Fórum Diálogos vai comemorar 9 anos de fundação em evento inter-religioso, em Olinda

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Último encontro presencial do Fórum Diálogos, em janeiro de 2020, na Sinagoga Kahal Zur Israel, para celebração do Dia Mundial das Religiões e do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. (Divulgação)

O Fórum Diálogos – Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco – vai comemorar seus 9 anos de fundação durante o Encontro Ecumênico e Inter-Religioso que será realizado no dia 13 de novembro, no Convento São Francisco, em Olinda. O evento, organizado pela Arquidiocese de Olinda e Recife, em parceria com o Fórum, reunirá representantes de distintos ramos religiosos e convidados especiais para fortalecer laços entre as instituições e disseminar mensagens de amor, justiça e paz para toda a sociedade.

O intuito do Fórum Diálogos, desde a sua criação em 2012, é combater a intolerância e dar visibilidade às práticas de respeito à diversidade religiosa e às experiências de diálogo inter-religioso existentes em Pernambuco. O encontro de novembro marcará a primeira atividade presencial do Fórum Diálogos neste ano, que, por conta da pandemia de Covid-19, tem feito as reuniões mensais virtualmente.

Segundo Floridalva Cavalcanti, representante ligada às tradições do budismo tibetano em Pernambuco e membro da comissão executiva do Fórum, a retomada das atividades presenciais do coletivo é de fundamental importância para uma maior conscientização da sociedade sobre a necessidade da intolerância religiosa, da disseminação do respeito às diversidades e do cultivo da cultura de paz.

“Entendemos a importância de restabelecer o senso de equilíbrio e o senso de propósito de vida. O Fórum Diálogos se mantém firme para manter a chama acesa em nome da diversidade e do bom convívio, do cuidado com a mente. Agora, as pessoas voltam com uma enorme vontade de congregar presencialmente, e é nossa missão levar a todas elas esses exemplos de amor, respeito e união”, declarou Floridalva.

O tema do encontro deste ano tem como base o Salmo 85 da bíblia, que diz: “A verdade e o amor se encontrarão, a Justiça e a Paz se abraçarão”. 19 membros de entidades religiosas já confirmaram presença, garantindo representações do cristianismo; judaísmo; islamismo; Fé Bahá’í; candomblé; jurema; umbanda; Hare Krishna; espiritísmo; Wicca; e dos sem religião.

De acordo com o Frei Faustino dos Santos, da Ordem dos Frades Menores (OFM), a finalidade do Encontro Ecumênico e Inter-Religioso será abrir a discussão acerca do esforço comum dessas duas dimensões para a promoção do bem comum. “Cada religião levará uma representação, então cada membro terá um tempo determinado para especificar como a sua religião se torna, na prática, uma promotora da justiça e da paz”, afirmou.

O início do evento está marcado para acontecer na manhã do dia 13 de novembro, às 9h, e será transmitido na internet, através do canal no YouTube da Arquidiocese de Olinda e Recife. As pessoas que quiserem participar presencialmente precisarão entrar em contato com o Convento São Francisco, para que os organizadores tenham ideia da capacidade que o espaço ainda tem para acolher. “Também serão consideradas as questões da higienização e do distanciamento, por isso não pode ser um evento com muita gente”, explicou o frade.

Efeitos da pandemia

De acordo com Frei Faustino, o Encontro Ecumênico e Inter-Religioso costuma acontecer, anualmente, nas mediações da festa de São Francisco de Assis, símbolo católico de paz e de diálogo inter-religioso e ecumênico. No entanto, por complicações da pandemia do novo coronavírus, o encontro não pôde ser realizado no período tradicional, tendo a data alterada para o dia 13 de novembro, coincidindo com o aniversário de fundação do Fórum Diálogos.

A última participação presencial do Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco aconteceu no dia 22 de janeiro de 2020, na Sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife, para celebração do Dia Mundial das Religiões e do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para Floridalva, o contato mais aproximado com as pessoas é capaz de potencializar a divulgação das lições aprendidas e pregadas pelo coletivo de lideranças religiosas, como: abrir-se ao diálogo; conhecer para respeitar; educar sobre a paz e a felicidade genuína; ser o exemplo para a mudança e a paz no mundo.

“De fato, todo mundo está buscando o amor e a transcendência por métodos diferentes. Assim a gente vê – a diversidade é uma riqueza, não um problema – as visões diferentes são muito importantes, porque a religião única vai contra a natureza, pois a realidade humana é plural, o problema está na monocultura, que é devastadora para a vida”, expressou Floridalva.

Próximas ações

Além da participação no Encontro Ecumênico e Inter-Religioso, o Fórum Diálogos também participará do 3° Seminário Espiritualidades Contemporâneas, Pluralidade Religiosa e Diálogo, que será realizado, de forma online, pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), de 17 a 19 de novembro. O seminário reunirá pessoas e entidades para debater sobre os Desafios dos Fundamentalismos Religiosos.

De acordo com as informações do Grupo de Estudos responsável pela organização, o seminário de 2021 “almeja contextualizar uma onda de religiosidade reacionária, buscando aprofundar o seu significado e apontar pistas para a sua terapeutização, desde um princípio teórico pluralista e dialogal”, afirma o comunicado. As inscrições são gratuitas para estudantes e militantes envolvidos com a temática, e podem ser feitas no portal da Unicap.

Outra ação do Fórum Diálogos visa a criação, para o próximo ano, de um calendário especial, que busca ressaltar as datas mais importantes das diversas tradições religiosas de Pernambuco que participam do Fórum. Floridalva Cavalcanti destacou a importância das tradições espirituais, principalmente nos momentos de maior dificuldade.

“As tradições espirituais são muito importantes para a saúde mental e espiritual das pessoas. Durante a pandemia, as pessoas se sentiram mais convidadas a olhar mais profundamente para as questões da busca pela transcendência, além das coisas do mundo comum. O próprio ser anseia essa transcendência, e isso abre múltiplos caminhos de autoconhecimento e de religação com o que há de maior e que segue após as gerações”, afirmou.

Fonte: Diário de Pernambuco

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