CICAF: Junioristas em ritmo de recriação

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“Que eu seja todo dia como o girassol, de costa pro escuro e de frente pra luz.” (Priscila Alcântara)

“Deus Pai-Mãe, rendemos graças a Ti!”

Com o coração em festa, nos dias 29 a 31 de janeiro, nós, irmãs junioristas da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas e irmãs acompanhantes, contemplamos e vivenciamos com intensidade a beleza de nos encontrar. Mesmo que de forma virtual, foi possível apreciar e chegar no chão sagrado cada uma.

“Senhor como são grandes as maravilhas que fazes em nossa vida!”

Embaladas pela canção, “embarca morena, embarca, molha o pé, mas não molha a meia…” fomos acolhidas. E quem disse que não ficamos juntas? Sim, ficamos! Cada uma foi representada por uma bonequinha feita com amor pelas irmãs Alice Antunes dos Santos e Catarina de Faveri. Entramos na barca, trazendo nossos barulhos e, na companhia das irmãs Amábile, Maria e Liduína, de Clara e Francisco de Assis e do mestre Jesus Cristo, navegamos mar adentro! Foi bonito de ver a barca com a diversidade das cores que somos a partir dos grupos regionais.

“Celebramos a missão e o envio, desde que Rodeio escutou!”

Com criatividade, partilhamos a vivência do Juniorato organizado por regiões – um passo dado no processo de reorganização da congregação. Cada região levou-nos a estar em sua realidade de vida-missão, apresentando os pontos significativos e os desafios a partir da vivência de 2020 e suas perspectivas para a continuidade da caminhada. Quantas dádivas e bem querer em cada apresentação! A partir do maior desafio que foi a pandemia da covid 19, destacamos como ponto significativo a oportunidade de recriar meios para encontrarmo-nos, a adaptação de acordo com os movimentos da vida, sem perder a dinâmica de aprender, desaprender e reaprender.

“Em terras sagradas, estamos Divina Ruah, nos chama aqui para servir e para vida doar”

Atentas ao chamado de Deus Pai-Mãe nas terras sagradas onde estamos, acolhemos a professora Márcia Maria de Oliveira. Ela chegou com uma bagagem profunda e significativa e nos ajudou a aprofundar a reflexão em torno das Urgências Socioambientais. Na metodologia da escuta, convidou-nos a partilhar as nossas expectativas para o estudo a partir da diversidade de nossas realidades. A partir daí, aprofundou o tema de forma instigante e provocadora. O apelo a uma vida pessoal e comunitária simples e sóbria nos questionou muito como mulheres cristãs, franciscanas e consagradas.

Os desafios trazidos de nossas realidades abriram caminhos para o aprofundamento de temas em torno de muitas questões que nos impactam no cotidiano e nos interpelam a posturas e opções concretas: a água (contaminação, escassez, racionamento… o mercado mundial da água); a missão da Igreja; a importância e a necessidade de um processo permanente de educação ecológica; o impacto dos projetos de intervenção; a questão da sustentabilidade; mudanças de hábitos e de comportamento ético, social e moral na relação com os recursos ambientais; o protagonismo das mulheres; a ecoteologia do cuidado; a ecologia integral como projeto da sociedade; as políticas públicas ambientais; o pecado ecológico (queimadas, latifúndio, envenenamento dos alimentos, da água, da terra e do ar… aqui há um convite a reinterpretar o Gênesis e a romper com a ignorância do negacionismo); os modelos de produção – agroecologia e quintais produtivos como alternativa de segurança alimentar e relação de sustentabilidade; a questão de lixo (aumento da produção de lixo, uso desordenado de plástico, destinação de resíduos sólidos…); a imposição da alimentação industrializada; as mulheres e as alternativas (envolvimento da Vida Religiosa com as questões socioambientais).

Fizemos também um passeio entre outros problemas ambientais urbanos: poluição (ar, solo, visual, águas, sonora); esgoto; enchentes; erosão (terrestre e marinha); inversão térmica; ilhas de calor; chuva ácida. Um questionamento que ficou forte foi sobre a cultura do descarte que, além de promover o consumismo, pode tornar descartáveis também as pessoas, as relações. Se não gosto ou não tolero tal pessoa, eu a descarto. Conosco será que é assim? Eis a questão!

Diante dos desafios, luzes também foram acesas! Todas essas questões nos convocam à formação da consciência crítica, vinculada ao testemunho e à profecia. Enquanto professora Márcia apresentou elementos da Laudato Sí, que convergem para um projeto de sociedade a partir da ecologia integral, sugeriu que desenhássemos um girassol. A Laudato Si propõe a ecologia integral como um itinerário, um caminho, que vai nos apontando outras possibilidades de sociedade, de convivência com a natureza, com os ecossistemas, dos quais nós também participamos. O girassol é símbolo desse projeto de sociedade, pois ele sinaliza a relação de permanente contemplação do Criador – o sol que esclarece, ilumina, dá vida… Essa sociedade tem como ponto de partida os pobres, os mesmos sujeitos escolhidos por Jesus, os mesmos sujeitos que perpassam toda a sagrada Escritura, os mesmos sujeitos que continuam a interpelar a Igreja, que continuam a interpelar uma teologia comprometida com a vida na atualidade. E, entre os pobres mais pobres, mais maltratados, encontra-se a nossa Terra oprimida e devastada, no seu limite. Entre os desafios, destacamos o caminho da educação e da conversão ecológicas, pois, como dizia São Francisco de Assis: ” irmãs comecemos, pois até agora pouco ou nada fizemos!”.

“Sois a semente que há de crescer… Sois uma chama que há de acender esplendores de fé e amor.”

Com o coração agradecido por este encontro, chegamos ao final, avaliamos, planejamos e sonhamos em poder encontrar-nos, abraçar e continuar a costura desta colcha de retalho que vai sendo tecida com nossas linhas. A beleza de bem viver estes dias com os momentos orantes, animados por cada região, as conversas, risadas e a irmandade alargada, tudo isso alimentou nossa vocação e o nosso compromisso no processo de reorganização. É preciso avançar! Avançaremos recriando, guiadas pela graça de sermos da vida eternas aprendizes, sem perder de vista nosso ponto de partida.

Estendemos nossa gratidão às irmãs das nossas irmandades que diante da organização dos horários favoreceram-nos participar intensamente, as irmãs que estiveram em sintonia conosco nestes dias e também as que apareceram nas nossas telas, agraciando-nos com sua alegria. Valeu o esforço em participar deste encontro, bem como o esforço das irmãs que o organizaram e articularam. Por tudo damos graças!

Por Irmãs Juciele Aguiar de Moura e Luana Oliveira de Souza

Fonte: CICAF

 

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