Práticas de penitência marcam a quaresma

1984

Iniciada nesta quarta-feira de Cinzas (2), até a quinta-feira Santa pela manhã, no dia 14 de abril, a quaresma é o período de 40 dias marcado por práticas de penitência com o jejum e a caridade, um tempo litúrgico forte nas igrejas. Além disso, a quaresma é tida como a maior solenidade cristã que antecede a Páscoa.

De acordo com Frei Hércules, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMCap), o período é marcado por três elementos específicos: oração, jejum e esmola. “Esses elementos são notadamente mais trabalhados neste período. São três elementos que nos levam a uma melhor preparação para a celebração da ressurreição. Os 40 dias marcam o período que Jesus passou no deserto se preparando para a sua vida pública. Rememora o período em que o povo de Deus passou andando pelo deserto e os cristãos são convidados a se preparar rumo à celebração da Páscoa”, explicou.

O Frei explicou que o jejum tem como objetivo exercitar algumas práticas que “nos coloca em solidariedade com os irmãos que passam privações”. “O jejum tem como objetivo nos exercitar, disciplinar também na mortificação, na renúncia, no desapego, no autodomínio, autocontrole. Ele também nos coloca em solidariedade com aqueles que não tem o necessário. É um instrumento de penitência e também um elemento que deve nos levar à solidariedade. Aquilo o que eu me privei no dia de penitência deve ser convertido no outro dia em caridade e oração”, explicou

A Campanha da Fraternidade existente no Brasil desde 1962 está presente no tempo da quaresma, tendo como tema neste ano ‘Fraternidade e educação: fala com sabedoria, ensina com amor’. “Ela tem como elemento a concretude para a vivência e preparação dos cristãos. A cada ano ela propõe uma temática diferente a ser refletida nesses 40 dias de preparação. A Campanha da Fraternidade nos ajuda com suas reflexões no ponto de vista espiritual e também social”.

O Rev. Marcel Sarmento, da Igreja Episcopal Carismática – Catedral Betesda, afirmou que a quaresma é o tempo de relembrar o papel e a tarefa como cristão. “É um tempo de jejum e conversão para autoavaliação. A gente relembra o nosso papel e tarefa como cristão, fazemos essa autoavaliação por um tempo de conversão de ‘Deus, eu não queria ter feito isso, quero rever minhas atitudes”’, disse.

“A quaresma é após o Carnaval justamente para recalcular a rota pensando no que celebrou-se a vida carnal e passamos o tempo de introspecção para depois celebrar a vida espiritual, nossa libertação e salvação através de Cristo. Quando temos o Domingo de Páscoa, onde Jesus passa toda a paixão e morre. Depois, vem a ressurreição, ela é fundamental para a esperança do cristão. É a esperança que a gente tem da nossa salvação de irmos para o céu como cumprimento de promessa”, completou.

Marcel observou que “a quaresma caiu no esquecimento”. “É mais fácil as pessoas esquecerem desse período de introspecção e conversão, e se acomodaram com a vida que estão. Essa pandemia, o começo dessa guerra, crise política, econômica, financeira, todo o período de calamidade que estamos passando, não vejo período melhor da gente fazer essa avaliação na quaresma e ver os pontos de erros para voltarmos ‘ao normal’ da melhor forma, bem com Deus”, observou.

“A pandemia potencializou o desuso porque as pessoas começaram a trazer valores em outras coisas. Ela fez com que muita gente se reaproximasse de Deus, porém, muita gente também se aproveitou para se afastar de Deus. Foram extremos”, ponderou.

Fonte: Portal Leia Já

 

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