Frei Valdecir: Como Francisco, somos chamados a ser restauradores

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São Paulo (SP) – O dia de São Francisco de Assis, em São Paulo, começou nublado e um pouco frio. Mas o Irmão Sol apareceu à tarde para homenagear o seu poeta do Cântico das Criaturas. Na Vila Clementino, o Padroeiro da Paróquia São Francisco de Assis teve um dia festivo à sua altura.

As Missas começaram às 7 horas e a última foi celebrada às 19h30. Do lado externo da Matriz, fiéis e admiradores do Santo de Assis começaram a chegar com seus animais para a bênção. Não demorou muito para se formarem filas. Assim foi até à noite. O pároco Frei Valdecir Schwambach presidiu a Celebração Eucarística às 9 horas.

“Trazemos nesses dias, de um modo especial, as criaturas para serem abençoadas – os animais, cachorros, gatos, aves e tantos outros bichinhos que compõem as nossas famílias -, mostrando que neste mundo, além de nós, cabe também tantas outras pessoas e tantas outras criaturas. Deus fez um mundo grande para que coubesse todas as diferenças. É isso que São Francisco nos mostra. Este Santo que é amado por nós, católicos franciscanos, obviamente, mas também amado pelas grandes religiões como o Budismo, e outras admiram a São Francisco como o irmão universal. Um homem que não conheceu barreiras, limites de religião, porque ele, como disse o autor, foi o primeiro depois d’Ele”, disse o pároco.

“São Francisco cultivou um coração muito grande, um coração onde as outras pessoas também podiam se encontrar, sentiam-se alvo da misericórdia de Deus, onde elas se sentiram integradas e perdoadas novamente. Diante de São Francisco, ninguém se sentia estranho, ninguém se sentia rejeitado”, emendou.

Segundo o frade, os escritores sagrados, os hagiógrafos, os biógrafos que escreveram sobre a vida de São Francisco de Assis dizem que certo dia, quando Francisco rezava na pequena e já em ruínas Capela de São Damião, diante de um Cristo Crucificado, pergunta: ‘Senhor, que queres que eu faça?’ Provavelmente ele perguntou várias vezes ao Senhor crucificado, que lhe falou ao coração: ‘Francisco, vai e restaura a minha igreja”. Quanta coisa precisa hoje também ser restaurada?”, observou Frei Valdecir.

Inicialmente, segundo o frade, Francisco entendeu que a sua missão, o seu trabalho seria restaurar edifícios de pedra, edifícios materiais. Mas, depois ele entendeu que o que Deus queria não era que ele fosse um pedreiro, ou um construtor de matéria, mas que ele fosse um reformador, alguém que trouxesse nova vida, nova vitalidade, nova espiritualidade, novo vigor para a Igreja na Idade Média. “No tempo de São Francisco, vocês vão perceber que existiam muitos movimentos, que eram entendidos como movimentos heréticos, valdenses, albigenses e tantos outros que queriam fazer reformas. Achavam que traziam uma verdade melhor do que aquilo que já existia. São Francisco, muito pelo contrário, se sentia católico na sua plenitude. Jamais se distanciou da Igreja, do Papa, dos bispos, muito pelo contrário. Então é de dentro que sempre acontece o impulso transformador, o impulso renovador do coração da instituição. Hoje, nós também somos chamados a sermos restauradores”, refletiu.

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“Quanta fratura, quanta quebra, nós temos hoje em dia nos relacionamentos. Quanta morte nós encontramos, se não dentro de nós, mas dentro das nossas famílias e dos ambientes do nosso trabalho. Se nós rezássemos diante do Crucifixo, como rezou São Francisco, o que Deus diria para nós? O que precisa também ser restaurado? O que precisa ficar bonito de novo, iluminado? O que precisa novamente ganhar nova vida?”, provocou o frade.

Segundo Frei Valdecir, a festa de São Francisco tem como tema a “Revolução da Ternura”. “Está faltando ternura, está faltando empatia, está faltando a capacidade de perceber que eu não tenho nenhuma verdade absoluta. Que São Francisco ilumine a nossa vida e nos mostre que podemos ser felizes seguindo o seu exemplo!

FREI FIDÊNCIO: HOJE, A HUMANIDADE TEM DIFICULDADE DE PERDOAR

O Definidor Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, presidiu a Celebração Eucarística ao meio-dia. Segundo ele, neste mundo aflito e atribulado que nós vivemos, Francisco de Assis, pobre, humilde, pequenino, é motivo também para que nós possamos louvar a Deus por aquilo que ele foi, mas que a nossa vida também “seja uma louvação ao Deus Altíssimo por aquilo que nós devemos ser enquanto criaturas, filhos e filhas de Deus”.

“Jesus diz: ‘Vinde a mim, vós todos estais cansados e oprimidos’. A humanidade toda hoje está cansada. A humanidade hoje também vive de diferentes modos, opressões. Vivemos em pleno tempo pós-moderno, com ameaças de armas nucleares. ‘Vinde a mim, vós todos’ porque Jesus tem uma proposta de amor, uma proposta de vida a todos nós. Portanto, esta oração de Jesus, que nos convida a irmos ao seu encontro, é a resposta que Francisco procurou dar no seu tempo. Quando nós meditamos e contemplamos o Cântico das Criaturas, esse cântico também brotou no momento de dor, de profunda dor na alma de Francisco, quando ele não mais podia contemplar a criação tão bem visualizada aqui, catequeticamente nesses vitrais bonitos da nossa Igreja. Ele também louva o Criador por todas as coisas, pelo irmão Sol, pela irmã Lua, pelas estrelas, pela água, pela vida. Louva o Senhor, por aqueles que perdoam e como a nossa humanidade hoje tem dificuldade de perdoar”, lamentou.

“’Eu te louvo, Senhor Pai do Céu, porque revelasse essas coisas aos mais pobres, aos mais simples e aos mais humildes’”. Porque nós também queremos ser criaturas divinas que cantam esta perfeita alegria e esta perfeita alegria passa, muitas vezes, por meio do caminho da cruz, pelo caminho da tribulação. Deus os abençoe. Queridos irmãos e irmãs, abençoe as nossas famílias, abençoe os nossos bichinhos de estimação. Abençoe o mundo inteiro para que vivamos cada vez mais a paz, a sonhada paz, a desejada paz e a paz de Deus. Amém”, pediu.


Lucas A. Santos

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