As Sandálias Franciscanas – Final

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O rigor do inverno fez os frades usarem sandálias. Nos últimos anos de sua vida, para esconder os Estigmas e proteger as faixas ensanguentadas dos pés chagados, São Francisco de Assis usou sandálias de pele ou pano. Estas sandálias estão entre as relíquias na Basílica de Assis.

Ele nunca impôs o uso das sandálias aos frades, “mas como peregrinos e viandantes que neste mundo servem ao Senhor em pobreza e humildade” (Rb 6,2), a sandália passa a ser um expressivo ícone da simplicidade, humildade, mobilidade, serviço, penitência e despojamento. A simplicidade está apoiada nos passos e nas experiências mais profundas de estar junto com tudo e com todos.

Os afrescos de Giotto mostram os frades usando sandálias. Os afrescos modernos nos vestem de modas nos pés. Mas não podemos perder a sensibilidade dos passos para reescrever o Gênesis e sentir a clareza de sermos criaturas. Pés no chão com sandálias franciscanas é sentir o Criador nos mais leves traços do caminho, e amar a vida sempre presente, uma vida que deve ser percebida, é ir junto com ela e chegar lá.

Francisco de Assis optou pelos humildes passos na busca do Mistério. Na sua sandália deixa ser e soar a quietude do caminho, num pisar leve bem diferente das botas e coturnos invasores. No pouco das sandálias, o muito da liberdade. E é ele que nos ensina: cada passo que você caminha é que faz o caminho surgir na singeleza, como uma franciscana sandália.

Por Frei Vitório Mazzuco

Fonte: Blog Frei Vitório

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