Sejam irmãs do povo

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No mês de outubro, mês dedicado às missões, chegamos com a partilha da vivência missionária das irmãs que vivem na Argentina.

Irmãs, faz tão bem encontrar-nos, mesmo que seja através de um relato, que nos aproxima da realidade de cada irmã.

Neste mês missionário, chegamos desde Trelew na Argentina, para, juntas, tomar um chimarrão, um cafezinho ou um suco e compartilhar um pouco nossa vivência missionária.

Somos duas irmãs, Paulina Felippi e Jucélia Donatti. vivendo na Parroquia Nuestra Señora de Guadalupe, uma comunidade formada por chilenos, bolivianos, argentinos, venezuelanos, peruanos e paraguaios e nós… brasileiras. Mais de 90 mil habitantes, com uma cultura de riqueza ímpar.

Vivendo há muitos anos em um país onde não nascemos, e olhando com olhos missionários nossa vivência, destacamos a grande riqueza da multiculturalidade em que estamos submergidas. Deixar-se tocar, incorporar diferentes prioridades, outros costumes, outras comidas, outro idioma no qual sempre se tem algo a aprender é, em realidade, um “rosário” de aprendizagens.

“Sejam irmãs do povo! Diariamente vamos vivendo e aprendendo a viver melhor este mandato, com o povo que chega em nossa casa, para tomar um mate, partilhar alegrias e conquistas, as tristezas, a vida enfim e também para compartilhar alimentos, compartilhar a mesa da refeição

Viver como irmãs do povo nos permite viver e construir uma comunidade com rosto feminino, onde, valorizando os dons e carismas de cada pessoa, se gera espaço de inclusão, onde todos podem descobrir sua forma de fazer germinar e crescer e o Reino de Deus. Isto o percebemos e o expressam muitas pessoas de nosso convívio na missão.

Um destes espaços é a catequese familiar, na qual participam e se comprometem pais e filhos.  Este modelo de catequese permite, principalmente, abrir não somente o espaço físico, mas o coração e a mente para as novas constelações familiares, para o uso das novas tecnologias e de sua linguagem específica. Temos o cuidado de incluir a todos, de valorizar a cada evangelizador ou destinatário, a partir de seus dons, possibilidades e limites. Neste espaço temos oportunidade de enfrentar o desafio da cultura digital o que nos dá elementos para ser resposta no novo cenário que se se abre na Igreja e no mundo.

Outro espaço que nos ajuda a ser irmãs do povo são os diferentes eventos econômicos que se realizam com a colaboração de todos, desde as crianças até os adultos maiores. Termina sendo não somente um lugar para gerar dinheiro, mas verdadeiro espaço de evangelização, porque se aprende a trabalhar com distintas idades, pensamentos diferentes conseguindo sempre organizar lindos momentos comunitários através do locro, mate – bingo, venda de diferentes bolos e outras atividades.

Vai-se conseguindo este espírito de comunidade porque sempre se proporcionam espaços de formação para as lideranças das pastorais: catequese, liturgia, Cáritas, Infância Missionária, liturgia…

Outra experiência interessante de integração que se vive é com a comunidade boliviana. Eles também são estrangeiros que chegam à região patagônica. Muitos falam quéchua e vão aprendendo o castelhano no dia a dia. São famílias na maioria, originárias das montanhas do país de origem que vêm em busca de trabalho e melhores condições de vida. Nosso cuidado é facilitar sua integração local com a colaboração de muitas pessoas da comunidade que lhes ajudam a realizar os difíceis trâmites para conseguir a cidadania. Também se está criando um espaço de visita às famílias, de celebrações eucarísticas, de catequese. Um sonho não muito distante é despertar lideranças entre eles.

Em convênio com Secretaria de Educação e Cáritas Diocesana, coordenamos um curso de padaria. É um curso profissionalizante iniciado em 2018 e capacita dois grupos ao ano. Com esta preparação, muitas famílias encontram um espaço de trabalho. Algumas, inclusive, conseguiram empreender um negócio familiar.

Algo totalmente novo para o povo foi ver uma Irmã Catequista Franciscana no mundo do trabalho: na saúde – em uma clínica privada, como enfermeira. É uma experiência desafiadora e evangelizadora. Pela cultura local, o povo está acostumado com a presença de irmãs, somente em colégios religiosos. Ter a presença de uma mulher consagrada num lugar que não é “sagrado”, também é evangelizador e ajuda a romper com conceitos que estigmatizam e limitam o lugar da vida religiosa feminina no mundo.

Nossa!!!!! Poderíamos seguir compartilhando vivências especiais nesta região patagônica. Mas queremos destacar que, nesta realidade e com este povo, aprendemos a viver carisma da Irmã Catequista Franciscana que nos desafia à constante itinerância, porque estamos em permanente processo de transformação, adaptação e aprendizagem.

Esta realidade nos desafia e nos motiva a seguir com o olhar fixo no Senhor, seguindo a orientação de Clara de Assis: “NÃO PERCA DE VISTA O SEU PONTO DE PARTIDA, MAS SEGUE COM CONFIANCA E ALEGRIA” (2In 11).

Queridas Irmãs, obrigada por esse momento de encontro, de partilha e escuta. Que este mês das missões, nos impulsione a renovar nosso espírito missionário, derrubando barreiras, para viver e anunciar a Boa Nova.

Fonte: cicaf.org.br

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