FRANCISCLAREANDO | Sinodalmente buscamos a luz

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Já nos inícios, em fevereiro celebramos a luz. O mundo católico do Nordeste do Brasil, celebra a “Mãe de Deus das Candeias”. É com muita luz que o faz, oferecendo suas velas de todos os tamanhos e cores. Não é somente cera e pavio que se queima num instante e oferece um espetáculo de luz e calor. É sua própria vida que, dia a dia vai se consumindo na luta pela vida digna, conforme o sonho de Deus. E em todo o Brasil, neste dia se benzem velas para acender em tantas ocasiões, sobretudo em momentos difíceis, momentos de angústia, de necessidade.

Ainda que a consciência sinodal seja algo a ser trabalhada, aprofundada, o fazer caminho junto (fisicamente, pelo menos) é algo marcante no nosso povo. Ficando só no espaço religioso, olhemos as romarias a Canindé de São Francisco, Aparecida, Trindade (Divino Pai Eterno), Juazeiro (Pe. Cícero), Senhor do Bonfim, Higüey (RD), Guadalupe, Caacupé (Paraguai), Luján (Argentina), Lourdes, Fátima, Roma… e outros tantos lugares “sagrados”. E as Romarias das Terras, da Águas… Nestes lugares, obrigatoriamente existem os lugares para queimar velas, para produzir luz. Nestes lugares o que se busca é luz para tantas escuridões pessoais e sociais, locais e nacionais.

Diríamos que o sentido do estar junto, da comunhão, vocação de sinodalidade é algo intrínseco ao ser humano. Vocação que necessita ser cultivada, ser cuidada para que produza mais luz, para que brilhe como o sol da justiça.

Francisco fez da sinodalidade (fraternidade/irmandade) o eixo do Projeto de Vida que inaugurou na Igreja, porque os irmãos são a luz que revela a vontade de Deus: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me ensinava o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho. E eu o fiz escrever em poucas palavras e simplesmente, e o senhor papa confirmou para mim. E os que vinham tomar a vida davam aos pobres tudo que podiam ter, e estavam contentes com uma única túnica, remendada por dentro e por fora, com o cordão e os calções. E não queríamos ter mais” (Test 14-17).

A pobreza é o necessário chão para a fraternidade/irmandade, para a sinodalidade, modo de igreja que queremos ser, para que nossa luz brilhe e ilumine.

O mundo viu e reconheceu a luz que a igreja coloca no candelabro, conforme testifica seu biógrafo: “Foi assim que começou: “Como a estrela da manhã por entre as nuvens, como a lua resplandecente no plenilúnio, como o sol a brilhar, assim refulgiu este homem no templo de Deus” (1Cel 125,8).

Clara, que “começou a brilhar com luminosidade muito precoce”, não brilhou sozinha. Muito jovem, trocou o brilho da riqueza para viver, no escondido, a pobreza vivida pelo próprio Jesus, como via viver seu amigo Francisco. E, como sempre acontece, luz atrai luz. As biografias testemunham que logo, muitas jovens seguiram seu exemplo:

“A fama da santidade da virgem Clara espalhou-se rapidamente pelas regiões circunvizinhas e de toda a parte acorreram mulheres seduzidas pela fragrância do seu perfume”.

… A mãe convidava a filha e a filha convidava a mãe a seguir a Cristo; a irmã seduzia a irmã e a tia as sobrinhas. Todos pretendiam seguir a Cristo em fervorosa emulação. Todas desejavam partilhar desta vida evangélica que o exemplo de Clara inspirava. Um sem número de virgens, inspiradas pela fama de Clara, procuravam viver em suas casas o espírito da regra enquanto não se sentiam aptas para entrar no convento. Eram tais os frutos de salvação dados à luz pela virgem Clara que bem se pode afirmar que se cumpriu nela a palavra do profeta: “Os filhos da desamparada são mais numerosos que os da mulher casada” (LSC 10,12.18;23).

Certamente Clara não pensava em fundar uma nova comunidade. Mas quando o seu exemplo a gerou ela, sim, ela a acolheu e a foi cuidando como uma irmandade, uma forma de vida sinodal: A abadessa “conserve a vida comunitária em tudo… Pelo menos uma vez por semana tenha que convocar suas Irmãs para um capítulo … E tratem aí, de acordo com todas as irmãs, tudo o que for necessário para a utilidade e o bem do mosteiro, porque muitas vezes o Senhor revela à menor o que é melhor” (RSC 6,13.15.17-18).

Como brilhou a luz de Francisco e Clara, brilhará com fulgor a nossa se fizermos caminho junto, se caminharmos sinodalmente. Que nos ilumine sua vida, nos fortaleça sua intercessão, nos proteja a força de seu amor materno/paternal. Conscientes de que o “caminho se faz caminhando” coloquemo-nos, cada manhã, à disposição do Senhor, de coração acolhente, mãos estendidas, olhos abertos para a realidade, ouvidos atentos aos clamores do povo. Confiemos nas forças de longe e de perto, daqui e de além. Uma multidão orante nos acompanha.

Escrito por: Irmã Maria Fachini – Catequista Franciscana

Fonte: CICAF.org.br

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