Francisco e Clara, vida pascal

Espiritualidade

Francisco e Clara, vida pascal

Foto: Mosteiro Santa Clara

Queridos irmãos e irmãs: o Senhor vos dê a Sua PAZ!

A celebração da Páscoa deste ano, para nós filhos e filhas de São Francisco de Assis, tem um “tom” diferente, porque estamos a celebrar os 800 anos de seu Trânsito, de sua morte e, nas primeiras semanas do Tempo da Quaresma, iniciou-se, para a veneração dos fiéis em Assis, a visita, com a possibilidade de ver, as suas relíquias, os seus ossos e, talvez, em um primeiro momento, pode nos vir aquele trecho de Ezequiel onde ele é questionado por Deus: “Criatura humana, será que esses ossos poderão reviver?” e ele responde: “Meu Senhor, és tu que sabes” – e conhecemos o desenrolar deste trecho (Ez 37,1-14).

A mensagem que exala daqueles “ossos ressequidos” de Francisco, se podemos nos expressar assim, é uma mensagem pascal, de vida, de vida nova, vivenciada por Francisco e seus primeiros companheiros, e também por Clara e suas primeiras irmãs e, no hoje da história, é viva, transmite à nós e por nós: “O Filho de Deus fez-se para nós caminho, que nosso beatíssimo pai Francisco, seu verdadeiro amante e imitador, nos mostrou e ensinou pela palavra e pelo exemplo” (Testamento de Santa Clara).

Um momento singular que nos vem ao coração é quando Francisco vai pregar às irmãs em São Damião: “As senhoras se reuniram como de costume, para ouvir a palavra de Deus, mas com desejo não menor de ver o pai. Ele levantou os olhos para o céu, onde sempre tinha o coração, e começou a rezar a Cristo. Depois mandou buscar cinza e fez um círculo ao seu redor no chão, jogando o resto sobre a própria cabeça… De repente o santo se levantou e, diante das irmãs atônitas, recitou o salmo “Miserere mei Deus” (Salmo 50) em vez de fazer um sermão. Em primeiro momento, parece um momento “de morte”, quando nenhuma palavra foi proferida, mas a “palavra do Espírito”, ecoou generosamente em uma compreensão profunda, para Francisco, e certamente para Clara e suas irmãs. Todo o nosso ser, deve ser, antes de tudo, a pregação. Aprendemos de Francisco, com esta sua atitude, que as palavras poderiam até serem pronunciadas, mas como um “eco” do que estava cheio o coração.

Assim, podemos também trazer um momento significativo da vida de Clara, como realidade Pascal. Nos últimos dias de sua vida, depois de vários anos enferma, ao “bondoso Frei Reinaldo [que] a visitou no leito de dor e a quis exortar à paciência, ela respondeu-lhe com toda a franqueza: “Querido irmão, desde que me foi dado conhecer a graça do meu Senhor Jesus Cristo por meio do seu servo Francisco, nenhuma pena me foi molesta, nenhuma penitência me pareceu severa, nem nenhuma doença me foi difícil de suportar” (Legenda de Santa Clara, 44). Palavras de um coração apaixonado pelo Cristo Pobre e Crucificado que soube passar da morte para a vida: “ Voltando-se sobre si mesma, a santa virgem assim falava silenciosamente à sua alma: ‘Vai em segurança, que boa escolta levas para a viagem. Vai, dizia ela, porque Aquele que te criou, também te santificou. Ele sempre te protegeu como uma mãe ao seu filho e amou-te com ternura. Bendito sejas, Senhor, porque me criaste’ ” (Legenda de Santa Clara, 46).

Ao fazer memória do Ano Santo Jubilar da Esperança, que antecedeu ao Ano Jubilar Franciscano, na celebração dos 800 anos do Trânsito de nosso Pai São Francisco, como peregrinos/as da Esperança, em tempos de desafios, possamos fortalecer ainda mais em nossos corações “a esperança que não decepciona” (Rm 5,5) e acolher a VIDA NOVA do Cristo Ressuscitado e sermos, como filhos/as de Francisco e Clara “instrumentos de PAZ” e “colaborador [es] do próprio Deus e um suporte dos membros mais débeis” (das Cartas de Santa Clara).

Queridos irmãos e irmãs, sob o bondoso olhar da Virgem Maria, a Imaculada, Rainha de nossa Ordem, nossa Mãe, desejamos a todos/as e a cada um/uma: Feliz Páscoa!

Irmã Maria Karolyne de Jesus Crucificado, OSC
Mosteiro Santa Clara
Belo Horizonte – MG
@mosteirosantaclarabh

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