III Encontro Nacional de Irmãos Leigos Franciscanos

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Protagonismo e Profecia: um testemunho de fraternidade em tempos de barbárie

Lagoa Seca, PB – 5 a 8 de setembro de 2019

Como irmãos e menores, nós frades franciscanos dos diversos estados do país, nos reunimos em Lagoa Seca, Paraíba, para nos encontrar, estudar, compartilhar e conviver no III Encontro Nacional dos Irmãos Leigos Franciscanos. Somos mais de 80 frades, com a grata presença de 13 noviços da casa que nos acolhe, inspirados pelo apelo de Francisco de Assis que nos diz: “E, onde quer que estão e se encontrarem os irmãos, mostrem-se familiares mutuamente entre si”. Somos gratos também pela participação de nossa irmã Maria José Coelho, Ministra Nacional da Ordem Franciscana Secular. Sua presença entre nós foi fraterna e profética.

Nesses dias, pudemos refletir sobre a realidade em que vivemos, através dos temas econômico, social, político, ambiental e religioso. Interpelados pelo assessor Frei Olavio Dotto, vimos que passamos por um momento crítico na história mundial, em um contexto de ameaças às soberanias nacionais e, no Brasil, vivemos em uma ditadura neoliberal com mescla de autoritarismo político, que transforma os serviços públicos em negócios. Através desse autoritarismo, corremos o risco da quebra da democracia com o estrangulamento das políticas públicas e agressão aos direitos humanos e sociais.

Na atualidade, vivemos impulsionados pelo capital, com menores períodos de estabilidade
e maiores tempos de crise. A polaridade das discussões em esquerda e direita tem prejudicado as relações sociais, pois a crise política polarizada não alcança equilíbrio, desfavorecendo a estabilidade política e econômica. Seguindo o modelo mundial, também o Brasil assiste ao retorno do militarismo, do favorecimento dos grupos empresariais e corporações internacionais e do fundamentalismo religioso e neopentecostal (evangélico e católico).

Nesse contexto, a única voz que tem sido uma referência profética mundial é o Papa Francisco. Percebemos que sua interferência vai além do âmbito eclesial, pois o próprio Papa tem dito que esse sistema econômico é injusto e mata.
Seguindo a reflexão sobre a profecia, Frei Aloísio Fragoso nos assessorou e recordou-nos
que a vida religiosa consagrada, já em suas origens, nasce como contestação da realidade vivida.

As diversas formas de vida religiosa sempre surgiram a partir da inspiração de neoconvertidos apaixonados, loucos por viver o evangelho. Frei Aloísio recordou-nos que após o Concílio Vaticano II a prioridade da vida religiosa consagrada foi de redescobrir sua identidade, buscar o carisma original e sustentar-se na sua espiritualidade própria.
O profeta hoje é alguém capaz de nutrir-se de um amor essencialmente doação e sacrifício, contrapondo-se à sociedade do descartável. Os místicos da vida religiosa consagrada fizeram sua experiência ao longo de uma vida. A sociedade atual carece de experiências duradouras, tem sede de fraternidade. A vida religiosa deve ter a prática de vida no seguimento de Jesus, pois ela não existe para si mesma e sim para a missão. A profecia está na simpatia, está no sofrer com o outro. O profeta não é juiz, nem mestre, nem inquisidor. O profeta é servo.

Percebemos que o nosso encontro tem sido um sinal profético para os vocacionados e para os frades jovens no processo de discernimento de sua vocação. Contudo, reconhecemos que persiste a necessidade de haver uma formação franciscana desvinculada da formação para as ordens sacras, tendo em vista que somos uma ordem de irmãos e temos uma única vocação.

Estamos felizes por nos reunir pela terceira vez enquanto franciscanos das quatro obediências. Reconhecemos que este sinal profético de estar juntos e valorizar aquilo que nos une demonstra diálogo e fraternidade, e a busca de maior proximidade e comunhão na diversidade.

Isso provoca-nos a resgatar nosso carisma e a estarmos em comunhão com o desejo do Papa Francisco de se viver uma Igreja em saída. Desta forma, reafirmamos a importância de nos fazermos presentes nas periferias eclesiais e nos diversos espaços sociais.

Por fim, sentimo-nos fortalecidos em nossa vocação e impelidos para a missão. Nesse
sentido, considerando a atual realidade eclesial e social, nos comprometemos:
• Com a Ordem Franciscana: a viver a minoridade e a fraternidade, cultivando nossa identidade carismática para além das preocupações institucionais;
• Com a Igreja: a tornar mais conhecida a ‘Laudato Si’ e, concretamente, apoiar o Sínodo da Amazônia com suas proposições, em comunhão com toda a Igreja;
• Com a sociedade: a promover a cultura do encontro através do diálogo, na busca de uma
sociedade mais justa e fraterna.
Que o Espírito Santo, nosso Ministro Geral, nos garanta forças para vivermos cada vez melhor o que nos propomos e ilumine nosso caminhar como irmãos e menores.

Paz e Bem!

Frei Aloísio Alves Albuquerque, OFMCap
Frei André Luiz Aguiar, OFMCap
Frei Fabio L’Amour Ferreira, OFM
Frei José Carlos Correia Paz, TOR
Frei José Gomes de Souza Junior, OFMCap
Frei Pacífico Alves Santos, OFMConv
Frei Patrício Cerreta, OFM
Frei Rômulo Monte Canto, OFM

Acesse a carta abaixo:

Carta Final Irmaos Leigos

 

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