Irmãs Catequistas Franciscanas no Caminho do Discernimento Comunitário

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“Passo a passo, pouco a pouco e o caminho se faz.”

Na tarde do último domingo, 22 de agosto, mais um passo foi dado na caminhada do processo de reorganização congregacional. Fomos convidadas aprofundar o tema do discernimento comunitário, em um encontro online, mediado por irmã Rosali Paloschi e assessorado por frei Vanildo Luiz Zugno, OFM Cap, e irmã Suzana Rocca, MCR.

O encontro teve início com um momento orante, animado pelas fraternidades de Itajaí e da Sede Geral. Invocamos a Divina Ruah, pedindo que nos conduza no processo de reorganização e nos conceda energia, ousadia, profecia…

Em sua reflexão, frei Vanildo teve o Concílio Vaticano II como baliza ao apontar caminhos para a vivência dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Os votos, disse ele, são de Deus e para os outros; são um sinal escatológico para a Igreja e para o mundo; tem uma dimensão profética porque denunciam o que no mundo é contrário ao projeto de Deus e anunciam que “outro mundo é possível” aqui e agora! Portanto, só podem ser bem vividos dentro dos desafios da realidade.

Os votos não negam a humanidade de quem os faz, mas a potencializam, são uma ferramenta para sermos mais humanos/as; estão a serviço do resgate da humanidade negada a tantas pessoas. Traduzindo para uma vivência concreta e atual, o voto de pobreza é denúncia da cultura do descarte, convite à sobriedade, à partilha e ao compromisso com os empobrecidos. O voto de obediência requer um treino para a escuta dialogal e estruturas de escuta e participação. Na expressão do Papa Francisco, é vivência da sinodalidade; de uma espiritualidade da diversidade reconciliada em todos os sentidos e âmbitos do diferente. O voto de castidade é uma denúncia do desejo de posse da outra pessoa e a valorização da dignidade presente em todas.

Essa visão sobre os votos religiosos, profundamente conectados à realidade, tem nesse momento particular importância, pois é sinalizam para a fidelidade que buscamos ao fazermos as opções que a reorganização da congregação exige.

Irmã Suzana retomou a importância da escuta dialogal. Esta permite que todas as vozes possam se expressar com liberdade interior. Daí a importância de espaços de escuta, abertura a acolher as diferenças, as diversas visões. A escuta é romper com a cultura do autoritarismo, das polarizações e acreditar que a unidade na diversidade é possível.

Como já o fez em outras oportunidades, irmã Suzana sinalizou que a entrega pelo Reino não passa pela desumanização. Ao contrário, precisa da nossa liberdade, de nossos pensamentos, ideias e afetos e não de uma exagerada preocupação e de achar que tudo depende de nós, colocando em risco nossa alegria e até mesmo nossa saúde. Faz-se necessário confiar na graça de Deus pois é ela que abençoa e fecunda. Vamos juntas sustentar o processo com esperança e paz. Paz e bem! Não loucura para fazer o bem! Vamos em paz!

Irmã Rosali encerrou o encontro animando todas a continuarmos e lembrou a poetisa Cora Coralina: “tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça”.

Que a Divina Ruah nos inspire, fortaleça e anime nessa caminhada!

Por: Irmãs Ana Cláudia Rocha e Eva Teresinha dos Santos

Fonte: CICAF

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