O Hábito Franciscano – III

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Hábitos dos noviços da turma 2019

O modo de vestir-se revela o que amarramos em nós: “Mas, fazendo para si uma túnica muito desprezível e rústica, tendo deposto a correia, tomou uma corda por cíngulo” (LTC 25,5). O modo de vestir-se mostra quem somos, mesmo que isto cause um impacto no comum considerado normal: “Todos aqueles que os viam se admiravam muitíssimo, pelo fato que, no hábito e na vida, eram diferentes de todos e pareciam quase que homens selvagens” (LTC 37,4).

O modo de vestir-se mostra a identidade dos que caminham juntos: “E porque o bem-aventurado Francisco muito amava a pura e santa simplicidade em si e nos outros – e ela sempre lhe comprazia -, logo que o vestiu com o hábito da religião, levava-o como seu companheiro. Ele era, pois, de tão grande simplicidade que acreditava estar obrigado a fazer tudo o que o bem-aventurado Francisco fazia” (CA 61,19).

A veste é um sinal externo de uma opção de vida: “Estavam contentes com uma só túnica, remendada às vezes por dentro e por fora; nela nada havia de enfeite, mas se manifestavam muito desprezo e vileza, para que nela eles parecessem completamente crucificados para o mundo. Cingidos por uma corda, trajavam calções baratos e tinham o piedoso propósito de permanecer em todas as coisas sem nada possuir. Por esta razão, estavam seguros em toda parte, não apreensivos por temor algum, não distraídos por qualquer cuidado, sem qualquer preocupação esperavam o dia seguinte e, colocados frequentemente em grande perigo de viagem, não ansiavam sobretudo com relação à hospedagem da noite” (1Cel 39, 6-8).

O hábito franciscano tem toda a sua força de significado a partir de tantos textos das Fontes. Aqui citei apenas algumas narrativas que querem mostrar que ele, mais do que uma veste é uma marca profunda deixada no corpo e na alma: “Na verdade, leva-nos a perceber isto com fé e piedade não somente o ofício que ele teve de chamar ao pranto e à lamentação, e raspara a cabeça e vestir o cíngulo de saco e de marcar um Tau nas frontes dos homens que gemem e sofrem com o sinal da cruz da penitência e do hábito em forma de cruz, mas também o confirma com irrefragável testemunho da verdade o selo da semelhança do Deus vivo, a saber do Cristo Crucificado, selo que foi impresso no corpo dele não por virtude da natureza ou por destreza de algum artifício, mas antes por meio do admirável poder do Espírito do Deus vivo” (LM 2,2-4).

Continua…

Por Frei Vitório Mazzuco

Fonte: Blog Frei Vitório Mazzuco

 

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