SAV/CFFB entrevista Frei Sérgio Dal Moro, OFMCap, assessor do Encontro Nacional

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Frei Sérgio Dal Moro, OFMCap

Sou franciscano capuchinho da Província do Rio Grande do Sul. Sou aqui do sul. Sou filho de uma família numerosa em que a vida eclesial era uma questão de prioridade. Meu chamado tem raízes na infância. Desde criança falava que “queria ser padre”. Percorri meu processo formativo a partir do final do Concílio Vaticano II e por isso, vivi toda a riqueza e turbulência eclesial da época. Com 23 anos vivi uma experiência muito forte do amor de Deus que marcou toda a vida, numa época de crise vocacional. Desde então nunca mais duvidei do chamado de Deus para viver a vida consagrada.
Alguns anos depois de concluir a formação inicial, fui convidado a fazer especialização em Teologia Dogmática em Roma. Retornei e depois de algum tempo de magistério e outros serviços na província, retornei para Roma para colaborar no Centro de Formação dos Capuchinhos. Colaborei com inúmeros cursos de formação nesse Centro, na África, no Brasil e na América Latina. Nesse tempo, tive a oportunidade e o privilégio de fazer um curso de 3 meses, de Acompanhamento Espiritual, em Toronto, no Canadá. Já durante o curso, comecei a organizar uma equipe com quem oferecemos o curso por 13 vezes, sintetizado em 40 dias, aqui no Brasil.
Tive também a oportunidade de ser membro do Conselho Geral dos Capuchinhos, por 6 anos. Isso me abriu muito os horizontes de toda a vida consagrada.
Durante quase toda minha vida de frade capuchinho estive direta (ou indiretamente) ligado à formação inicial e permanente. Atualmente, sou “mestre” do pós-noviciado (juniorato) dos capuchinhos Rio Grande do Sul.

1. O que espera do encontro do SAV que vai acontecer em Brasília?

Frei Sérgio Dal Moro, OFMCap – O ano vocacional tem a duração de 12 meses. No entanto, o SAV/PV não pode ser entendido apenas como um evento extraordinário e transitório. O Serviço de Animação Vocacional na comunidade eclesial para atender a todas as vocações é elemento constitutivo da identidade e estrutura eclesial e não opcional. Sem SAV ativo uma comunidade eclesial e religiosa fica deficitária. Falta algo de essencial. O SAV, na comunidade, atua de forma permanente e transversal, isto é, procura iluminar todas as pastorais e serviços. Por outro lado, a temática de nosso encontro de Brasília, diria, é um SAV ampliado, pois, seremos convidados a refletir sobre todo o processo formativo. Essa motivação integral do processo é de fundamental importância para as novas gerações. Uma formação inicial mal conduzida pode gerar desilusão, desânimo e desistência. Espero poder colaborar com essas duas questões básicas.

2. Quais desafios vislumbra na dimensão dos Formadores e Animadores Vocacionais?

Frei Sérgio Dal Moro, OFMCap – Quando falamos de formadores e animadores vocacionais, me vem à mente dois desafios essenciais: Um formador precisa ser “santo”. Não entendo aqui “santo” como sinônimo de perfeito. Sinteticamente, diria: formador santo é o “vocacionalmente resolvido”, que não incuba dúvidas vocacionais ou comportamentos contraditórios à sua vocação.

Segundo aspecto fundamental: um formador precisa atuar de forma inteligente. Não basta entusiasmo. Já dizia Santa Teresa: “entre um orientador santo e inteligente eu prefiro o inteligente”. É uma pena se verificar que ainda hoje haja províncias e congregações que nomeiam encarregados de formação inicial pessoas sem experiência e sem preparação teórica. Afirmam que o que vale é a prática: postura ingênua e anticientífica. Um formador precisa se preparar adequadamente para exercer corretamente sua missão. A improvisação de formador faz mal ao formando e ao formador. Não basta a “santa obediência”. Por outro lado, isso demanda investimento. Uma mentalidade economicista não deseja gastar (na formação), como aquele provincial que gastou uma considerável fortuna na reforma de um convento e, na hora, de ajudar um formador se negou a liberar 5 salários mínimos para um curso de formadores de 40 dias, Modestamente, espero poder colaborar um pouquinho na superação dessas duas lacunas.

3. Em relação ao tema e o lema do encontro do SAV/CFFB, o que
destaca como fator essencial do chamamento?

Frei Sérgio Dal Moro, OFMCap – O lema e o tema trazem embutido dois
aspectos fundamentais para a reflexão:

Primeiro: vocação é coisa de Deus, é iniciativa de Deus: “chamou os que Ele quis”.
Segundo: é graça. Acolher o chamado para a vida consagrada é aceitar o desafio de navegar contra a corrente das ofertas do mundo e contra a própria natureza, somente possível pela graça. Teremos pano para muita manga.
Observação: já tenho notícias de irmãs que garantiram que estarão presentes em Brasília. Isso me alegra. Talvez o meu nome não gere particular interesse. No entanto, o tema é importante. Juntos vamos conduzir uma boa reflexão. Seremos todos um pouco mestres e discípulos.


Encontro Nacional Presencial SAV/CFFB é dirigido aos irmãos e irmãs responsáveis pela Formação e Animação Vocacional.

Tema: O processo formativo – graça e missão.
Lema: “Jesus chamou os que ele quis.” (cf. Mc 3,13)

De 28 de abril a 01 de maio de 2023

Informações
(61) 3349 0157 e (61) 99588 2781 (WhatsApp CFFB)
E-mail: coordenacao@cffb.org.br

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