O que são as ordens mendicantes da Igreja, que cuidam dos pobres desde a Idade Média

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Obra de Domenico Ghirlandaio, feita no século 15, retrata o que seria a confirmação da ordem franciscana junto ao Vaticano
Legenda da foto, Obra de Domenico Ghirlandaio, feita no século 15, retrata o que seria a confirmação da ordem franciscana junto ao Vaticano

A Europa atravessava um momento de transição naquele período, o fim da chamada Baixa Idade Média. Depois do feudalismo rural ter experimentado seu auge, burgos começavam a ganhar espaço em um movimento de urbanização em que a velha divisão entre servos que trabalham, nobres que guerreiam e religiosos que rezam era insuficiente.

Uma classe de comerciantes, ainda incipiente, começava a ser visível. Ao mesmo tempo, pela própria natureza da organização da vida em cidades, a pobreza deixava de ser uma chaga escondida e passava a ser perceptível nos espaços públicos.

Para historiadores, este contexto foi o causador do surgimento das chamadas ordens mendicantes, organizações dentro da Igreja Católica que existem até hoje — entre as mais famosas estão os franciscanos e os dominicanos. Isto porque, para muitos religiosos de então, não fazia mais sentido a ideia de um religioso enclausurado, em um mosteiro distante no alto de uma montanha. Para eles, a Igreja não deveria se esconder dos problemas do mundo, mas sim ir de encontro a eles.

“Essas ordens surgem num momento de mudança do mundo rural, em que o mosteiro é uma unidade autônoma, longe das tentações do mundo, para a vida urbana”, explica o historiador Alex Catharino, professor na Fundação da Liberdade Econômica. “É um momento de mudanças não apenas sociais, mas também artísticas, culturais e intelectuais.”

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