Simplicidade e aproximação com os pobres: duas opções fundamentais para as novas formas de vida

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“Um ministério de simplicidade e restituição, capaz de favorecer a transparência das novas formas do Evangelho”. Este sonho, expresso nas provocações do Documento Ite Nuntiate, foi um dos destaques que Frei Johannes Freyer, assessor deste 2º dia do encontro, propôs aos frades participantes na perspectiva de atualizar o tema das novas formas para a missão evangelizadora hoje. Também houve ocasião para a apresentação dos projetos e desafios das entidades da Conferência Nossa Senhora de Guadalupe e da Conferência Bolivariana.

Em sua apresentação, Frei Freyer recordou que Ite Nuntiate, publicado em 2014 e revisado em 2017, trata das Orientações sobre as novas formas de vida e missão na Ordem dos Frades Menores. Segundo o palestrante, São Francisco não quis viver o Evangelho de maneira tradicional, mas  desejou pôr em prática um novo estilo de vida e, por isso, diz a seus irmãos: “Meus irmãos, Deus me chamou para trilhar o caminho da simplicidade” (LP 18). Desta forma, o caráter missionário de seu novo estilo de vida é fundamental. Por outro lado, Frei Johannes recordou que o novo não está em oposição ao tradicional, mas há uma relação de complementaridade, pois o novo combina “memória e profecia”. “Como Frades menores, temos uma tarefa profética específica: sermos instrumentos de justiça e de paz,  tornando-nos artesãos da paz”, exortou.

Frei Johannes também chamou atenção para os obstáculos que impedem a plena realização de projetos ou novas formas de evangelização como, por exemplo, uma motivação muito idealista ou ideológica, a dificuldade de manter uma sadia tensão entre oração e vida fraterna com ou trabalho, a tendência ou de se voltar ao passado em formas de arqueologias autorreferenciais, ou de se cair em aberturas irrefletidas a ponto de desproteger as raízes cristãs. Para concluir, apresentou uma síntese de elementos que devem ser sempre levados em conta quando se aborda o tema das novas formas: o primado de uma vida de oração e devoção; autênticas relações fraternas, estilo de vida simples e sóbrio, partilhar a vida com as pessoas, especialmente com os mais pobres, trabalhar em comunhão com a Igreja local, disponibilidade para a missão compartilhada com os leigos e desejo de internacionalidade.

A Igreja e a opção pelos pobres hoje na América Latina

Dom Carlos Castillo, Arcebispo de Lima, foi convidado para trabalhar o tema da opção pelos pobres, e  iniciou sua apresentação destacando que um princípio pastoral indispensável para os tempos atuais é o empenho em partir da experiência das pessoas, especialmente dos pobres. Segundo ele, a América Latina é marcada por uma sociedade que sobrevive diante de um mundo cujo eixo é o hiperdesenvolvimento capitalista e liberal.

Recordou que as formas atuais de pobreza são o resultado de uma ilusão da possibilidade um desenvolvimento ilimitado, pregada pelo mundo do business, dos negócios, pautado no binômio produzir e consumir. Esta ideia enganosa tem levado a um processo degenerativo e destrutivo dos pobres. Neste contexto, chega-se ao impasse de um mundo que se torna incapaz de dar soluções e de uma Igreja que não sabe o que fazer com os pobres.

Diante dessa situação, Dom Carlos afirmou que a pastoral da Igreja deve acompanhar os processos das pessoas, aprender a ouvi-las, porém, a tentação do conforto, de servir ao dinheiro em vez de a Deus e preferir mandar a ouvir, tem causado a perda gradual do espírito missionário. Ele continuou dizendo: “É preciso mergulhar vocacionalmente. É necessário um processo de geminação ascendente; encontrar pontos de unidade. Para renovar a Igreja e as suas formas, é preciso fazer experiência com os pobres, tornar-se irmãos com eles. Tanto a encíclica Fratelli Tutti quanto a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium oferecem orientações pertinentes a esse respeito”, recordou Dom Carlos.

No momento final de sua apresentação, o arcebispo apontou alguns princípios do Papa Francisco que deveriam ser aplicados à pastoral da Igreja; por exemplo: o todo é maior que a parte, o tempo é maior que o espaço; a realidade é maior que a ideia. Finalizou dizendo que, hoje, tudo é cálculo, e precisamos saber o que é de graça. Ao fim do dia, os participantes do encontro realizaram uma visita guiada ao Convento de São Francisco e Museu das Catacumbas, no Centro Histórico de Lima.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM (Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil)

Fonte: ofmscj.com.br

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