FRANCISCLAREANDO: Cuidar da Vida – Cuidar do Mundo

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“E há que se cuidar da vida, e há que se cuidar do mundo”. (Milton Nascimento / Veiga Wagner Tiso)

Esta canção nos emociona e envolve há muitos anos, talvez sem que advirtamos o profundo chamado que nos faz. Cuidar da vida, cuidar do mundo – um grito que, na pequena Assis/Itália, Francisco escutou com seu inteiro ser, sentir e agir.

Tomás de Celano, o primeiro biógrafo, nos lega este precioso testemunho: “Quem poderá descrever o seu inefável amor pelas criaturas de Deus e a doçura com que nelas admirava a sabedoria, o poder e a bondade do Criador? … até pelos vermes tinha afeição, recordado da Escritura, que diz do Salvador: «Eu sou um verme e não um homem!» Por isso os retirava do meio do caminho para lugar seguro, para que não fossem esmagados pelos que passavam. … durante o inverno, para as abelhas não morrerem de frio, queria que lhes servissem mel e vinho do melhor. …” (cf. 80, 4-8). E prossegue: “…Quando encontrava muitas flores juntas, pregava-lhes e convidava-as a louvarem o seu Senhor… O mesmo fazia diante dos trigais e dos vinhedos, dos rochedos e das florestas, das belas paisagens ridentes, das fontes, dos jardins, da terra e do fogo, do ar e do vento, convidando-os com simplicidade e pureza de alma a amarem e a louvarem o Senhor. A todos os seres chamava irmãos. Com penetrante intuição lograva descobrir … o mistério das criaturas …, pois gozava já da gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (cf.1Cel 81, 3-5).

E como esquecer a belíssima canção que, desde a Idade Média, ecoa pelos séculos, pelo mundo e ecoa entre nós, sempre que nosso coração transborda de gratidão. Considerado a mais bela composição da literatura italiana, o Cântico das Criaturas de Francisco, é uma liturgia em honra ao Autor de tudo o que vive e respira. Este hino tem uma estrofe dedicada “àqueles que perdoam pelo teu amor, e enfermidades e tribulações suportam…”. É a vida ferida que ele tem no coração, que move sua ação em favor dos irmãos.

Estranhamente, Clara, desde sua infância, tão solícita e atenciosa com a vida ameaçada, não faz nenhuma referência ao meio ambiente em seus escritos, porém, no Processo de Canonização, uma das testemunhas relata: “…quando a santíssima madre enviava as irmãs externas fora do mosteiro, as exortava a louvar o Senhor pelas árvores belas, floridas e frondosas e que, ao olhar os seres humanos e as outras criaturas, louvassem sempre o Senhor, por todas e em todas as coisas” (PC 14,9).

Talvez pareça forçado incluir neste tema a forma como como se referia a si mesma – “plantinha de São Francisco”. Poderia te escolhido outra forma. Somos livres de pensar diferente. Clara, certamente, tão contemplativa, que tão entranhadamente comunga com Francisco, tinha esta dimensão em sua vida, mas ela, vivendo na clausura, e centrada na contemplação do Cristo pobre e crucificado, não viu a necessidade de se ocupar deste aspecto da espiritualidade franciscana em seus escritos. Francisco já o havia feito por ambos.

Na Encíclica Laudato Si, cujos 05 anos estamos celebrando, o Papa Francisco não só toma emprestado do Cântico do Sol o título para sua importante encíclica, mas reitera o apelo que ele faz e nos lembra que hoje, o louvor tem o nome de cuidado. Hoje, louvar implica cuidar: do nosso planeta gravemente enfermo, da natureza saqueada; da vida humana ameaçada, especialmente dos mais frágeis e esquecidos. Nesta semana, celebramos o Dia do Meio Ambiente. Deverá ser uma celebração marcada por dois sentimentos e atitudes: agradecer, pela terra que nos abriga e sustenta; pedir perdão pelas feridas que causamos a esta mãe generosa, “a mais oprimida e devastada” (LS 2). E não só à terra, mas à agua, ao ar, a toda a atmosfera, ao planeta como corpo vivo.

Celebremos com consciência francisclariana, celebremos agradecidas e penitentes este Dia do Meio Ambiente. Celebremos, mudando e ajudando a mudar hábitos e atitudes que ferem nossa Mãe Terra, nossa casa comum. Que possamos avançar no processo de conversão do conforto para o cuidado, para o louvor feito amor cuidadoso.

“Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas”

Irmã Maria Fachini – Catequista Franciscana

Fonte: Irmãs Catequistas Franciscanas

 

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