A publicação da exortação sobre a Amazônia atrasa para janeiro ou fevereiro de 2020

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A exortação pós-sinodal na qual o papa Francisco oferecerá suas reflexões depois do Sínodo da Amazônia, celebrado em Roma há dois meses, não estará pronta até janeiro ou fevereiro de 2020. Em seu discurso de conclusão dos trabalhos da assembleia sinodal no último 26 de outubro, o Pontífice comentou que pretendia que a escrita estivesse terminada “antes do fim do ano, de tal maneira que não passe muito tempo”, advertindo, no entanto, de que tudo dependia “do tempo que tenha para pensar”.

A informação é de Darío Menor, publicada por Vida Nueva Digital, 17-12-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Diversas fontes vaticanas confirmaram a Vida Nueva que esse texto magisterial, que recolherá as conclusões do documento final do Sínodo, encontra-se ainda em fase de elaboração, porque não começaram ainda as traduções aos distintos idiomas em que será publicado de forma simultânea. A apertada agenda do bispo de Roma nestes últimos dois meses, em que também viajou à Tailândia e ao Japão, impediu-o de finalizar a exortação pós-sinodal.

Contribuição de O’Malley

Na última rodada de reuniões do Conselho de Cardeais, celebradas em Roma, de 2 a 4 de dezembro, os purpurados que assessoram o Pontífice na reforma da Cúria Romana e no governo da Igreja católica refletiram sobre esse documento. O cardeal Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, fez algumas considerações sobre o texto, enquanto que o purpurado Michael Czerny ofereceu uma relação sobre como foram os trabalhos da assembleia sinodal.

Ainda que o Papa destaque no discurso de conclusão do Sínodo que é necessário evitar centrar-se em “coisinhas” e esquecer-se “do grande”, há um aspecto concreto do documento final que propiciou uma grande controvérsia. Trata-se do ponto que abre a porta para a possível ordenação sacerdotal de homens casados com ampla experiência como diáconos em alguns territórios. Foi rejeitado por 41 padres sinodais, ainda que 128 votaram a favor, o que fez a proposta ser aprovada.

“Mais fundamento evangélico”

Em uma recente entrevista, o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, reconheceu que votou contra essa proposta. “Não penso que essa questão seja uma solução. Nisto, o Sínodo me decepcionou”, disse o purpurado canadense, advertindo que existe “um pessimismo sobre a capacidade dessas culturas de viver o celibato. É um preconceito colonizador que não compartilho”.

Ouellet também mostrou seu desejo de que a exortação pós-sinodal do Papa tenha “mais fundamento evangélico que o documento final”, que, para o cardeal, foi decepcionante porque abordava a possível ordenação sacerdotal de homens casados “em um modo mais ideológico que evangélico”.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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