Franciscanos e Pastorais Sociais refletem sobre as contradições da reforma da previdência

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“Se a proposta de reforma da Previdência do governo for aprovada, o país quebra”. A afirmação é da auditora aposentada da Receita Federal, Maria Lúcia Fattorelli, em debate sobre a proposta atual da reforma da Previdência. A maior parte da “economia” que a reforma propõe sairá dos mais pobres.

Segundo Fattorelli, o país enfrenta um cenário de crise fabricada, cuja causa principal é a política monetária do Banco Central e não as despesas sociais do Estado. O Banco Central, ao pagar altos juros aos bancos, concentra os recursos no mercado financeiro, dá grandes ganhos a ele, mas impede a circulação do capital e inibe o crescimento da economia.

Além disso, no modelo de previdência atual, as contribuições de trabalhadores, empresas e tributos do governo financiam os gastos com as aposentadorias. Na Previdência privada e na capitalização, só o trabalhador contribuirá. O empregador vai contratar alguém que opte pela previdência pública? Claro que não; nenhum empregador vai querer contribuir. A consequência é que os trabalhadores, que hoje sustentam o INSS, irão para a capitalização, pagando para o banco privado, e o INSS vai falir, com milhões de idosos desamparados que não conseguirem pagar a sua própria capitalização. E 70% dos municípios brasileiros têm mais recursos advindos de benefícios da Seguridade Social do que o repasse do governo federal, se esta for desmontada, vai quebrar toda a economia.

A coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Fattorelli, participou de evento sobre a reforma, realizado no Centro Pastoral São José, em São Paulo, no dia 18/06/2019. O debate foi organizado pela comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Franciscanos Capuchinhos, pela JPIC dos Franciscanos, OFS/JUFRA, Família Franciscana, Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, Escola de Fé e Política Waldemar Rossi, Comissão Justiça e Paz de São Paulo, Centro Santo Dias de Direitos Humanos, Fórum das Pastorais Sociais da Região Belém e Campanha Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais.

Segue o vídeo da parte expositiva da conferência no Centro Pastoral São José no dia 18 de junho:

 

Por Frei Marcelo Toyansk (Conferência CCB)

Fonte: Capuchinhos do Brasil /CCB

 

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