Francisclareando – Escutar com o coração

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Fevereiro – mês da apresentação da “Luz que ilumina as nações todas/ da salvação o resplendor”. Mês da Vida Consagrada chamada a ser luz, a ser abraço, a ser amor no coração da humanidade, “chamada a abraçar a terra, a acolher o humano, a encarnar-se solidariamente em todo contexto em que os/as mais pobres se aferram a sua porção de esperança e lutam por sua dignidade” (CLAR). Como nos recorda o Papa Francisco, seremos fiéis a esta missão colocando-nos “no dinamismo da escuta recíproca”, aprendendo a escutar o coração, a escutar com o coração: escutar o diferente, escutar ativamente, escutar conjuntamente para caminhar sinodalmente.

Ao escutar e agir guiadas/guiados pelo coração arraigado no coração de Deus, não andaremos longe de quem necessita de nosso ouvido, de nossa mão, de um lugar em nosso coração.

Quando dizemos que Francisco escutou o Crucificado dizendo-lhe: “Reconstrói a minha Igreja”, estamos dizendo que escutou com coração compassivo ao Crucificado e aos crucificados, escutou a “Igreja em ruínas”, escutou amorosamente irmãos e irmãs e seu agir foi resposta de amor a esta escuta amorosa.

Em seu testamento ele nos deixa o testemunho: “E o Senhor mesmo me conduziu entre eles (os leprosos), e fiz misericórdia com eles” (Test 2). “O Senhor me deu tanta fé nos sacerdotes que vivem segundo a forma da santa igreja romana, que se me perseguirem quero recorrer a eles” (Test 6). “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho” (Test 14).

Clara encerrou-se na estreiteza sagrada de São Damião e aí aprendeu, no silêncio, a aguçar os ouvidos do coração, para escutar os segredos amorosos de Deus.

Ela sabe escutá-lo no gemido dos pobres, nas necessidades de suas irmãs: “Que a abadessa console as aflitas. Seja refúgio final para as atribuladas” (RSC IV,12). Sabe escutá-lo na contemplação dos sagrados mistérios: “Depois de Completas, prolongava o tempo de oração com as outras irmãs e não raras vezes terminava em rios de lágrimas, provocando-as também nas outras. E, enquanto as outras irmãs repousavam, em duras camas, os corpos cansados, ela permanecia firme e desperta na oração. Enquanto as outras caíam em sono profundo, ela continuava em oração, desperta e infatigável para captar então, furtivamente, os murmúrios divinos” (LSC 19,3-4).

Uma forma de escutar que ela tinha por norma e prescreveu para todas as que viriam depois, era escutar a voz de suas irmãs: “Pelo menos uma vez por semana, a abadessa tenha que convocar suas Irmãs para um capítulo. Tratem aí o que for necessário para a utilidade e o bem do mosteiro, porque muitas vezes, o Senhor revela à menor o que é melhor” (RSC IV, 15.17-18).

Clara de Assis, ensina-nos tua escuta amorosa do Senhor, das irmãs e irmãos. Francisco de Assis, ajuda-nos a escutar com o coração, ajuda-nos a ouvir o coração de toda criatura e sintonizar com o canto de cada uma, ajuda nosso coração a pulsar ao ritmo do coração da Criação, o ritmo do coração de Deus. Amém.

Por Irmã Maria Fachini – Catequista Franciscana

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