O Hábito Franciscano

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Na cultura medieval, a veste não diz respeito ao corpo, mas ao espírito que recobre a escolha e o lugar onde se está. Nobres, plebeus, camponeses e pobres tinham modos de vestir diferenciados. Para o mundo medieval não existe o vestir, mas algo mais abrangente que é a investidura. Investir-se é revestir-se de uma missão e deixar que valores, princípios e virtudes tomem conta da corporeidade. A veste monacal é consagração. A armadura cavaleiresca é honra. A veste do camponês é de natural praticidade. As castas sociais distinguiam-se pelo tom das cores, sinais de espaços privilegiados.

Não é à toa que nas Fontes Franciscanas temos dezenas de citações sobre o hábito vestido por Francisco de Assis e seus companheiros da primeira hora. O hábito franciscano não se distingue pela cor, mas pela bela expressiva simplicidade. Atrai pela tradição e pela bênção que significa. Na origem era uma túnica em forma de cruz, totalmente despojada como a veste dos pobres, dos mendicantes e dos que trabalhavam com a terra. Francisco também investiu-se da dimensão religiosa de ação e contemplação eremítica: “Neste tempo, trajando um hábito parecido com o eremítico, cingindo uma correia e portando um bastão, andava com os pés descalços” (1Cel 21,5).

Francisco era um peregrino que levava apenas a leveza da liberdade. Estava revestido de uma força espiritual e isto era tudo. ”Retornando à igreja de São Damião com alegria e fervor, fez para si um hábito à semelhança do hábito eremítico” (LTC 21,2). O filho de Pedro Bernardone faz uma troca radical; das vestes ricas que usava como ostentação do status do poder de sua família, agora coloca a túnica simples dos que procuram lugares para o recolhimento e dali sair para mostrar o que habita na profundidade das convicções. Seus primeiros companheiros, Bernardo de Quintavalle e Pedro de Catani, “tendo abandonado tudo, ambos receberam ao mesmo tempo o hábito, que pouco antes o santo adotara depois de ter deixado o hábito eremítico, e a partir daquela hora viveram juntamente com ele segundo a forma do santo Evangelho que lhes fora revelado pelo Senhor. E, por esta razão, o bem-aventurado Francisco disse em seu Testamento: ”O Senhor mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho” (LTC 29,11).

Fonte: Blog Frei Vitório Mazzuco

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