Uma Plantinha chamada Clara – II

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A Compilação de Assis também registra: “Naquela semana em que o bem-aventurado Francisco migrou deste mundo, a senhora Clara, primeira plantinha da Ordem das Irmãs, abadessa das irmãs pobres do mosteiro de São Damião de Assis, seguidora de São Francisco em observar sempre a pobreza do Filho de Deus” (CA 13,1). E em I Fioretti: “Santa Clara, devotíssima discípula da cruz de Cristo e nobre planta de monsior São Francisco” (Fior 33,1).

Estes textos acima mencionados e todas as citações e reflexões que vem sendo feitas há séculos sobre uma Plantinha chamada Clara transformaram esta expressão num ícone clariano. E por quê? Vamos elencar aqui os motivos. Uma religiosa franciscana, minha Irmã de Carisma e amiga, militante defensora de compreensões feministas, dizia que esta expressão é muito infeliz porque nivela Clara por baixo, num modo submisso a Francisco e seus frades. O que posso dizer para esta minha Irmã, com todo respeito a sua opinião, é que Plantinha, no diminutivo tribal da ancestralidade e na bela cultura da medievalidade não é diminuição, mas exaltação. É o carinhoso enlevo do elogio. É a mesma coisa que chamar a mãe de mamãezinha ou maínha, o amor de benzinho, e o pai de painho. Plantinha aqui tem a dimensão de uma árvore frondosa. Clara é a mais exuberante planta da revolução de Amor que surgiu em Assis.

Por que a expressão Plantinha torna-se um ícone? Por ser árvore frondosa destaca-se por ter raízes nas profundezas, mas também por destacar-se em buscar as alturas. Clara de Assis é pura elevação, ascensão, sem deixar de ser chão. Ela une céu e terra, Assis e o mundo, numa escada que faz o humano subir ao céu e o divino descer a terra. Seu lugar silencioso de meditação é um lugar de ligação. Humanidade, fraternidade e divindade ali se encontram. Os frutos desta planta são manifestações saborosas de virtudes e valores férteis de conhecimento, sabedoria, ação e contemplação.

Continua…

Frei Vitorio Mazzuco

Fonte: Blog Frei Vitório

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