Franciscanos ampliam atendimento à população de rua

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Tendo em vista o atendimento à população de rua, que já sofre com os efeitos da pandemia do coronavírus, o Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras) ampliou o trabalho que é feito com esse público no projeto conhecido como “Chá do Padre”, Rua Riachuelo, no Centro de São Paulo, instalando uma tenda no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, com capacidade para atender até mil pessoas.

Esse serviço teve início nesta sexta-feira, 27 de março, visando três objetivos: 1) evitar as aglomerações nos espaços de cuidado e distribuição de alimentos voltados para esta essa população; 2) aumentar a oferta de alimentação para atender a demanda; e 3) dar apoio e espaço às iniciativas de solidariedade de pequenos grupos, movimentos e organizações.

A tenda tem 200m² foi preparada seguindo normas e procedimentos sanitários específicos para a ação contra a pandemia. O local também contará, separadamente, com espaços para doação de alimentos e para outras organizações realizarem ações de apoio à saúde e assistência social.

“Esse é um trabalho amplo que vai de encontro com os nossos valores”, explica Frei Diego Melo, coordenador da Frente da Solidariedade para com os Empobrecidos da Província da Imaculada Conceição. “Nós, enquanto franciscanos, acreditamos que toda a ação voltada para os mais pobres, sempre tem que ser baseada em três eixos: acolher, cuidar e defender”, explicou.

Segundo seu exemplo, diante da fome que assola, diante da necessidade básica, é preciso de modo imediato realizar ações para minimizar essas necessidades inerentes ao ser humano. “Então, essa acolhida, essa atitude emergencial, não esperam muita reflexão”, adianta.

Para Frei Diego, o segundo eixo é a dimensão do cuidado. “O segundo passo é o da devolução da dignidade desses irmãos em situação de rua. Mais do que oferecer um prato de comida, a gente quer levar também a humanização dessas pessoas. Quer oferecer um olhar, um carinho, um gesto de atenção. Sabemos que a fome se manifesta de diferentes formas. Existe essa fome física, mas existe a fome de sentido, a fome de atenção”, explicou. Defender é o terceiro verbo que norteia as ações dos franciscanos. “Significa comprometer-se com a causa dos mais pobres. Nesse eixo está também a nossa profecia, a nossa capacidade de denunciar os modelos que geram esta pobreza. Mais do que acolher e cuidar, é preciso lutar pelos direitos dessa população”, ensina o frade.

Com a pandemia da Covid-19, a situação tem se agravado, resultando em uma maior procura a serviços, em especial de alimentação. “O Sefras não fechou as portas, pois entendemos que a situação é emergencial. Continuaremos acolhendo essas pessoas que necessitam de nossa ajuda”, adiantou Frei José Francisco, diretor presidente do Serviço Franciscano de Solidariedade.

Segundo dados do Censo publicado neste ano, cerca de 24.334 pessoas vivem em situação de rua na capital. Desta população, 45,38% (11.048) estão na Subprefeitura da Sé, formada pelos Distritos da Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé; região em que estão situados os serviços do Sefras de atendimento a essa população, cuja média é de 700 pessoas diariamente.

A iniciativa faz parte do programa Ação Franciscana – Acolher, Cuidar e Defender – do Sefras para conter o avanço do coronavírus em população de baixa renda e alta vulnerabilidade assistidas por seus programas. Ao todo, o Sefras atende a mais de 2 mil pessoas por dia, como crianças, idosos, população em situação de rua e imigrantes.

“Nosso objetivo é ir além dos serviços que já prestamos e transformar nossos espaços em ambientes de acolhimento e cuidado para aqueles que não têm como ficar em quarentena ou isolamento”, acrescentou Frei José Francisco.

O Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras)S, organização social criada pela Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, atende diariamente cerca de 2 mil pessoas nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. São serviços que promovem contra-turno escolar para crianças, convivência de idosos, atividades socioeducativas e de alimentação para população em situação de rua, acolhimento e inclusão social de imigrantes, sempre com a perspectiva franciscana de solidariedade.

Por esse trabalho, foi reconhecido, em 2018, com o Prêmio ODS Brasil na categoria organizações sem fins lucrativos e, em 2019, foi citada em Relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) como ação inovadora em políticas públicas frente ao trabalho com imigrantes.

O Sefras está com uma campanha para receber doações, especialmente de produtos higiênicos e alimentos. Veja como fazer abaixo:


Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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