Cuidar da Casa Comum

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“O que cada ‘ser’ está fazendo de bom para o planeta terra”?

Estamos diante de dois desafios: Como estamos respondendo a eles?

Na celebração do Dia do Meio Ambiente, recordamos os cinco anos da encíclica “Laudato Si”, onde o Papa Francisco convoca a todos/as para o “Cuidado da Casa Comum”, e do oitavo princípio norteador da Agricultura Sintrópica, que nos pergunta: o que cada “SER” está fazendo de bom para o Planeta Terra?

No Recanto Mãe Terra, “um pedacinho do céu”, no cerrado da região Centro-Oeste, as Irmãs Catequistas Franciscanas decidiram reinventar sua Missão Educacional, fazendo “Alfabetização Ecológica”, ou seja, plantar floresta, para “plantar água” e ter abundância. Uma agricultura de processos e caminhos para a sustentabilidade.

Aqui no nosso chão, neste tempo de pandemia e isolamento social, estamos vivenciando um tempo fecundo de “gestação do novo”. Como grupo, aproveitamos para doar mais do nosso tempo e da força de trabalho no cuidado com a Casa Comum, nossa Mãe Natureza. Fizemos limpeza geral no quintal, organizando nossos espaços de forma bonita, ornamental usando os recursos que a mãe natureza nos concedeu, tais como: madeira já utilizada, tocos que dentro do próprio sistema natural já cumpriram seu papel, reutilizando calhas de lâmpadas como estantes que acolhem os vasinhos de flores, comedouros para os passarinhos que aqui circulam, pneus viraram canteiros de ervas e suporte para as pitayas.

Plantamos verduras, flores, frutas, mandioca, inhame, bananeiras, madeiras de lei… Iniciamos a organização do nosso museu histórico para registrar a memória dos anos passados por muitas jovens que aqui viveram no internato para estudar, ter uma base de fé e se preparar para vida.

Fizemos mutirão de limpeza dos regos d’água do cerrado e manejo da mata próximo a essa água, tirando os paus secos caídos e devolvendo-os à terra para que sirvam de adubo, tornando-a mais fecunda; definimos trilhas nesse espaço, proporcionado às pessoas um passeio meditativo e contato direto com a mãe natureza e fizemos cercas de proteção para as nossas nascentes.

No caminho de acesso ao rio São Lourenço, recolhemos lixo dos restos de construção, definimos estrada de acesso e contribuímos no manejo natural da natureza.

Plantamos, podamos plantas que já cumpriram sua missão no sistema natural, deixando seus galhos e folhas no chão para que tornem o solo ainda mais fértil e fizemos colheita de comida nos nossos cinco Safs (sistemas agroflorestais Sintrópicos).

No momento presente, vivemos, como grupo, um tempo de novo aprendizado, trilhando caminhos já percorridos por grupos que estão fazendo alfabetização ecológica como seguidores das observações e experiências do mestre Ernst Götsch. Nosso aprendizado vai também acontecendo na observação do tempo, das plantas, dos animais, dos organismos vivos, presentes em todos os processos da natureza que tornam os solos férteis e produtivos.

Os solos são formados pelo trabalho de toda natureza, que através da vida e mesmo pela transformação das rochas de um determinado local, acrescenta matéria orgânica. Deste trabalho, incrivelmente perfeito, participam a chuva, o sol e um número incontável de seres como plantas, micróbios, minhocas formigas, tatus e aves.

A terra coberta fica mais fofa, muda de cor e fica fresca, a floresta cresce e, aos poucos, vai se transformando num sistema de abundância.

Agora um pouquinho de literatura dessa agricultura milenar para aguçar nossos conhecimentos e possibilitar pontos de reflexão que nos convidam à mudança de atitude:

1. Carta Encíclica ‘Laudato Si’ – Papa Francisco… “LAUDATO SI, mi Signore – Louvado sejas, meu Senhor!”, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa Casa Comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras”.

2. “Agroflorestando o Mundo de Facão a Trator” – Gerando práxis agroflorestal em rede que já une mais de mil famílias campesinas e assentadas. Autores: Nelson Eduardo Correa, Namastê Maranhão Messerschmidt, Walter Steenbock, Priscila Facina Monnerat.

Para finalizar nossa reflexão, @s convido a rezar e refletir através desta poesia de Davi Yanomami, retratando tão claramente a realidade sofrida da nossa mãe Natureza:

“Quando a Floresta está nua, desprotegida,

Mofokari, o ente solar, queima os igarapés, e os rios.

Ele os seca com sua língua de fogo e engole seus peixes.

E quando seus pés se aproximam do chão da floresta,

ele endurece e fica ardendo.

Nada mais pode brotar nele.

Não tem mais raízes e sementes na umidade do solo.

As águas fogem para muito longe.

Então, o vento que as seguia e nos refrescava como um abano

se esconde também.

Um calor escaldante paira em todos os lugares.

As folhas e flores que ainda estão no chão ressecam e encolhem.

Todas as minhocas da terra morrem.

O perfume da floresta queima e desaparece.

Nada mais cresce.

A fertilidade da floresta vai para outras terras”.

(Sabedoria ancestral indígena sobre a floresta e o clima, sabiamente expressa por Davi Kopenawa no prefácio do livro Urihi, a Terra-Floresta Yanomami).

Nós estamos fazendo nossa parte no cuidado com a Casa Comum. E você está fazendo a sua? Porque a terra não nos pertence, somos nós que pertencemos à terra!

Irmã Edilúcia de Freitas

Fonte: Irmãs Catequistas Franciscanas

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