Anunciadoras da Esperança, na região Centro-Oeste!

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“Podem nos tirar tudo, menos a fiel esperança.” (Dom Pedro Casaldáliga)

O encontro da região Centro-Oeste iniciou com o convite a caminharmos com Maria Madalena, a nos dispormos a estar como anunciadoras da esperança, com confiança e alegria, nesta terra sagrada, rica em belezas naturais, culturas e diversidades.

Nesta região, o “bioma cerrado nos ensina que resistir é preciso, resistir ao fogo, ao sol, à seca e à fúria da ganância humana. É setembro! É Primavera, e mais uma vez, a mãe natureza nos presenteia com a mais bela paisagem dos ipês floridos: rosa, branco, amarelo e roxo. Sua florada é rápida, é como a hora da graça. Logo passa! É preciso estarmos atentas às necessidades do outro, da outra, atentas aos gritos e clamores que ecoam dentro e nos arredores desta realidade.”

Introduzidas nessa dinâmica da diversidade e beleza regionais, iniciamos a ciranda missionária e, no colorido das irmandades presentes: Rondonópolis-MT, Jaciara-MT, Juscimeira-MT, Fátima de São Lourenço-MT, Campo Grande-MS, Dourados-MS, Ceilândia-DF, Goianira-GO e Capitan Miranda-Paraguai, nos dias 26 e 27 de setembro e 02 de outubro, partilhamos, com o coração agradecido, a história e missão inicial nessa região. E, cheias de esperança, olhamos, consideramos e contemplamos os sonhos, os desafios e as perspectivas atuais que continuam a nos impulsionar.

Para saborear o cheiro, a memória, as expectativas, luzes, alegrias e esperança desta região, tivemos o apoio e a acolhida da equipe articuladora: Ana Salete Vick, Edilúcia de Freitas, Ivonete Gardini, Isabel do Rocio, Márcia Divina Borges, Maria Lunardi, Marlene dos Santos, da ministra geral, Ana Pereira de Macedo e da assessora Susana Rocca, que nos ajudaram a adentrarmos, abraçarmos e nos conectarmos ao chão desta realidade, mesmo sendo através de uma tela.

Sabemos que esta região é marcada pelo agronegócio, que todos os dias agride a mãe terra. Muitos são os desafios e sofrimentos dos povos que fazem parte da nossa caminhada missionária. A vida nos pede cuidado, em todas as dimensões, e nos interpela à vivência do nosso carisma nesse chão sagrado. Os pequeninos pedem pão dia e noite.

Para contextualizar e situar a realidade da região, contamos com a contribuição do Professor Paulo Isacc, que apresentou a análise de conjuntura política; do professor Adilson, que falou sobre a realidade eclesial; e o missionário do Cimi, Matias Benno, que nos apresentou a desafiadora realidade indígena. Os três conseguiram nos provocar a estarmos atentas aos gritos e apelos dos pequeninos que clamam por justiça e direito neste espaço missionário.

É tempo de esperançar! É tempo de abrirmos novos caminhos, construir e não desistir! Caminhos de resistência, esperança e profecia. Com estas motivações e contextualizações, fomos convidadas a avaliarmos nossa presença e atuação nesta região. Irmã Susana Rocca, com sua espontaneidade, nos provocou a irmos para a itinerância, viver a circularidade e, na docilidade do espírito, somarmos nossas forças na formação, na missão junto aos indígenas, na educação e juventudes.

Com estas reflexões e com o colorido das partilhas, permeadas de entreajuda e questionamentos, alguns passos a serem dados foram se delineando. Entre inquietações e esperança, a urgência de estabelecer prioridades e de termos “foco” ficou evidente.

Assim, fomos encerrando o nosso encontro, dispostas a prosseguir no processo de reorganização da congregação, com as palavras animadoras da nossa ministra geral Ana Pereira de Macedo:

São mais de setenta anos de vida e história, vidas compartilhadas, um caminho percorrido marcado por muita entrega, doação e muitos testemunhos corajosos. É tão bom a gente poder sentir o ardor e a vibração missionária que perpassa no coração de cada uma nas partilhas, no entusiasmo em dizer ao que precisamos dar mais atenção. Quantas sementes de vida e esperança foram lançadas e cuidadas carinhosamente neste chão sagrado da região Centro-Oeste desde 1947!

Somos convidadas a contemplar os nossos rostos, as nossas irmandades e a nos perceber neste cenário como pessoa, como grupo, ampliando o nosso olhar a partir dos dados que foram apresentados, para acolher com carinho a nossa vida missionária, as nossas condições humanas e possibilidades. Perceber o espaço das irmandades como espaço gerador de vida, que vem chegando e colorindo novos caminhos para o processo da reorganização.

Como congregação, temos o compromisso da missão Guarani Kaiowá e outros apelos e desafios missionários que foram apresentados. Precisamos e necessitamos permanecer dialogando sobre esses desafios missionários.

O momento que vivemos nos coloca em uma dinâmica de conversão e abertura de coração. Vamos nos unir em preces, para que possamos nos abrir aos apelos de Deus, diante dos desafios e clamores que nos mostram novos caminhos. Por isso, renovemos a nossa entrega, nosso compromisso como mulheres consagradas, abertas às surpresas de Deus. Ele nos surpreende sempre no caminho! Estejamos abertas ao novo e dispostas a esperançar sempre, a fazer um pacto de amor e ternura com a vida! Vamos esperançar como Maria Madalena, que se pôs a caminho na madrugada, com confiança e alegria! Como São Francisco de Assis, somos convidadas a abraçarmos a vida dos pobres e da terra com um pacto de amor. Assim, poderemos cantar alegremente:

VIVA A ESPERANÇA! PORQUE ELA ESTÁ VIVA DENTRO DE NÓS! VAMOS PROSSEGUIR JUNTAS, COM CORAGEM, ANUNCIANDO A ESPERANÇA, ANUNCIANDO A VIDA!

Por: Irmãs Andréa Moratelli e Fabiula Souza da Silva

Fonte: CICAF

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