de escuta pessoal e comunitária que estamos realizando, com certeza, contribuirá muito para o discernimento da vontade de Deus para nossa congregação no contexto de hoje. Para isso, precisamos ter coragem para ouvir, acolher, refletir e partilhar.

Para tanto, como Amábile, necessitamos cultivar nossa formação permanentemente; com cuidado e persistência, nos colocar no caminho com confiança, coragem, simplicidade, assumindo as mesmas condições que vivem os pequenos que continuam pedindo pão. E nós sabemos muito bem quem são, onde estão e como vivem.

Confiantes, invoquemos a intercessão de Amábile para nossa caminhada e, nesse momento, especialmente, sobre o processo de reorganização. Que nosso coração, nossa mente e nossa vontade se abram para podermos nos integrar cada vez mais no processo e contribuir na construção de nossa história.

Por Irmã Marlene Chiudini – pela coordenação geral

Fonte: CICAF

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