Reflexão: A pandemia que não para de contabilizar os seus mortos

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O Brasil iniciou a vacinação para o combate da Covid-19, entretanto, apenas 3% da população foram imunizados e ainda há problemas das variações do vírus e também da morosidade na compra de novas vacinas. O Brasil fracassou no enfrentamento à pandemia da Covid-19. Infelizmente é um dado trágico da nossa sociedade que sofre com os problemas governamentais que não se compromete com o cuidado de todos. Diante disso, além de não ter conseguido evitar a pilha de corpos, que já ultrapassa os 260.000 mortos, há uma indiferença de uma parcela da sociedade brasileira com a dor do outro.

Aos 3 de agosto de 2020 eu escrevia sobre os dados alarmantes da pandemia. Naquela data já totalizávamos mais de 90.000 mortos e o recorde era de 1.664 mortos em apenas um dia. Entretanto, os números não param de subir e, aos 5 de março de 2021, ou seja, 7 meses depois, já estamos na marca de 260.970 mortos e atingimos novo recorde: 1.910 mortos em 24 horas.

Os números não param de subir e não se vê nenhuma mobilização dos líderes do Governo para conter, de forma efetiva, o avanço deste vírus. Há uma política negacionista que não acredita no vírus e na sua forma letal.

A BBC News publicou uma reportagem, dia 5 de março de 2021, com o título: “Coronavírus: Por que vacinação sem lockdown pode tornar Brasil ‘fábrica’ de variantes superpotentes”, nos alerta que o “início da vacinação com transmissão descontrolada da covid-19, pode tornar o país uma “fábrica” de variantes potencialmente capazes de escapar por completo da eficácia das vacinas”.

Tal afirmativa é apresentada mediante a realidade do “contato entre vacinados e variantes que propicia o aparecimento de mutações “superpotentes”, capazes de driblar totalmente a ação do imunizante. Entretanto, não encontramos nada de forma eficiente no combate a este vírus, uma vez que a vacinação aqui ocorre a passos lentos e não há demonstração de melhorar ao longo dos meses.

Na mesma reportagem há um dado alarmante. No dia 24 de fevereiro de 2021, o Brasil conseguiu um novo recorde: a Organização Mundial da Saúde apontou que foram registrados 59,9 mil casos de Covid-19 no Brasil no período de 24 horas, superando o caso dos Estados Unidos que tiveram um pico de 57,8 mil.

É preciso atrelar o conhecimento científico dos especialistas aos líderes nacionais para que se possa fazer algo pela população. É preciso levar a sério o que estamos vivendo. Na atual pandemia, primeiramente, é imprescindível salientar que não são somente números, mas sim vidas humanas e histórias que se perderam. Por isso, analisar a pandemia da Covid-19 se torna urgente, pois devemos estar preocupados com o próximo e acolhê-lo na sua dor.

O Brasil, carente de liderança, principalmente voltada para a saúde, tem se mostrado despreparado para enfrentar a pandemia. Mediante aos constantes esforços, muitas vezes solitários dos profissionais da saúde, vemos um descredito dos líderes e a das autoridades públicas.

Não podemos nos acostumar com as mortes, nem ignorar as vítimas desta pandemia. As dores dos que perderam algum membro da família e as injustiças corroboram para um aumento da agonia. Não podemos negar os fatos e é preciso ter presente a dignidade da vida humana: vidas importam!

A vida é o dom mais precioso. Hoje, diante dessa pandemia, temos de lutar por e pela vida. Ela não pode ser tratada como uma mercadoria, como algo descartável diante da lógica capitalista. A vida não pode ser reduzida a uma moeda de troca, não pode ser instrumentalizada pela visão consumista, antiética de um capitalismo que só visa o lucro e negligencia os direitos humanos.

É preciso, urgentemente, se fazer ouvir e articular o maior crescimento da consciência humana sobre o que é ser humano. Para tanto, esta realidade é necessária no que tange o bem do próximo e não o meu próprio bem-estar.


Robson Ribeiro de Oliveira Castro é leigo. Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Atualmente leciona no Instituto Teológico Franciscano (ITF). E-mail: robsonrcastro@yahoo.com.br.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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