FRANCISCLAREANDO – Querer, Procurar, Desejar Fazer

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A que se poderia comparar nosso mundo? Vamos compará-lo a um imenso, belo, rico e desafiante mercado em que todas, todos somos compradores/as, vendedores/as, fornecedores/as, carregadores/as, pedintes, simplesmente apreciadoras/es do movimento, ou … gente que quer mas não pode obter, olhares curiosos, maravilhados, desejosos, famintos, necessitados, tantas coisas mais… Neste mercado, oferta e procura se revezam para preencher necessidades, suprir carências, despertar novas “necessidades”, descobrir novas formas de apresentar o produto para obter melhores resultados, para atrair consumidores/as. Objetivos, sonhos, ideias, criatividade e necessidades são alavancas neste campo de batalha.

O mundo de Francisco não tinha a profusão de oportunidades que temos hoje, mas oferecia, sim, possibilidade de escolher, sobretudo, porque Francisco pertencia à privilegiada classe de quem tinha bens e dinheiro que, ainda hoje, abrem caminhos e portas. Francisco estava bem, era o rei da juventude, tinha um pai que investia muito para que o filho tivesse um nome entre os mais ilustres e prestigiosos senhores. Francisco queria também chegar no topo, mas por uma via oposta à do pai. E Deus o conduziu pelo difícil caminho do fracasso na guerra, da doença, no qual foi sustentado pela força da oração na solidão dos campos e das cavernas, pelo terno amor da mãe, pelo fundamental e decisivo “presente” de irmãos: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho” (Test 14).

O santo Evangelho tem um caminho claro preciso: “Mas, como em um dia foi lido nessa igreja o evangelho de como o Senhor enviou seus discípulos para pregar, o santo de Deus, aí presente, ouvindo bem as palavras do Evangelho, depois da celebração da missa suplicou ao sacerdote que lhe explicasse o evangelho. Depois que ele lhe explicou tudo em ordem, ouvindo são Francisco que os discípulos de Cristo não deviam possuir ouro, prata ou dinheiro, nem levar pelo caminho bolsa, sacola, nem pão ou bastão, não ter calçado nem duas túnicas (cf. Mt 10,9-10; Mc 6,8; Lc 9,3; 10,4), mas pregar o reino de Deus e a penitência (cf. Lc 9,2; Mc 6,12), ficou logo exultante e disse: “É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo fazer com todo o meu coração”. Então o pai santo se apressou, transbordando de alegria, para cumprir o salutar aviso, e não suportou nenhuma demora para começar a cumprir o que ouvira (1Cel 22,1-4).

Firme decisão, clareza, alegria, determinação, pressa, ousadia e tenacidade em cumprir os desígnios do Senhor, caracterizam também o caminho de Clara. São sentimentos e convicções que ela compartilha com sua amiga Inês de Praga: “Mas eu sei que você é rica de virtudes e vou ser breve para não a sobrecarregar de palavras supérfluas, mesmo que não lhe pareça demasiado nada que lhe possa dar alguma consolação. Mas, como uma só coisa é necessária, é só isso que eu confirmo, exortando-a por amor daquele a quem você se entregou como oferenda santa e agradável. Lembre-se da sua decisão como uma segunda Raquel: não perca de vista seu ponto de partida, conserve o que você tem, faça o que está fazendo e não o deixe mas, em rápida corrida, com passo ligeiro e pé seguro, de modo que seus passos nem recolham a poeira, confiante e alegre, avance com cuidado pelo caminho da bem-aventurança. Não confie em ninguém, não consinta com nada que queira afastá-la desse propósito, que seja tropeço no caminho, para não cumprir seus votos ao Altíssimo na perfeição em que o Espírito do Senhor a chamou” (2In 8-14).

O desejo é um motor potente e dá força para agir mesmo em situações adversas. Foi o desejo de servir unicamente ao Senhor que impulsionou e sustentou Francisco e Clara na sua trajetória. Que seu testemunho e intercessão, que o testemunho de tantos mártires, do campo e da cidade, nos ajude a sempre desejar a justiça e o direito, o bem viver para todas as pessoas e para o planeta, a buscar caminhos e a nos comprometer de todo coração na luta para chegar a este outro mundo possível: mais justo, solidário, fraterno.

Escrito por: Irmã Maria Fachini, Catequista Franciscana.

Fonte: CICAF.org.br

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