Frei Fidêncio toma posse com mensagem de esperança

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Frei Fidêncio Vanboemmel tomou posse na última quarta-feira, 4 de agosto, como Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição do Brasil, depois de ser eleito por unanimidade na reunião do Definitório Provincial. Esta é a terceira vez que os seus confrades o escolhem para este serviço. Na primeira vez cumpriu um mandato de seis anos, de 2010 a 2015, e quando já estava de ‘malas prontas’, novamente seus confrades o elegeram para mais três anos: de 2016 a 2018. O terceiro chamado veio hoje de manhã, quando celebrava a Missa das 10 horas no Convento São Francisco. “Não esperava essa eleição, embora fui consultado se poderia prestar colaboração nessa fase de transição. Havia dito que pela experiência vivida nesses nove anos como Ministro Provincial me colocava à disposição para auxiliar naquilo que fosse necessário”, contou Frei Fidêncio, revelando que ainda hoje de manhã havia partilhado com Frei Mário (Tagliari), que é Definidor, que se pudesse evitar, ele preferia. “Quando Frei Gustavo (Medella) me ligou, senti um frio na barriga. Eu até cheguei a falar: ‘Posso pensar um pouco?’ Ele disse: ‘Não, já está eleito. Foi unanimidade no Definitório’. Naquele momento, minhas pernas ficaram moles. Eu pensei que ainda perguntariam se poderia aceitar ou não”, confessou.

Perguntado se essa confiança dada pelos frades o deixava feliz, disse que ela é recíproca. “Então, se depositam confiança em mim, devo transmitir isso à Fraternidade Provincial e que eles sintam isso para trabalharmos juntos. Eu tenho minhas limitações, e são muitas, tudo mundo sabe disso, mas no meio de tudo isso é importante a gente ter clareza do nosso projeto evangélico como uma missão que a Província tem nas casas e nas diferentes Frentes de Evangelização”, explicou Frei Fidêncio.

Segundo ele, sua busca foi se lançar integralmente na missão que lhe foi confiada depois que encerrou os nove anos como Ministro provincial. “Esse tempo fora do governo procurei, de fato, voltar a ser frade na Fraternidade. Sinto muito deixar o Convento São Francisco, que agora é uma casa de encontros e retiros. Tinha uma paixão pelo local, pelo trabalho, pela presença, pelas confissões, pela OFS”, declarou. Frei Fidêncio era Vigário da Casa no Convento São Francisco e Moderador da Formação Permanente.

Na entrevista quando encerrava o seu último mandato, usou quatro verbos para responder à pergunta que conselhos daria ao novo Ministro Provincial: “Abraçar com coragem e fé o serviço que a Fraternidade lhe confia; Acreditar que nunca se está sozinho: o Espírito Santo é conselheiro maior que age em comunhão com o corpo dos definidores; Confiar em Deus e nunca tomar decisões precipitadas. Mesmo quando se perde um pouco do sono, Deus sempre aponta uma saída; Guardar os segredos necessários, e quando não mais houver espaço no seu coração, depositá-los no coração misericordioso do Senhor”. Agora, perguntado se continua valendo esses conselhos para ele, disse que sem dúvida alguma tem a mesma validade. “São princípios. A questão é acreditar e me lançar naquilo que Deus me propõe. Então, esses verbos continuam atuais e vou ter que conjugá-los, quem sabe, de uma nova forma, mesmo que seja por uma mandato-tampão”, observou.

Para o Ministro Provincial, esse pouco tempo à frente do governo não pode ser uma “procrastinação”. “O Capítulo vem aí e é importante preparar bem a Fraternidade Provincial para a eleição do novo provincial, do novo governo, das propostas que vêm da Ordem, do nosso Plano de Evangelização com seus desafios, e daquilo que a Comissão Preparatória está trabalhando e que veio das bases”, acredita, lembrando a importância de Frei César Külkamp como Visitador da Província, para dar continuidade à Visita Canônica que já tinha iniciado: “Então, de certa forma, as decisões serão tomadas com Frei César, que está aqui em nome do Ministro Geral”.

Neste tempo de pandemia e discernimento, Frei Fidêncio deixou a seguinte mensagem aos frades: “A minha mensagem, em primeiro lugar, é de esperança porque nós vivemos, praticamente nesses dois últimos anos, todas as problemáticas da pandemia. Perdemos frades, perdemos paroquianos, pessoas próximas de nós. Então, acho que temos de renascer de novo. Vejo muito isso e até coloquei esse tema na Novena de Santa Clara do Largo São Francisco, pensando em Santa Clara como luz para a nova humanidade. Acho que temos de retomar aquele projeto originário “O Dom da Vocação” e sermos novamente uma nova luz e esperança para que haja uma nova humanidade. Em primeiro lugar entre nós mesmos, como irmãos em fraternidade, reanimar a própria vocação e sermos esperança de uma nova humanidade. Acho que o Papa Francisco tem falado muito isso. Não podemos sair dessa pandemia do jeito que estávamos, quer dizer, ou vamos sair piores ou melhores. A minha mensagem é que a gente abrace, juntos, o nosso projeto evangélico para construirmos uma nova humanidade na Província, com coragem profética, com ousadia, com paixão pelo Evangelho, com paixão pela evangelização. Temos muitos enfermos e doentes, mesmo assim não podemos desanimar, não podemos perder a força, perder a alegria de viver. Pelo contrário, temos que abraçar ainda com mais paixão essa humanidade. Eu me lembro que citava, num momento de formação permanente, que uma secretária na Conferência Episcopal Italiana falou que se continuarmos a usar o mesmo discurso de antes, o povo não irá mais nos escutar. Isso foi muito forte e me chamou a atenção. Então temos que ter uma resposta, principalmente para essa humanidade diante dos grandes desafios sociais, políticos, econômicos, religiosos e diante de tanto radicalismos”, completou.


Moacir Beggo

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

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