Entrevista: Francisco de Assis e os estigmas no mundo de hoje, com Irmã Maria Concebida, IMSC

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IRMÃ MARIA CONCEBIDA GOMES, IMSC

Natural de Brejo Santo, CE. Está como Delegada da Madre Geral. Acompanha 03 comunidades religiosas, duas no Maranhão e uma no Piauí. Dentre os serviços pastorais integra liturgia, catequese, pastorais e movimentos além de assistência aos enfermos. Pertence à Congregação das Irmãs Franciscanas Mínimas do Sagrado Coração.

1. Nos últimos dois meses, vivenciamos a Campanha da Fraternidade, no esforço para conscientizar-nos e superar tantos estigmas que debilitam a Fraternidade e a Amizade Social. E estamos celebrando o oitavo centenário dos Estigmas de São Francisco de Assis. Ao conceituarmos estigma, quais as semelhanças e diferenças mais fortes entre o tempo de Francisco de Assis e hoje?

No tempo de Francisco existia o estigma da hanseníase. Por meio de seu amor, soube dar uma resposta amando e cuidando desses irmãos e irmãs com amor de mãe.

Hoje em nossa sociedade existem outros estigmas, muito difíceis: a indiferença, tanto em relação a Deus como aos irmãos; o racismo institucional; a exclusão de quem é diferente. E nós, cristãs franciscanas e cristãos franciscanos, devemos dar nossa resposta hoje a exemplo de nosso Pai Francisco, praticar o cuidado e a inclusão.

2. Dentre as passagens sobre os Estigmas de Francisco de Assis, qual recebe o seu destaque e por qual motivo?

O relato em que ele expressa seu amor tão grande por Jesus, que desejava sentir a mesma dor que Ele sentiu em sua Paixão e no coração, o mesmo amor pela humanidade. O motivo é que o Amor é o elemento fundamental em nossa vida.

3. Como mulher franciscana e atuante no Nordeste, em sua realidade de missão, quais estigmas são evidentes e necessitam de superação?

Pelas minhas experiências, visitando e acompanhando as famílias, vejo que o maior dos estigmas que precisa ser superado é o vício das drogas e o alcoolismo, causadores de violências, pobreza e mortes nas famílias.

4. A celebração dos centenários de Francisco de Assis nos estimulam como Família Franciscana a contribuir em nosso tempo com a Sociedade, o Ambiente de Trabalho e Voluntariado, os Direitos e Valores Humanos, a Igreja e Nossa Casa Comum. Em quais direções o testemunho de Francisco gera incômodo atualmente?

Sem nenhuma sombra de dúvida, “a Casa Comum”, pois todos sabemos que o cuidado com a Casa Comum é vital para nós e pouco ou quase nada se faz, além da indiferença frente à degradação em nome da ganância.

5. O lema da CF 2024: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8) e os oitocentos anos dos Estigmas, as feridas de Cristo, as feridas de Francisco, as feridas que o nosso mundo sofre hoje, as feridas que cada pessoa carrega consigo, que desafios e perspectivas nos estão fazendo no elemento central de nosso carisma franciscano, a fraternidade?

Vejo como um grande desafio o cultivo do amor fraterno, da amizade social, da fraternidade universal, pois nossa sociedade se tornou muito violenta. Como perspectiva, destaco o que a Igreja, nossa Mãe, sempre está nos mostrando, o caminho do seguimento e ser Igreja em saída para formar discípulas e discípulos missionários, testemunhas do Senhor Ressuscitado.

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