Pão da Solidariedade: como isso nos afeta?

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No início deste ano, com o desejo profundo de responder às demandas da contemporaneidade, os franciscanos e trabalhadores da Ação Social Franciscana – SEFRAS, reorganizaram sua estratégia de combate à fome, por meio do Projeto Pão da Solidariedade, que une qualificação dos espaços de alimentação e experiências solidárias com parceiros, doadores, escolas e universidades.

O nome é inspirado na longínqua tradição do Pão dos Pobres, historicamente atribuído a Santo Antônio, quando o santo fez prover pão para os pobres que batiam às portas do Convento, partilhando o pouco que tinham à disposição no refeitório. Conta a tradição, que o pão foi sendo multiplicado à medida que ia sendo partilhado, permitindo que todos – frades e pessoas empobrecidas – pudessem se alimentar com tranquilidade.

Neste momento, que estamos colhendo os primeiros frutos desta iniciativa, ao passo que nos preparamos para novas empreitadas, procurei direcionar o meu olhar para as centenas de pessoas que todos os dias, em tantos lugares, são afetadas por este projeto de gestão da alimentação e engajamento comunitário em torno da mesa, da comida, do pão. Pessoas essas que estão em situação de rua, que são idosos, crianças e adolescentes, que estão imigrando, como refugiadas, que estão nas comunidades e nos grandes centros urbanos, tantos acometidos pela fome, alguns pela Hanseníase.

Fiquei pensando no que significa celebrar os primeiros seis meses do Projeto Pão da Solidariedade, do SEFRAS, para além de orçamento, metas, números, entregas, articulações. Fiquei pensando nos doadores, nos professores, nos estudantes, nas escolas e universidades, mas também nas Paróquias, na Sinagoga, no Terreiro. Pensei na invisibilidade de tanta gente e também na visibilidade da comida invisível, da fome visível, nessa gente que está trabalhando para que o nosso “prato” esteja “cheio”. Por aqui até o “capim” é “santo”! Pensei na cadeia de alimentos! Pensei na Frente Nacional, nos pactos, coletivos, nas publicações, livros e revistas. Pensei na desigualdade… Pensei na esperança… Mas anda tão difícil, resolvi pedir ajuda. Evoquei Francisco de Assis, Antônio de Pádua, Josué de Castro, Carolina Maria de Jesus, que aqui pertinho de nós, viveu. Pensei em Paulo Freire, mas também em outro Paulo, o Evaristo Arns, para o qual olhamos seu retrato todos os dias ao ingressar na Sede Administrativa. Pensei nas Brunas e Gabrielas, que lutam pela segurança alimentar e nutricional de nossa gente. Pensei no milagre do pão, que do trigo amassado e destruído, alimenta, reúne em torno da mesa e gera vida.

Como é bom ter um projeto! Como é bom projetar! Para além das metas, planos, objetivos e orçamentos. Pensei nas Tendas Franciscanas. Pensei nas Casas que estão no Peri, no Belém, no Glicério, na Sé, na Bela Vista, em Mogi e Pinda, mas também, lá na beira do Morro Providência, em Caxias e Tanguá, lá no alto do Oswaldo Cruz. Casas de Francisco e Clara, Casas dos Pobres e dos Povos. Casas da Solidariedade que é pão partilhado.

Projeto é desejo, intenção de fazer ou realizar (algo) no futuro: fazer Teias da Solidariedade! Construir um Futuro Sem Fome!

Vamos começar? Porque até agora pouco ou nada fizemos!

Autor: Vinícius de Menezes Fabreau

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